SECRETARIADO DO CONSELHO DE MINISTROS
Aos Órgãos de Informação
O Conselho de Ministros realizou,
no dia 28 de Outubro de 2008, a sua 26ª Sessão
Ordinária.
Nesta Sessão, o Governo apreciou
as seguintes propostas de Lei a submeter à
Assembleia da República:
- Lei relativa à Fiscalização
das Despesas Públicas.
Esta Lei tem em vista o reforço
e expansão dos mecanismos de combate à
corrupção, à má aplicação
e desvio de fundos do Estado e visa assegurar a
transparência na utilização
dos fundos do erário público.
- Lei que cria a Comissão Nacional
dos Direitos Humanos.
Com a criação da Comissão
Nacional dos Direitos Humanos pretende-se:
• Assegurar o respeito pelo
direitos humanos através de acções
prontas e esclarecedoras e com o envolvimento da
Sociedade Civil;
• Reforçar a confiança
dos cidadãos em relação aos
mecanismos que o poder público coloca ao
serviço da paz social;
• Reforçar o papel do
Estado e da Sociedade na tutela dos legítimos
interesses individuais e da colectividade.
O Conselho de Ministros apreciou e
aprovou:
- Decreto que aprova o Regulamento
sobre Dispositivos Técnicos de Acessibilidade
e Circulação da Pessoa portadora da
Deficiência Física ou de Mobilidade
Condicionada ao Sistema de Serviços e Lugares
Públicos.
Este Decreto regula a construção
e manutenção de dispositivos técnicos,
nos edifícios e lugares públicos ora
existentes e nos que estejam projectados, em construção
ou venham a ser projectados ou construídos
de modo a garantir à pessoa portadora da
deficiência o acesso, circulação
e utilização de edifícios e
lugares públicos.
- O Plano Nacional de Acção
para a Prevenção e Combate à
Violência Contra a Mulher;
Este Plano constitui um instrumento
operacional do Programa Quinquenal do Governo, da
Política do Género e Estratégia
da sua implementação, do Plano Nacional
para o Avanço da Mulher e dos compromissos
internacionais ratificados e assumidos pelo País.
- Resolução que autoriza
provisoriamente o pedido da Sociedade Rio Doce Moçambique,
Lda. de aquisição do Direito de Uso
e Aproveitamento da Terra (DUAT), relativo a uma
área de 23.800 hectares, localizada no Posto
Administrativo de Moatize-Sede, Distrito de Moatize,
Província de Tete, destinada a actividade
Mineira e Infra-estrutura Associada.
- O Programa de Homenagem à
Maria de Lurdes Mutola.
Ainda nesta Sessão, o Governo
apreciou:
- O Ponto de Situação
do Plano de Acção para a Produção
de Alimento;
- O Memorando de Entendimento entre
a República de Moçambique e o Reino
da Swazilândia sobre o Fornecimento de Água
ao Longo da Fronteira Comum;
- O Relatório da 1ª Conferência
Nacional sobre Mulher e Género;
- Grau de Implementação
do Projecto de Viaturas movidas a Gás Natural;
- A Informação sobre
a Cooperação com a Agência Internacional
de Energia Atómica.
Maputo aos, 28 de Outubro de 2008
..................................................................................................................................................................................
SECRETARIADO DO CONSELHO
DE MINISTROS
Aos Órgãos de Informação
O Conselho de Ministros realizou,
no dia 21 de Outubro de 2008, a sua 25ª Sessão
Ordinária.
Nesta Sessão, o Governo
apreciou as seguintes propostas de Leis, a submeter
à Assembleia da República:
- Lei que altera o Código
dos Benefícios Fiscais;
Esta alteração, visa
racionalizar a concessão dos benefícios
fiscais como instrumentos de atracção
de investimentos, contribuir para o alargamento
da base tributária e promover a maximização
da colecta de receitas.
- Lei de Revisão da Pauta
Aduaneira e das respectivas Instruções
Preliminares;
Com esta revisão pretende-se
reformular a tributação dos direitos
aduaneiros, através da aprovação
de um novo texto da Pauta Aduaneira e das respectivas
Instruções Preliminares, adequando-as
ao desenvolvimento do comércio internacional
e sua facilitação e aos compromissos
assumidos no âmbito do Protocolo sobre Trocas
Comerciais na SADC e do Acordo de Parceira Económica
(APE) com a União Europeia, para o estabelecimento
de Zonas de Comércio Livre.
- Lei que altera a Lei nº.
22/2007 de 1 de Agosto, Lei Orgânica do Ministério
Público e Estatuto dos Magistrados do Ministério
Público.
Esta alteração visa
introduzir uma categoria intermédia entre
o topo da carreira, constituído pela categoria
de Procurador-Geral Adjunto e a categoria de Procurador
da República Principal, como resultado da
criação dos Tribunais Superiores de
Recurso, escalão intermédio entre
os Tribunais Judiciais de Província e o Tribunal
Supremo.
- Lei de autorização
Legislativa para alteração pontual
do Código Comercial.
A alteração proposta
tem como objectivo a simplificação
de procedimentos, melhorar o ambiente de negócios,
bem como rectificar os lapsos e omissões
nas disposições introduzidas pelo
Decreto Lei nº. 2/2005, de 27 de Dezembro,
que aprova o Código Comercial.
Ainda nesta sessão, o Governo apreciou e
aprovou:
- Decreto que atribui competência
ao Ministro da Defesa Nacional para a emissão
e actualização de Ordens de Serviço
aos Militares das extintas Forças Armadas
de Moçambique (FPLM), para efeitos de fixação
de pensão.
- Decreto que reduz a idade para
efeitos de contagem de tempo de serviço a
pensão de reforma para os veteranos da Luta
de Libertação Nacional e os Militares
do Quadro Permanente.
- Decreto que introduz alterações
ao Estatuto dos Militares das Forças Armadas
de Moçambique aprovado pelo Decreto nº.
46/2006, de 30 de Novembro.
- Decreto que autoriza a Conferência
dos Superiores Maiores dos Institutos Religiosos
de Moçambique (CIRM) e a Conferência
dos Superiores dos Institutos Religiosos de Moçambique
(CONFEREMO) a criar o Instituto Superior Maria Mãe
de África (ISMMA).
O ISMMA é uma instituição
de ensino superior, católica, de natureza
privada, dotada de personalidade jurídica,
goza de autonomia administrativa, financeira, patrimonial
e cientifico pedagógica e tem sua sede na
Cidade de Maputo.
- Resolução que reconhece
a qualidade de sujeito de Direito com personalidade
jurídica a Fundação Malangatana
Valente Nguenya.
- Resolução que aprova
a Política de Estradas.
A Política visa melhorar
o nível de transitabilidade da rede de estradas
com vista a promover a integração
nacional e regional, alívio a pobreza, o
comércio e o crescimento económico.
O Conselho de Ministros apreciou
e aprovou ainda o Plano Estratégico Integrado
da Justiça II, 2009-2014 e a informação
sobre o Programa Nacional de Planificação
e Finanças Descentralizadas.
Maputo, 21 de Outubro de 2008
.............................................................................................................................................................................
SECRETARIADO DO CONSELHO
DE MINISTROS
Aos Órgãos de Informação
O Conselho de Ministros realizou,
no dia 14 de Outubro de 2008, a sua 24ª Sessão
Ordinária.
Nesta Sessão, o Governo
apreciou e aprovou o Programa de Criação
de Parques de Ciências e Tecnologia em Moçambique
e os seguintes diplomas legais:
- O Decreto que aprova a transferência
da função de cobrança e arrecadação
da receita proveniente do arrendamento dos imóveis
do Estado, da APIE para a Autoridade Tributária.
- A Resolução que
aprova a Marca Moçambique.
A Marca Moçambique tem em
vista contribuir para posicionar o país como
destino competitivo de nível internacional
para o turismo, negócios e investimentos.
- A Resolução que
aprova a Estratégia para o Desenvolvimento
da Indústria Têxtil e de Confecções.
Esta Estratégia tem como
objectivo o estabelecimento de uma indústria
têxtil especializada, a recuperação
das indústrias existentes e o encorajamento
da produção artesanal de produtos
típicos e a capacitação humana
e institucional no sector.
- A Resolução que
Reconhece a Qualidade de Sujeito de Direito com
Personalidade Jurídica à Fundação
Micaia.
- A Resolução que
ratifica o Acordo de Crédito celebrado entre
o Governo da República de Moçambique
e o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola,
no dia 17 de Setembro de 2008 em Roma, Itália,
destinado ao financiamento do programa de promoção
de mercados rurais.
- A Resolução que
ratifica o Acordo de Crédito celebrado a
11 de Julho de 2008, em Maputo, República
de Moçambique, entre o Governo da República
de Moçambique e o Governo da Itália,
sobre a criação da Unidade Técnica
para a Barragem de Nhacangara na Bacia do rio Pungué
e para o Sistema de Drenagem de águas pluviais
na Cidade de Maputo.
- As Resoluções que atribuem alvarás
à:
• Mediacoop, Jornalistas
Associados, SARL, para abertura e exploração
de uma estação de rádio denominada
Rádio Savana, com sede na Cidade de Maputo;
• Associação
Moçambicana para a Promoção
da Cidadania – AMAPROC – para abertura
e exploração de uma estação
de rádio denominada Rádio Cidadania,
com sede na Cidade de Maputo;
• António João
Manuel Charifo, para abertura e exploração
de uma estação de rádio denominada
Rádio Corredor da Beira, com sede em Inhamizua,
Cidade da Beira, Província de Sofala;
• Associação
Criança, Família e Desenvolvimento,
para abertura e exploração de uma
estação de rádio denominada
Rádio Comunitária Hlhuvucane Mazivila,
com sede no Distrito da Macia, Província
de Gaza;
• Associação
Cibverano ca Mmuva ya pa Caia, para abertura e exploração
de uma estação de rádio denominada
Rádio Comunitária de Caia, com sede
no Distrito de Caia, Província de Sofala;
• Associação
dos Jovens para o Futuro – AJOF, para abertura
e exploração de uma estação
de rádio denominada Rádio Quelimane
FM, com sede na Cidade de Quelimane, Província
da Zambézia.
• TV Maná, com sede
na Cidade de Maputo, propriedade da Associação
Maná Igreja Cristã, para a retransmissão
do seu sinal, via satélite, na Cidade de
Nampula.
- As Resoluções que
autorizam a mudança de titularidade da:
• Rádio Maria, do
Arcebispado de Maputo, para a Associação
da Rádio Maria de Moçambique.
• Rádio e Televisão
Miramar, de José Guerra, para a Rede de Comunicação
Miramar, Lda.
• Rádio VOR, do Partido
Renamo, para a empresa Nova Difusão, Lda.
- A Resolução que
autoriza a mudança de denominação
das estações RTK – Rádio
e RTK – Televisão para KFM e KTV, respectivamente.
O Conselho de Ministros apreciou,
ainda:
- O Relatório da Implementação
da Estratégia para o Aproveitamento das Oportunidades
da Copa 2010 na República de África
do Sul;
- A informação sobre
Assistência Médica e Medicamentosa
aos funcionários do Estado.
Maputo, 14 de Outubro de 2008
...................................................................................................................................................................
Transcrição
do Briefing do Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 02 de Setembro de 2008
Boa tarde, senhores!
Terminou, há momentos, a 20ª
Sessão Ordinária do Conselho de Ministros,
que, dentre os pontos discutidos, tenho a salientar
que concentramos a nossa atenção na
análise do Cenário Fiscal de Médio
Prazo para o período de 2009 – 2011.
O Cenário Fiscal de Médio
Prazo é um instrumento de política
económica e de planificação;
faz a projecção do envelope de recursos
para o período 2009 – 2011 e esta não
é a primeira experiência. É,
de facto, a segunda experiência de governação
nesta matéria. E fazemos neste cenário
a afectação estratégica dos
recursos e estabelecemos os limites orçamentais.
Neste cenário fiscal atenção
especial é dedicada ao plano de acção
para produção de alimentos, que, prevemos,
absorva perto de 10 por cento, num processo em que
até 2011 atingiremos os 12.9 por cento.
Neste período de 2009 –
2011, esperamos que o crescimento económico
seja na ordem dos sete por cento/ano e as receitas
do Estado vão crescer em média 0.5
por cento do PIB (Produto Interno Bruto) por ano.
E a inflação irá de sete por
cento em 2009; 6.4 por cento em 2010 e 6.2 por cento
em 2011.
Neste período contamos com
recursos externos, mas, de uma forma crescente,
os recursos internos irão se afirmando. O
total dos recursos a partir de 2008 será
de 197 milhões e, neste ano, os recursos
externos representaram 54.3 por cento e os internos
45.7 por cento. Para 2009, o cenário aponta
que os recursos serão na ordem de 90.468
milhões de meticais. Deste valor, 50 por
cento são recursos internos e os restantes
50 por cento externos. Estamos a ver, aqui, o crescimento
da contribuição interna para o Estado
moçambicano.
Em 2011, a nossa projecção
aponta para 107.692 milhões de meticais e,
neste valor, 55.7 por cento será proveniente
dos recursos internos. Estamos a prever que a partir
de 2011 a componente interna dos recursos será
superior que a componente externa. Isso será
possível porque estamos a projectar uma subida
nas receitas do Estado nesse período em consideração.
Estamos a estimar que em 2009 as receitas
atingirão 44.527 milhões de meticais,
contra os 38.815 milhões de 2008, e, em 2011,
a projecção é de 60.053 milhões
de meticais. Isto significa que o Estado será
capaz de angariar mais receitas e não será
resultado de sobrecarga de impostos. Será
um esforço no sentido de alargar a base tributária,
atrair cada vez mais investimentos, porque só
com investimentos teremos contribuintes que tornarão
possível o que nós estamos a dizer.
Os recursos que nós estamos
a falar vão obedecer uma afectação
estratégica e, nessa afectação,
vai ser considerado que os recursos internos para
o período 2008 – 2009 crescerão
na ordem dos quatro por cento. Mas há que
considerar alguns factores de pressão naquilo
que são as projecções para
as despesas desses três anos no nosso cenário.
Entre os factores que criam pressão sobre
o limitar do envelope de recursos internos entre
2009 – 2011 destacam-se: a reforma salarial
em curso; a acção para a produção
de alimentos e o factor político - porque
uma parte terá que ser orientada para as
eleições gerais que terão lugar
em 2009. O outro elemento de pressão que
devemos ter sempre presente é esta oscilação
com tendência para o aumento dos preços
dos combustíveis nos mercados internacionais.
Isto foi o que nós tivemos como primeiro
ponto de discussão.
Ainda nesta sessão aprovamos
dois Decretos: o primeiro aprova os termos de Contrato
de Pesquisa e Produção de Petróleo
para as Áreas 3 e 6 do Bloco do Rovuma. O
contrato foi concedido a duas empresas: a Petronas,
que é da Malásia (que detém
90 por cento do capital) e a Empresa Nacional de
Hidrocarbonetos, com 10 por cento. O período
concedido para as operações de pesquisa,
que é de estudo, perfurações
para determinação dos volumes, da
existência ou não do petróleo,
é de oito anos, sendo que nos primeiros três
anos será feito o primeiro furo, para a verificação
daquilo que terão sido os resultados dos
estudos no concreto e na terceira fase será
aberto o outro furo para, nessa altura, ver-se se
confirma ou não a existência de petróleo.
Se a descoberta do petróleo for de quantidade
que justifique uma exploração comercial,
ai será feito um contrato para o desenvolvimento
e produção de petróleo por
um período de 30 anos.
O segundo Decreto também aprova
os termos de Contrato de Concessão de Pesquisa
e Produção de Petróleo para
o Bloco de Búzi. Essa já é
uma área mais ou menos conhecida e que está
confirmada a existência de gás natural.
O período de concessão para a fase
de pesquisa é também de oito anos
e, aqui, será feita uma concessão
por um período de 25 anos à Empresa
Nacional de Hidrocarbonetos.
Os estudos apontam para a existência
de reservas de gás avaliadas de 10 à
17 biliões de pés cúbicos.
Aqui, a negociação foi directa, isto
é, entre o governo e a Empresa Nacional de
Hidrocarbonetos. Provavelmente, isto vai facilitar
contactos com outros parceiros para investimentos.
Minhas senhoras,
Meus senhores,
Isto é que foi o objecto de
discussão da sessão que acaba de terminar.
Perguntas e Respostas:
Pergunta (P): Referiu-se às
eleições gerais do próximo
ano, que poderão ser asseguradas através
das receitas do Estado. Há estimativas do
montante necessário para isso?
Porta-Voz do Governo (PVG): –
Neste momento não posso estimar. Há
vários trabalhos que estão sendo feitos,
há custos que têm a ver com o número
de eleitores, os equipamentos que serão necessários,
etc. Por isso, neste momento, é prematuro
avançar estimativas.
P: Em relação à
estratégia de angariação de
receitas…?
PVG: – Número rigoroso
não posso adiantar, mas o que estamos a falar
é em termos de percentagens do global.
P: Como enquadra os anúncios
de alguns doadores de diminuir os montantes atribuídos
anualmente ao Orçamento Geral do Estado (OGE?
PVG: – As indicações
que nós temos aqui não incluem a participação
dos doadores. O que vai acontecer, de facto, é
o crescimento da participação dos
recursos internos no bolo do global do país.
Por exemplo, quando digo que em 2008 o total dos
recursos é de 90.197 milhões, deste
montante 45.7 por cento são recursos internos
e 54.3 de recursos externos. Quando passarmos para
2010, estou a falar de 98.290 milhões (o
valor vai crescendo), mas também os recursos
internos vão crescer e perfazem 52.8 por
cento e os externos 47.2 por cento. Em termos absolutos
a contribuição externa também
vai crescer, mas a contribuição interna
vai crescer duma forma mais acelerada. E continuamos
a gozar da confiança dos parceiros, mas a
nossa vontade e do resto dos moçambicanos
é, de facto, ir produzindo cada vez mais
e alargar cada vez mais a base tributária,
atraindo mais investidores.
P: - Quais são as áreas
que poderão contribuir para o aumento das
receitas?
PVG: - Falamos, há pouco tempo,
da área do petróleo e podemos falar
da área mineira e, porque não, da
agricultura que tem, para além da produção
de alimentos, áreas novas que são
da produção de biocombustíveis.
P: - Este anúncio da retirada
de ajuda ao OGE, por parte de alguns doadores, não
vai influenciar neste cenário?
PVG: - Isso não foi objecto
de discussão. Mas, o que posso dizer é
que a diminuição não é
uma atitude punitiva, mas porque a economia de Moçambique
está a crescer. Trata-se de uma diminuição
natural.
Muito Obrigado!
...................................................................................................................................................................
Transcrição do Briefing do
SEXA o Ministro das Finanças, Dr. Manuel
Chang, acompanhada pela Vice-Ministra da Saúde,
Dra. Aida Libombo, relativo à IIIª.
Sessão Extraordinária do Conselho
de Ministros
Maputo, 27 de Setembro de 2008
Boa tarde, meus senhores!
Estamos aqui para vos dar a conhecer
os conteúdos desta sessão do Conselho
de Ministros, a 3ª. Extraordinária,
realizada hoje.
Nós tivemos, como primeiro
ponto, a apresentação, análise
e decisão em relação ao Plano
Económico e Social para o ano de 2009 (PES);
Também foi apresentado, analisado
e decidido o projecto do Orçamento Geral
do Estado (OGE) para 2009;
Foi igualmente aprovado o Projecto
da Lei sobre o Imposto Simplificado praticado para
os contribuintes. É em relação
a estes pontos que eu gostava de dar mais detalhes.
• O PES-2009 define, como principais
objectivos, primeiro, alcançar um crescimento
económico de cerca de sete por cento;
• Conter a taxa de inflação
média anual em cerca de oito por cento;
• Atingir o nível de exportações
de bens de cerca de 2.926 milhões de dólares
americanos (que representam um crescimento de cerca
de 8.9 por cento em comparação com
o valor projectado para final de 2008);
• Atingir um nível de reservas internacionais
líquidas que financiem cerca de cinco milhões
de importações de bens e serviços
não sectoriais (excluindo os mega-projectos).
Este nível é o que temos estado a
alcançar durante o presente ano, em cerca
de cinco milhões de importações,
e é um nível bastante bom e queremos
mantê-lo no ano de 2009;
• Prosseguir com a criação de
condições que tornem atractivo o investimento
em Moçambique, salvaguardando uma correcta
gestão do meio ambiente;
• Melhorar a quantidade e qualidade dos serviços
públicos de educação, saúde,
água e saneamento, estradas e energia. Significa
que este Plano contém acções
de financiamento de infra-estruturas nas áreas
acima referidas;
• Continuar a descentralizar o OGE para os
distritos. Esta, também, é uma linha
importante que o PES-2009 ainda a comporta, com
a continuação de financiamentos para
o distrito, em termos de investimento e funcionamento
de bens e serviços, bem como o início
da descentralização de salários.
Isto vai acontecer a partir dos salários
de 2009/2010 e aí, por diante.
Em elação ao OGE para
2009, as linhas gerais para esse orçamento
são:
• Estimular o ritmo de acumulação
interna e padrões de crescimento económico;
• Garantir a estabilidade do índice
de preços, portanto, promover a competitividade
e duplicação das exportações;
• Contribuir para a correcção
gradual dos desequilíbrios estruturais da
balança de Pagamentos;
• Promover o auto-emprego nas zonas rurais.
Mas, dentro do enquadramento macroeconómico
que me referi (de crescimento da economia e de taxas
de inflação) a receita vai crescer
acima daquilo que nós tínhamos previsto
– que eram 0.5 pontos percentuais para 0.8
por cento. Esse crescimento deve-se à participação
das receitas próprias das instituições
e, nalguns casos, das administrações.
Também iremos, aos níveis
do Fisco e Aduaneiro, continuar com as reformas
e com o alargamento da base tributária, criando
novos postos de cobrança. Portanto, vamos
transformar alguns postos das alfândegas em
postos de pagamento de impostos (e já começamos).
Então, pensamos que este ritmo de crescimento
da receita própria (Receita do Estado) é
satisfatório.
Temos algumas reduções
em relação aos financiamentos externos,
reduções comparativamente a 2008,
tendo em conta que aquele ano foi extraordinário
nesse sentido.
Nós tivemos financiamentos
acima do normal, principalmente ao donativo dos
Estados Unidos da América, o chamado Milleniun
Challenge Corporation (MCC), com valores bastante
elevados para 2009 e, por esse motivo, podem aparecer
números a decrescer.
Por outro lado, ainda continuamos
a fazer negociações de alguns projectos
do Estado com financiamento externo, que iremos
integrando à medida que, ainda, formos discutindo
o orçamento, ou mesmo na fase de realização
do OGE.
Sobre a Lei do Imposto Simplificado
para os pequenos contribuintes, trata-se de uma
lei que estava no programa do Governo e que era
necessário para este país, tendo em
conta a dimensão do sector informal e a dimensão
do próprio nosso país. Então,
nós trabalhamos nas harmonizações,
incluindo trabalho, portanto, do nível do
distrito, por forma a que se conseguisse ter uma
proposta de um imposto simplificado. É um
imposto que vai abranger agentes que tenham rendimentos
iguais a 2500,00MT. Significa que até esse
nível de rendimento, esses agentes podem
escolher se querem manter-se neste regime de imposto
simplificado, ou se querem estar sujeitos a outros
impostos.
O estarem neste regime significa estarem
isentos em relação ao IVA (Imposto
sobre o Valor Acrescentado), ao IRPS (Imposto sobre
Rendimentos de Pessoas Singulares) e ao IRPC (Imposto
sobre Rendimentos de Pessoas Colectivas).
Estão a ser propostas para
este imposto duas taxas mistas: Específicas
e Fixas.
Nas Específicas, temos 125
mil Meticais para as zonas urbanas e 75 mil Meticais
para as rurais. Os agentes que se considerarem injustiçados
por esta taxa poderão usar a taxa fixa, que
é de cinco por cento sobre o seu volume de
vendas, ao nível das zonas urbanas, e de
três por cento em relação às
rurais. Significa que o agente que achar que os
75 mil Meticais estão acima daquilo que deverá
pagar, então ele pode aplicar três
por cento sobre o seu volume de vendas e calcular
aquilo que é o imposto razoável, que
pode estar abaixo dos 75 mil Meticais. Quer dizer
que o imposto é simplificado e tem essas
duas opções. A taxa principal específica
e a taxa alternativa é fixa, portanto, devendo,
o próprio agente, optar por uma ou outra
modalidade.
A forma de pagamento também
é simplificada e, logo que a Assembleia da
República deliberar sobre esta proposta,
o Governo vai regulamentar como é que se
vai processar este imposto.
Do meu lado era isto que queria compartilhar
convosco.
Perguntas e Respostas
Pergunta (P): Alguns países anunciaram fazer
cortes a certos financiamentos. Até que ponto
isso vai influenciar os programas do Governo?
Porta-Voz do Governo (PVG): Convinha,
talvez, clarificar que nós temos duas fontes
distintas de financiamento externo:
Há uma fonte de financiamento
externo para a Balança de Pagamentos e para
o Orçamento Geral do Estado. Significa que
financia o Orçamento em dinheiro vivo.
Mas, por outro lado, há financiamentos
para os projectos de investimento, o que significa,
neste caso, que a redução a que me
referi é mais de financiamentos específicos
para investimentos. Portanto, não vai afectar,
porque, como temos estado a dizer, devemos aproveitar
o financiamento que há para fazermos infra-estruturas
e estamos a fazê-los.
Não há dúvidas
que ainda precisamos, mas o ritmo é diferente
dos anos anteriores.
Como dizia, tivemos um 2008 com um
alto financiamento para esta componente de infra-estruturas,
que já não acontece em 2009. Mas,
isso não significa que o financiamento do
Estado tenha reduzido bastante. Mantém-se
naqueles níveis, embora haja uma tendência
decrescente desse financiamento de investimentos,
mas que não afecta aquilo que são
os nossos propósitos de infra-estruturas
ao nível dos sectores sociais e mesmo de
infra-estruturas básicas.
P: Quando é que o Governo vai
submeter a proposta do PES à aprovação
da Assembleia da República?
PVG: Em relação ao PES
(no Orçamento), aquilo que está estabelecido
na legislação é que até
o dia 30 deste mês (Setembro), nós
temos que apresentar à Assembleia da República
as propostas do PES para o investimento. E, com
esta análise e aprovação pelo
Conselho de Ministros, o caminho está aberto
para que esses documentos sigam ao Parlamento.
P: Não sei se entendi mal,
ou teria dito que os EUA reduziram o financiamento?
E quais são os outros países que também
reduziram?
PVG: Eu não disse que o financiamento
dos EUA reduziu. O que estava a explicar é
que aquilo que se verifica, de redução,
neste momento, é porque em 2008 houve excesso
de financiamento, que foi feito pelos EUA. E ele
tinha um período exacto de financiamento.
Então, o que acontece é que em 2009
não é o mesmo nível de financiamento.
É isto o que se verifica.
P: Senhor Ministro, pode explicar
melhor isso?
PVG: Sim e eu acho que é bom,
para evitar confusões. Como dizia, há
dois tipos de investimento: Há o financiamento
de investimento e, aquilo que se tem estado a discutir
na imprensa, nalgum momento, é financiamento
ao OGE. Significa financiamento ao défice
orçamental depois desses financiamentos de
investimento.
Então, em relação
a 2009, dos compromissos que nós temos, neste
momento (globais), verifica-se um crescimento de
cerca de 18 por cento nessa componente de financiamento
à Balança de Pagamentos, em que os
contravalores financiam o OGE.
Portanto, há um crescimento
de 18 por cento. Há alguns países
que mantiveram o seu nível e há outros
(acho que são dois) que tiveram uma ligeira
redução. Mas, o mais importante é
que no conjunto dos 19 países e parceiros
que financiam o OGE há um crescimento de
18 por cento relativamente a 2008.
P: E quais são esses países, Senhor
Ministro?
PVG: Um deles é a Suíça,
que reduziu e o outro, na altura, era a Dinamarca,
que acabou aumentando. Portanto, neste momento,
o país que aparece com uma redução
de nível é a Suíça.
Muito obrigado!
VICE-MINISTRA DA SAUDE
Mais uma vez, boa tarde!
Eu iria dar seguimento à informação
do que foi esta sessão Extraordinária
do Conselho de Ministros.
O Governo apreciou e aprovou o Decreto
que cria o Instituto Superior de Artes e Cultura
e aprova o respectivo Estatuto. Este Instituto tem
duas faculdades: a Faculdade de Artes e a Faculdade
da Cultura. A sua missão é oferecer
cursos de qualidade, com enfoque interdisciplinar,
graduação e pós-graduação
nos domínios da Arte e Cultura.
Está sediado na cidade da Matola
e estão previstos 200 alunos. Os cursos irão
começar em Fevereiro de 2009.
O outro Decreto que foi aprovado é
o que classifica Chilembene, Distrito de Chókwè,
província de Gaza, como património
cultural.
Conforme sabem, o primeiro Presidente
da República de Moçambique, Samora
Machel, nasceu no Posto Administrativo de Chilembene,
que se localiza no Chókwè e nós
o consideramos, através deste Decreto, como
um património histórico-cultural de
Moçambique.
Existem alguns elementos que determinam
que ele seja considerado património histórico.
Primeiro - porque ele tem um valor
histórico, que é o local onde nasceu
o libertador da pátria;
Segundo - tem um valor político-cultural,
que é evidenciado pela existência de
alguns símbolos culturais, como a mafureira,
que é considerada como um local sagrado;
Terceiro - também é
considerado um local com valor político,
tendo em conta o papel que o Presidente Samora Machel
desempenhou a nível nacional.
Quarto - é um valor científico
e didáctico, que permite que seja feita educação
patriótica, sobretudo nos locais onde ele
nasceu e viveu: há duas escolas lá
na aldeia, onde era feita educação
patriótica à figura de Samora Machel
Quinto - tem um valor económico,
porque está localizado numa zona considerada
o celeiro da Nação.
De modo que são estes os pressupostos
que determinaram que fosse considerado como um local
que constitui património cultural do nosso
país.
Era esta informação
que tinha como complemento e estou à vossa
disposição.
Perguntas e Respostas
Pergunta (P): Senhora Vice-Ministra, para o apetrechamento
de Chilembene há planos para o melhoramento
das infra-estruturas?
Porta-voz do Conselho de Ministros
(PVCM): Isso não foi discutido nesta sessão.
Simplesmente foi feito um trabalho de preparação,
para que seja considerado um local histórico
com melhores condições.
Existe, por exemplo, o chamado B.I.
de Samora Machel, que simboliza o local onde nasceu
o nosso primeiro presidente; existe, também,
uma residência com construção
feita de pré-fabricada, que foi edificada
em 1965 e é onde ele (o Presidente Samora
Machel) se alojava quando ia a Chilembene, desde
essa altura até à data da sua morte.
Há, também, um monumento
que foi erguido (para quem já esteve lá
conhece-o); há um cemitério onde repousam
os restos mortais da família do Presidente
Samora, incluindo os seus pais e, depois, há
um conjunto de edificações coloniais
(caso da prisão da PIDE, a residência
do Posto Colonial de Chilembene e as residências
dos sipaios), para além da escola que foi
frequentada pelo Presidente Samora e a referenciada
mafureira.
Portanto, o que se espera fazer, naturalmente,
é manter as condições de conservação.
Pode vir a ser feito um investimento, futuramente,
mas esta questão não foi aflorada.
P: Como património cultural,
esse acto está aberto para o público?
PVCM: Exactamente. Tanto, mais que
a cerimónia, que vai acontecer no dia 29
de Setembro, está aberta ao público.
P: Existe algum trabalho de levantamento
de outros locais históricos que reúnam
condições para a sua elevação
à essa categoria?
PVCM: Existe. Conforme sabe, o Ministério
da Educação e Cultura é a instituição
que, por Excelência, se dedica a esse assunto.
Existe um levantamento de todos os locais, monumentos
e a sua área geográfica, para posterior
classificação.
P: Senhora Vice-Ministra, em relação
ao Instituto (Superior de Artes e Cultura), é
público?
PVCM: É público.
P: E em relação aos
locais históricos, é só o Posto
de Chilembene, ou haverá outros?
PVCM: Não é todo o Posto.
Há vários locais que estão
determinados, dentre eles, o local onde nasceu o
Presidente Samora, a sua residência, as escolas,
portanto, é toda aquela aldeia de Chilembene.
Muito Obrigada!
...............................................................................................................................................................................
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição do Briefing de
SEXA o ministro das Pescas, Cadmiel, Muthemba
Maputo, 18 de Julho de 2008
Boa tarde!
No dia 23 de Junho de 2008 recebemos
denúncia de que a embarcação
de pesca ANTILLAS REEFER, encontrava-se nas águas
jurisdicionais moçambicanas.
Depois das diligências necessárias
para o caso do género conseguimos fazer com
que a embarcação entrasse no Porto
de Pesca de Maputo, no dia 05 de Julho de 2008,
para mais investigações e concluímos
que:
? A embarcação de pesca
denominada ANTILLAS REEFER não era portadora
de licença de pesca emitida pelas autoridades
pesqueiras moçambicanas, para operar nas
águas jurisdicionais;
? Exercia uma pesca de espécies
cuja captura dirigida é, precaucionariamente,
proibida;
? Usava artes da pesca que não
correspondiam às especificações
prescritas ou autorizadas. Na verdade, as artes
de pesca deste tipo de pescado foram usadas de forma
ilegal, recorrendo-se à aprestos (âncoras
e pesos) que lhes permitiam se manter a profundidades
até 2.000 metros, de modo a capturar espécies
de profundidade. Também houve apresentação
de falsas informações estatísticas
das capturas que havia efectuado.
Em auto de declarações,
o comandante das embarcações confessou
ter entrado nas águas jurisdicionais moçambicanas
a 14 de Maio de 2008, e ter pescado quarenta e sete
toneladas de espécies de profundidade designadamente
o Dog fish (tubarão).
De facto, confirmámos a entrada
dele nessas datas, através do diário
de navegações e, também, pelo
relatório do Sistema de Localização
Automática (VMS). Portanto, ele indica que
tinha dentro do barco 65 toneladas de isca constituída
por lulas, sardinhas, carapau e outros congelados
e, também, disse que tinha 47 toneladas de
tubarão, duas toneladas de barbatanas de
tubarão, 45 quilos de fígado congelado
e 20 toneladas de óleo de tubarão.
Mas, depois do processo de descarga,
detectamos que algumas dessas informações
não correspondiam com aquilo que existia
dentro das embarcações. Efectivamente,
existiam lá 43 toneladas de tubarão
e, quanto às iscas, existiam lá pouco
mais de quatro toneladas de barbatanas de tubarão
e tinha, ainda, quase duas toneladas de caudas de
tubarão e pouco mais de 11 toneladas de fígado
de tubarão. Tinha, de facto, 20 toneladas
de óleo de tubarão.
Os responsáveis disto são,
nomeadamente, uma empresa que se chama OMPALA FISHING
PTY LTD, juntamente com MABENAL, S.A., de nacionalidade
uruguaia e sediada na Espanha e outra empresa denominada
CONGALA FISHING, de nacionalidade namibiana, sediada
na Namíbia. Estas duas empresas estavam,
ainda, ligadas a um operador moçambicano
chamado SABPAL PESCAS LDA (armador da embarcação)
e OMPALA FISHING PTY LTD (proprietária da
embarcação).
Depois de termos confirmado tudo,
fizemos o processo de infracção e
tomamos as seguintes decisões:
• Primeiro, uma multa de quatro
milhões e quinhentos e sete mil dólares
americanos (USD 4.507.000). E confiscamos a própria
embarcação (que reverte à favor
do Estado) e todas as artes que foram empregues
nessa prática, incluindo as capturas encontradas
à Bordo. E, depois de fazermos as contas
de todas essas capturas, o valor anda nos cinco
milhões de dólares americanos (USD
5.000.000).
É isto que gostaríamos de comunicar.
Este trabalho nos fez (como sabem, recentemente
assinamos uma declaração com os países
da SADC) termos que agir com muita eficiência
para, de facto, combatermos esta pesca. Este é
um processo um pouco complicado e, também,
as pessoas envolvidas não são fáceis
de lidar com elas e nós acreditamos que elas
vão recorrer a qualquer instância.
Mas, nós estamos decididos a manter a decisão
que tomamos, porque tomámo-la dentro dos
princípios legais e observamos, escrupulosamente,
aquilo que é a nossa (moçambicana)
legislação a esse respeito.
E, também, observamos todas
as convenções que estamos vinculados
ao nível internacional para tomar esta decisão.
Era isto que pretendíamos partilhar
convosco e não sei se têm alguma pergunta
a fazer. A embarcação encontra-se
no Porto de Pesca e quem quiser ir ver poderá
faze-lo.
Perguntas e Respostas
Pergunta (P): Recebeu as denúncias
no dia 23 de Julho de 2008, mas o navio foi notificado
ou foi obrigado?
Ministro das Pescas (MP): Bem, nós
notificamos o navio para vir ao porto. Acabou vindo
voluntariamente, mas já haviam sido tomadas
medidas (e a tripulação sabia disso)
caso não obedecesse.
P : É o primeiro caso desta
natureza que se regista no país?
MP: O caso deste barco (com esta envergadura)
é o primeiro, de facto. É um barco
muito grande (os que forem ao porto hão-de
ver). Já apreendemos alguns barcos, mas,
já eram muito cansados (lembram de barcos
que já apreendemos, foi há três
anos, e que acabamos vendendo em hasta pública
e os donos nem ligaram tanto porque os barcos eram
velhos).
P: Qual é a utilidade do óleo
do tubarão?
MP: O óleo do tubarão
(acho) serve para fins medicinais. Eles vendem,
principalmente, na Ásia
P: Em que ponto das águas territoriais
foi apreendido o barco?
MP: As coordenadas são 19,55
graus, pólo norte, em Quelimane (província
da Zambézia).
P: Como foi determinada a multa a
pagar?
MP: Através de cálculos
que existem na nossa legislação.
P: Qual será o paradeiro do
produto apreendido?
MP: O produto apreendido vai ser vendido.
Ele (o dono do barco e da mercadoria) tem oito dias
para reagir. Entretanto, para nós, a reacção
que deve fazer é pagar a multa.
P: De acordo com a lei moçambicana,
pode recorrer ao Tribunal Administrativo?
MP: Sim, pode recorrer ao Tribunal
Administrativo.
P: Uma vez paga a multa, pode levar
o barco?
MP: Não. Ele deve pagar a multa
referente ao barco e tudo que está lá
dentro.
P: A tripulação, neste
momento, onde se encontra?
MP: Está sob custódia
policial.
P: Aonde, exactamente?
MP: Aqui, em Maputo.
P: Estão numa prisão?
MP: Estão aqui, em Maputo.
Normalmente, nestes casos não se encareceram
as pessoas na prisão, mas, ficam devidamente
controladas.
P: Qual é a nacionalidade deles?
MP: Maior parte deles é espanhola.
P: Quantas pessoas são?
MP: São 36 pessoas.
P: Existem moçambicanos?
MP: Na tripulação não.
P: Em relação à
parte moçambicana, qual é o tratamento
que estão a dar?
MP: Neste caso existe uma responsabilidade
compartilhada. Todos eles, nomeadamente o capitão
e o armador, são solidariamente responsáveis
pela infracção.
P: É possível dar o
nome das pessoas?
MP: A responsabilidade não
é da pessoa, entanto que tal, mas da empresa.
P: Esta empresa moçambicana
qual é o papel dela?
MP: Isto começou com um pedido
de pesca de atum, feito por esta empresa moçambicana,
juntamente com uma outra namibiana. Só que,
antes do licenciamento, nós dissemos a este
senhor (moçambicano) que pode fazer a pesca
de atum, mas, antes, deve licenciar-se e, quando
chegasse o momento da vinda do barco, ele tinha
que dar todas as características dos barcos.
Daí, nós diríamos sim, temos
que, primeiro, verificar as artes de pesca que utilizaria.
Contudo, contrariamente a isso, ficamos a saber
que havia um barco que está a pescar aqui,
nas nossas águas, e procuramos saber que
tipo de barco é esse.
P: Com esta situação,
este barco poderá, um dia, ser autorizado
a operar em Moçambique?
MP: Este barco já não
pode operar mais em Moçambique. Um barco,
quando é encontrado nesta situação,
faz-se uma declaração a contar que
ele foi encontrado na situação de
pesca ilegal e, depois, comunica-se a várias
organizações que lidam com a matéria.
De notar que não licenciamos este barco.
P: Este barco tem bandeira de que
país?
MP: Neste momento tem bandeira da
Namíbia.
Se não houver mais perguntas,
agradeço por terem vindo e esperar que, com
estas medidas, saibam que em Moçambique já
não se entra de qualquer maneira. Saudamos
a colaboração de todos os moçambicanos,
porque esta denúncia foi feita por outros
pescadores licenciados (trata-se de uma empresa
moçambicana que pesca na área, e comunicou-nos
que havia um barco suspeito).
Muito obrigado. ×
....................................................................................................................................................................
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição do Briefing
de SEXA o Vice-Ministro da Educação
e Cultura e
Porta-Voz do Governo, Dr. Luís Covane
Maputo, 15 de Julho de 2008
Boa tarde a todos!
Terminou, a momentos, a 17ª
Sessão Ordinária do Conselho de Ministros,
que, dentre vários assuntos discutidos, tenho
a destacar os seguintes:
? Foi aprovado um projecto para a produção
de cana-de-açúcar, com vista à
produção de etanol, numa área
de 18 mil hectares, no distrito de Sussundenga,
posto administrativo de Dombe (província
de Manica). O Conselho de Ministros aprovou a atribuição
de DUAT (Direito de Uso e Aproveitamento da Terra)
à empresa Mozambique Principle Limited que,
para além da produção de etanol,
vai produzir também energia eléctrica
para o seu consumo e para alimentar a rede nacional.
Isto significa um investimento na ordem de 280 mil
milhões de dólares repartidos em 106.885.000
para a agricultura e 133.115.000 para infra-estruturas.
Nesta fase de arranque espera-se que a empresa vá
produzir 120 toneladas de cana por hectare e vai
representar 2.5 milhões de toneladas por
ano. E, em termos de produção de etanol,
espera-se que a partir de 2013 coloque no mercado
regional e internacional 213 milhões de litros
e a energia que vai produzir são 82.5 mega
watts, a partir de 2012 e vai absorver 20 por cento
e o resto vai para a rede nacional.
Este empreendimento vai criar 2.250 postos de trabalho;
vai construir uma ponte sobre o rio Lucite e, em
termos de receitas para o Estado, em 2011 vamos
arrecadar 57 milhões de dólares, em
2012 119 milhões de dólares e, por
volta de 2013 a receita vai subir para 144 milhões
de dólares. A empresa vai, também,
contribuir na colocação de facilidades
sociais para as populações, isto quer
dizer, infra-estruturas sociais na área de
saúde, educação e habitação.
? Nesta sessão do Conselho
de Ministros foi aprovado um Decreto que classifica
o local histórico de Matchedje como património
nacional (ali onde se realizou o II Congresso da
Frente de Libertação de Moçambique,
entre os dias 20 e 25 de Julho de 1968). Uma área
de cerca de 95 hectares, que passa a ser protegida,
valorizada e estará sob gestão do
ministério da Educação e Cultura,
como instituição que tutela a área
da cultura.
Ali já existe um monumento construído
em 1976, como é do vosso conhecimento, sendo
aquele local que acolheu, em 1968, os 170 delegados
que participaram no II Congresso. Por isso, no quadro
da Lei 10/88 sobre a libertação do
património, este local faz parte do inventário
nacional do património cultural. O que nós
queremos é assegurar a conservação
e gestão adequada deste espaço que
orgulha a todos os moçambicanos. E, essa
regulamentação, estará a cargo
do ministério da Educação e
Cultura.
? O Conselho de Ministros também
apreciou, nesta sessão, o Relatório
da Comissão de Inquérito ao acidente
da Barragem de Massingir (província de Gaza),
em 22 de Maio de 2008. A Comissão fez recomendações
para acções de recuperação
do nível de segurança da barragem
e que deverão ser efectuados contactos com
empresas especializadas na matéria. Esta
é uma barragem que tem uma história,
em que a sua construção começou
em 1972 e terminou em 1977, mas estávamos
numa situação em que muitas acções
no terreno não eram possíveis. A conclusão
efectiva da barragem foi entre 2004 e 2006.
Enfrentamos várias dificuldades durante estes
anos, como, por exemplo, o nível de fornecimento
de energia eléctrica. É uma infra-estrutura
de grande dimensão e complexidade, e deve-se
fazer, de facto, um trabalho à altura deste
empreendimento: a formação de quadros
e criação de condições
para que esta barragem funcione efectivamente. Se
nós fossemos construir hoje uma barragem
como a de Massingir necessitaríamos qualquer
coisa como mil milhões de dólares.
Mesmo os cálculos avançados pela comissão
de inquérito mostram que hoje necessitamos
entre 14 a 15 milhões de dólares para
pormos aquela barragem a operar com segurança
e desempenhar as suas funções económicas
e dinamizar a luta contra a pobreza e a nossa capacidade
de produção de alimentos.
As consequências daquilo que aconteceu na
barragem são várias, e dissemos que
precisa se recuperar as condições
do nível de segurança, reabilitar
os descarregadores das comportas. Nós precisamos
criar condições para que os regadios
de Chokwé e Xai-Xai tenham água em
quantidade e qualidade suficientes. Foram feitas
recomendações, mas, olhando-se mais
para o futuro, o ministério das Obras Públicas
e Habitação, que é o braço
do Governo que trata dessas matérias, terá
que efectuar os contactos necessários para
que aquela infra-estrutura volte a funcionar em
pleno.
? Nesta sessão aprovamos,
ainda, uma proposta de Lei de criação
do Conselho Superior da Magistratura Judicial Administrativa.
Isto vai permitir a criação dum conselho
superior próprio, que será o Conselho
Superior da Magistratura Judicial Administrativa.
É o órgão que vai assegurar
a gestão e disciplina da magistratura administrativa,
fiscal e aduaneira em Moçambique. Isto não
existe e não está coberto, e este
órgão será presidido pelo Presidente
do Tribunal Administrativo.
? Nesta sessão do Conselho de Ministros,
passou também uma resolução
que aprova a Política de Monitorização,
Controle e Fiscalização das Pescas
e a Estratégia de documentação.
Moçambique é um país
com grande potencialidade na área das pescas.
Só a nossa costa, que é de cerca de
2.780 km, significa uma capacidade de contribuir
para esta área e que, por exemplo, as águas
jurisdicionais de Moçambique correspondem
a 520 mil quilómetros quadrados e as interiores
(estou a falar dos rios, lagos e lagoas) totalizam
20 mil quilómetros quadrados. A pesca ocupa
muita gente, oferecendo emprego, de forma directa,
a 140 mil pessoas, e de forma indirecta estão
envolvidas 40 mil pessoas. Mas, a pesca ilegal,
que é praticada na nossa costa e na região
Austral e na parte sul do continente, representa
um grande prejuízo para os países
africanos e isso é contabilizado em cerca
de um bilião de dólares (por causa
da pesca ilegal). É incapacidade dos governos
de se organizarem para uma fiscalização
efectiva e controlar a não realização
de pesca pouco sustentável. E Moçambique,
através desta política, vai, de forma
coordenada com os ministérios como os de
Defesa Nacional, do Interior e outras instituições
e com os países vizinhos, participar de forma
activa na vigilância, para que a segurança
alimentar em Moçambique seja um facto e que
a pesca contribua efectivamente. E está-se
a criar um quadro legal que vai permitir o controlo
desta actividade.
? Ainda nesta sessão do
Conselho de Ministros aprovamos uma proposta de
Lei que seguirá para a Assembleia da Republica,
que é a Lei Postal. É uma área
não coberta devido à ausência
de uma legislação na área fiscal.
É uma área que está a atrair
interesse do sector privado, mas que o Estado tem
sensibilidade sobre ela. Por isso, o Estado está
a encorajar, também a participação
activa do sector privado. É importante que
se discipline este domínio e, com esta Lei
Postal a passar na Assembleia da Republica, teremos
reunidas as competências para o Instituto
Nacional das Comunicações de Moçambique
poder agir de forma a facilitar e a sancionar, de
forma a que as pessoas ou instituições
se sintam protegidas neste domínio.
Minhas senhoras e meus senhores, era isto que eu
tinha para vos comunicar.
Perguntas e Respostas
Pergunta (P): Senhor Vice-Ministro,
pode-nos dizer de que nacionalidade é este
investimento que será aplicado em Sussundenga?
Vice-Ministro de Educação
e Cultura (VMEC) – A maioria vem de um grupo
de Mauricianos.
P: Qual é a data da implementação?
VMEC – Hoje foi aprovado,
mas há um calendário que estabelece
que a partir de, por exemplo, 2011, o Estado começar
a cobrar as receitas de 57 milhões de dólares.
Isto significa que eles estarão a laborar
em condições (não diria em
100 por cento, porque isso só será
em 2013, quando o Estado poder cobrar das receitas
na ordem de 144 milhões de dólares).
P: Em relação à
ruptura da Barragem. Quais são as causas?
VMEC – Há, aqui, causas
de natureza técnica que determinaram o acidente
e temos que trabalhar, ainda, com os consultores
e com os empreiteiros. E esse trabalho deve ser
continuado pelo ministério das Obras Publicas
e Habitação.
P: A Barragem foi reabilitada no
ano passado. As causas técnicas que se refere
têm a ver com isso?
VMEC – Sempre teve problemas
na estrutura. Houve infiltrações em
certas secções e isso tem muito a
ver com o betão. Esses são aspectos
técnicos que vão ser aprofundados.
P: Então, quer dizer que
esta foi mal reabilitada?
VMEC – Aconteceu um acidente.
Um acidente é coisa que ninguém espera
e temos que ser capazes de enfrentar.
P: E a quem será responsabilizada
esta falha?
VMEC – Esse trabalho está
sendo prosseguido pelo ministério das Obras
Publicas e Habitação, que é
o braço do Governo, mas, a Comissão
de Inquérito foi até onde pôde.
Fez recomendações claras de que há
necessidade de fazer uma avaliação
técnica das condições em que
isto se sucedeu.
P: Será que a Comissão
indica as dimensões do impacto que isto está
a criar para a população?
VMEC – Sim, e avança
com algumas. Por exemplo, há esse problema
de água em Chokwé e Xai-Xai no sistema
de regadio; há um problema de stock em Massingir
não ter abastecimento adequado em termos
de água. Então, o que é barragem,
neste momento, para além da produção
e de conservação de água, é
para abastecer os sistemas de regadio, daí
este assunto ser delicado. E nós sabemos
que aquele empreendimento é de grande valor
e se fosse construído nestes tempos e se
não houvesse muitas paralisações,
por causa da guerra, falta de investimentos, pagaríamos
muito caro. Felizmente, Moçambique conseguiu
mobilizar o Banco Africano de Desenvolvimento, o
que é muito bom, também, para esta
instituição financeira e vamos ter
que conversar com este. Estou a dizer que para construir
uma barragem daquelas, hoje, vamos necessitar de
mil milhões de dólares. Mas, falando
em reabilitações (segundo recomendações
da Comissão) são necessários
14 a 15 milhões de dólares para salvarmos,
efectivamente, e devolvermos a segurança
àquele empreendimento.
P: Essas causas não haviam
sido acauteladas aquando da reabilitação?
VMEC – Isso deve ser investigado.
Foi um desastre e quando isso acontece não
é possível fazer previsões
dessa maneira. São daquelas coisas que surpreendem
e isto envolve consultores, empreiteiros, incluindo
o próprio Governo, que é o dono da
obra ou cliente. Todos teremos que conversar.
P: Esses 15 milhões virão
do Governo ou de parceiros?
VMEC – Há aspectos
que, neste momento, não é possível
aprofundar, mas uma coisa é certa: havia
compromissos com o Banco Africano de Desenvolvimento
e, como sabem, a barragem foi inaugurada há
pouco tempo. Os compromissos financeiros devem ser
revistos. E, este empreendimento, é de grande
envergadura e interessa a todos nós e é
capaz de jogar um papel importante na luta contra
a pobreza.
P: Neste projecto de produção
de etanol está prevista a questão
de conflito de terra com os camponeses?
VMEC – Sim, foi feito o levantamento
e os interesses dos camponeses estão salvaguardados.
Há espaço para continuarem a desenvolver
as suas actividades agrícolas e há
outra dimensão, aqui: é que este empreendimento
vai oferecer emprego aos residentes de outras zonas
(falei de 2.650 postos de trabalho que serão
disponibilizados) e a população ali
existente é de cerca de 3.000 pessoas. Naturalmente,
nós criamos espaço para que o problema
de terra não fosse posto em causa.
P: Estas projecções
de rendimento foram feitas com as necessidades de
água da cana-de-açúcar?
VMEC – Sim (estamos a falar
do rio Lucite). Sabemos que a cana-de-açúcar
exige água e a terra é argilosa e
tem água em quantidade. Por isso, asseguramos
que, de facto, vai ser um projecto de sucesso.
P: Em relação à
questão da área de Matchedje, uma
parte desta área foi atribuída à
um operador turístico privado. Então,
como será efectuado este projecto?
VMEC – Esse facto está
devidamente harmonizado, porque, de facto, não
se pode apagar essa componente muito importante
da história dos moçambicanos. Nos
95 hectares estão lá pessoas que terão
um tratamento adequado e haverá uma regulamentação
específica para aquela zona, e que o ministério
da Educação e Cultura vai trabalhar
neste sentido.
P: A Comissão de Inquérito
estabeleceu algum prazo para salvar o empreendimento?
VMEC – A Comissão
de Inquérito entregou o relatório
e recomenda fortemente que o Estado deve agir imediatamente.
Há cronogramas e o ministério das
Obras Publicas e Habitação está
a trabalhar nisso. Já formou equipas integrando
especialistas nacionais e está a efectuar
contactos para darem seguimento, conforme as recomendações
feitas pela Comissão.
Muito Obrigado! ×
....................................................................................................................................................................
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição do Briefing de SEXA o
Vice-Ministro da Educação e Cultura
e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís Covane
Maputo, 06 de Maio de 2008
Boa tarde senhores!
Terminou, há momentos, a 11ª.
Sessão Ordinária do Conselho de Ministros,
que, dentre várias decisões tomadas
hoje, destacam-se as seguintes:
? Foi aprovado o Decreto que cria
o Instituto Superior Politécnico de Songo
e aprova os respectivos estatutos. Este instituto
enquadra-se no esforço global do Governo,
de formação de quadros qualificados
para a grande tarefa de combate à pobreza
absoluta e, também, podemos integrar este
Instituto nos esforços para a redução
das assimetrias entre as províncias quanto
à existência de instituições
do ensino superior. E, também, faz parte
do conjunto de iniciativas visando a retenção
de quadros nos locais de formação.
Este Instituto terá a sua sede
na Vila de Songo, distrito de Cabora Bassa, província
de Tete, mas, é importante referir que ele
é de âmbito nacional. Vai contar com
estudantes de todas as províncias do país
e vai operar à nível nacional.
O instituto tem como objectivos principais:
a formação de ensino profissional;
a educação orientada para a economia
e incubação de empresas, assim como
a prestação de serviços profissionais.
Os órgãos de direcção
e gestão compreendem o Conselho de Representantes,
o Director-Geral, que é nomeado pela Primeira-Ministra,
o Conselho Administrativo de Gestão e o Conselho
Técnico.
Os cursos que serão privilegiados
neste instituto são Informática, Engenharia
Mecânica, Engenharia Electrotécnica,
Construção Civil (que vai compreender
a construção de pontes e barragens),
Engenharia de Gestão e Controle Ambiental,
Agro-processamento, Contabilidade, Auditoria e Administração.
Este instituto inicia as suas actividades
em Agosto deste ano, com um curso propedêutico
que vai compreender três turmas de 30 alunos
cada e, em Fevereiro de 2009, vai iniciar a operar
normalmente como instituição do ensino
superior.
? Nesta sessão foi aprovado
um Decreto que extingue a Companhia de Desenvolvimento
Mineiro. Esta companhia foi criada em 1989, por
um Decreto do Conselho de Ministros, que tinha como
objectivo principal gerir a participação
do Estado no sector mineiro.
Neste momento, encontrando-se grande
parte das empresas participadas pela Companhia de
Desenvolvimento Mineiro paralisadas e, existindo,
desde 2001, uma instituição do Estado,
o IGEPE (Instituto de Gestão das Participações
do Estado), cuja vocação principal
é a gestão das participações
do Estado, o Conselho de Ministros achou por bem
dar por terminado o funcionamento desta instituição
para evitar esta sobreposição. Então,
temos o IGEPE a cobrir a participação
do Estado nas empresas da actividade económica.
? Foi também aprovado nesta
sessão o preço mínimo de algodão
para a campanha 2007/2008. Esta é uma prática
que vem sendo observada e que tem como objectivo
principal proteger o produtor. Daí que as
propostas do preço mínimo têm
sido objecto de estudo, de concertação
entre os produtores e as empresas algodoeiras. No
passado, os preços eram decididos em Abril
e Maio, o que significa que os camponeses faziam
as sementeiras, abriam os campos sem fazer a mínima
ideia do valor do preço do algodão
no mercado. Mas, neste momento, vem decorrendo desde
Outubro e Novembro do ano passado uma pré
negociação envolvendo os produtores
e as empresas e, agora, estamos em condições
de dizer que o preço mínimo do algodão-caroço
de primeira qualidade aprovado será de 6.35,00Mt,
e, de segunda, será 4.75,00Mt. Este é
o preço que resultou de várias negociações
e é o consenso alcançado entre os
produtores, as empresas algodoeiras que são
os concessionários ou aqueles que compram
e comercializam por quilogramas.
? Aprovámos, também
nesta sessão do Conselho de Ministros, o
Decreto que aprova o regulamento do Código
de Imposto sobre Sucessões e Doações.
Isto decorre da aprovação da Lei 28/2007
de 4 de Dezembro que faz parte do Programa Quinquenal
do Governo e que se integra, também, na agenda
da reforma do sector financeiro. O objectivo principal
deste regulamento é a simplificação
dos procedimentos de pagamento de impostos e, também,
o alargamento da base tributária. Trata-se
de um instrumento muito técnico e que poderá
ser consultado se houver necessidades de mais detalhes.
Muito obrigado pela vossa atenção!
×
.............................................................................................................................................................
Transcrição do Briefing de SEXA o Vice-Ministro
da Educação e Cultura e Porta-Voz do
Governo, Dr. Luís Covane
Maputo, 06 de Maio de 2008
Boa tarde senhores!
Terminou, há momentos, a 11ª. Sessão
Ordinária do Conselho de Ministros, que,
dentre várias decisões tomadas hoje,
destacam-se as seguintes:
? Foi aprovado o Decreto que cria o Instituto Superior
Politécnico de Songo e aprova os respectivos
estatutos. Este instituto enquadra-se no esforço
global do Governo, de formação de
quadros qualificados para a grande tarefa de combate
à pobreza absoluta e, também, podemos
integrar este Instituto nos esforços para
a redução das assimetrias entre as
províncias quanto à existência
de instituições do ensino superior.
E, também, faz parte do conjunto de iniciativas
visando a retenção de quadros nos
locais de formação.
Este Instituto terá a sua sede na Vila de
Songo, distrito de Cabora Bassa, província
de Tete, mas, é importante referir que ele
é de âmbito nacional. Vai contar com
estudantes de todas as províncias do país
e vai operar à nível nacional.
O instituto tem como objectivos principais: a formação
de ensino profissional; a educação
orientada para a economia e incubação
de empresas, assim como a prestação
de serviços profissionais. Os órgãos
de direcção e gestão compreendem
o Conselho de Representantes, o Director-Geral,
que é nomeado pela Primeira-Ministra, o Conselho
Administrativo de Gestão e o Conselho Técnico.
Os cursos que serão privilegiados neste
instituto são Informática, Engenharia
Mecânica, Engenharia Electrotécnica,
Construção Civil (que vai compreender
a construção de pontes e barragens),
Engenharia de Gestão e Controle Ambiental,
Agro-processamento, Contabilidade, Auditoria e Administração.
Este instituto inicia as suas actividades em Agosto
deste ano, com um curso propedêutico que vai
compreender três turmas de 30 alunos cada
e, em Fevereiro de 2009, vai iniciar a operar normalmente
como instituição do ensino superior.
? Nesta sessão foi aprovado um Decreto que
extingue a Companhia de Desenvolvimento Mineiro.
Esta companhia foi criada em 1989, por um Decreto
do Conselho de Ministros, que tinha como objectivo
principal gerir a participação do
Estado no sector mineiro.
Neste momento, encontrando-se grande parte das
empresas participadas pela Companhia de Desenvolvimento
Mineiro paralisadas e, existindo, desde 2001, uma
instituição do Estado, o IGEPE (Instituto
de Gestão das Participações
do Estado), cuja vocação principal
é a gestão das participações
do Estado, o Conselho de Ministros achou por bem
dar por terminado o funcionamento desta instituição
para evitar esta sobreposição. Então,
temos o IGEPE a cobrir a participação
do Estado nas empresas da actividade económica.
? Foi também aprovado nesta sessão
o preço mínimo de algodão para
a campanha 2007/2008. Esta é uma prática
que vem sendo observada e que tem como objectivo
principal proteger o produtor. Daí que as
propostas do preço mínimo têm
sido objecto de estudo, de concertação
entre os produtores e as empresas algodoeiras. No
passado, os preços eram decididos em Abril
e Maio, o que significa que os camponeses faziam
as sementeiras, abriam os campos sem fazer a mínima
ideia do valor do preço do algodão
no mercado. Mas, neste momento, vem decorrendo desde
Outubro e Novembro do ano passado uma pré
negociação envolvendo os produtores
e as empresas e, agora, estamos em condições
de dizer que o preço mínimo do algodão-caroço
de primeira qualidade aprovado será de 6.35,00Mt,
e, de segunda, será 4.75,00Mt. Este é
o preço que resultou de várias negociações
e é o consenso alcançado entre os
produtores, as empresas algodoeiras que são
os concessionários ou aqueles que compram
e comercializam por quilogramas.
? Aprovámos, também nesta sessão
do Conselho de Ministros, o Decreto que aprova o
regulamento do Código de Imposto sobre Sucessões
e Doações. Isto decorre da aprovação
da Lei 28/2007 de 4 de Dezembro que faz parte do
Programa Quinquenal do Governo e que se integra,
também, na agenda da reforma do sector financeiro.
O objectivo principal deste regulamento é
a simplificação dos procedimentos
de pagamento de impostos e, também, o alargamento
da base tributária. Trata-se de um instrumento
muito técnico e que poderá ser consultado
se houver necessidades de mais detalhes.
Muito obrigado pela vossa atenção!
×
Transcrição
do Briefing-Conjunto de SEXAS o ministro dos Transportes
e Comunicação, António Munguambe
e o Porta-voz do Governo, Luís Covane
Maputo, 12 de Fevereiro de 2007
(Introdução feita pelo vice-ministro
da Educação e Cultura e Porta-voz
do Governo, Dr. Luís Covane)
Boa tarde senhores!
No decorrer desta segunda sessão
Ordinária do Conselho de Ministros analisamos,
dentre vários pontos da agenda, a situação
dos transportes urbanos na cidade e província
de Maputo e, particularmente para esse ponto especifico,
convidei o ministro dos Transportes e Comunicações,
senhor António Mungwambe, para prestar as
informações relevantes. Ele vai falar
sobre esse ponto e vai responder algumas perguntas
vossas.
Ministro dos Transportes e Comunicações,
Dr. António Munguambe
Conforme vêm acompanhando, o Governo, através
do Ministério dos Transportes e Comunicações,
vêm negociando com os transportadores e passageiros
sobre as medidas compensatórias. Na existência
da suspensão da tarifa, nós negociamos
entre os dias 6 a 9, incluindo, naturalmente, o
fim-de-semana. Neste caso, chegamos a um entendimento
e a medida imediata que deveria ser aplicada consiste
numa compensação baseada no preço
equivalente a 31,00mt/ litro de combustível
e que foi alcançada no sábado. Contudo,
carece ainda do posicionamento do Governo. O Conselho
de Ministros, reunido hoje, na II Sessão
Ordinária aprovou estas medidas que, doravante,
segue-se a sua implementação.
Então, poderei responder
algumas perguntas
Pergunta (P): Senhor ministro,
quando é que vai entrar em vigor essa medida?
Ministro dos Transportes e Comunicações
(MTC): A medida vai entrar imediatamente em vigor,
faltando um encontro que pensamos que vamos ter
(provavelmente amanhã) com a FEMATRO, neste
caso a entidade que representa os transportadores,
para tratarmos dos mecanismos de compensação.
P: Senhor ministro, há tendência
de o preço do combustível, a nível
mundial, subir constantemente. Como vai monitorar
essa situação o Governo?
MTC: As medidas compensatórias
são baseadas no valor de 31,00mt. Significa
que vamos transformar essas medidas compensatórias
em valor, isto é, se o preço do combustível
subir, o valor da compensação teria
que subir, porque a diferença seria maior.
Se o valor do petróleo (entenda-se combustível)
baixar até 31,00mt, significa que as medidas
compensatórias já não seriam
necessárias. Portanto, trata-se de um critério
de compensação.
P: Senhor ministro, até quando vigorará
essa compensação?
MTC: As medidas compensatórias
são aplicadas enquanto a compensação
vigorar. Nós procuramos encontrar medidas
imediatas que, uma delas, é esta. Isto é
a base. Por isso que é uma fórmula
e esta, de acordo com as variações
das condições, vai sendo aplicada
de modo a termos os necessários resultados.
P: Em termos financeiros, como
será dada a compensação?
MTC: É isso que vamos acertar
com os transportadores.
P: .....
MTC: Os preços que estão
em vigor vão se manter definitivamente.
P: Senhor ministro, a compensação
é só para os semicolectivos, ou abarca
também viaturas normais?
MTC: Os carros normais (pessoais)
não estão abrangidos. É apenas
para os transportadores licenciados.
P: A negociação do
preço varia de seis em seis meses. Até
quando o Governo vai suportar?
MTC: Esta fórmula foi definida
e só deixará de ser aplicada quando
as condições no mercado ditarem o
contrário.
P: Senhor ministro, os “chapeiros” exigem
uma série de pontos, desde as peripécias
porque passam na estrada, protagonizadas pelos chamados
“cinzentinhos”, que também cobram
valores…
MTC: Há esses pontos e outros
que eles colocaram. Nós, nesta fase inicial,
concentramo-nos nas medidas compensatórias
imediatas. E, quanto a esses que acaba de referir,
ficamos para posteriormente.
P: Também discutiu-se a situação
dos transportes para o resto do país?
MTC: Não estamos a tratar
o assunto apenas da cidade e província do
Maputo, mas de todo o país onde circula o
transporte semi-colectivo urbano.
P: Senhor ministro, as gasolineiras
estão informadas de todos os procedimentos?
MTC: As gasolineiras vão
continuar a praticar os preços sem discriminar
a ninguém. Não há nenhum “chapeiro”
que vai dizer “eu só pago 31,00mt”.
São mecanismos de compensação
dirigidos a ele (“chapeiro”) quando
vai ao mercado para comprar o petróleo ao
preço do mercado.
P: Senhor ministro, pode dar exemplos
de como será feita esta compensação?
MTC: Eu devo dizer que estas medidas
devem ser melhor discutidas com eles (sobre qual
é a forma de aplicação), mas,
só para dar um exemplo do que para nós
seria fórmula: seria haver um fundo (que
eles devem ter) e que o usariam para ajudar nos
custos, entre outros no do combustível. Não
estamos só a falar do custo do combustível,
mas também tem outros custos de operação.
Portanto, se nós tomássemos como exemplo
o custo do combustível, diríamos “alguém
tem fundo de combustível”, da mesma
maneira que um estudante que tem que pagar propinas:
ele recebe a propina, mas, quando vai pagar o livro
na livrariam, compra-o ao preço dessa livraria.
P: Senhor ministro, isso não
vai ter um precedente de a LAM, os TPM, também
exigirem alguma compensação?
MTC: Nós avaliamos isso,
mas, há um conjunto de outras medidas que
terão que ser desenhadas e implementadas
para alterar todo o sistema de transporte, para
que não estejamos baseados numa economia
subsidiada. Neste momento, a medida é essa,
mas, não pode criar precedente de que Moçambique
poderá voltar a uma economia subsidiada.
P: E qual é a data desejável
pelo Governo para pôr a acção
imediatamente?
MTC: Nós estamos preparados
para implementar isto imediatamente, todavia, temos
que passar beneficio, isto é, temos que concordar
com eles sobre a forma de captar esse benefício.
Temos que ter garantia de que, da parte deles, estão
prontos para receber o benefício e há
que prestar contas sobre este. Há que termos
clareza sobre como ele vai ser gerido para ter equilíbrio,
para beneficiar os transportadores.
P: Senhor ministro, isto vai fazer
com que o Estado gaste algum dinheiro que não
estava previsto. De onde virá esse dinheiro?
MTC: A acção não
terá efeitos sobre o orçamento (Geral
do Estado). Isso é parceria com o subsídio
directo. O OGE para 2008 está aprovado e
não contempla este valor.
P: O preço do combustível varia de
região para região, havendo distritos
em que o combustível custa 40,00Mt. Como
é que o Governo vai fazer?
MTC: É que a questão
dos 31,00Mt é um preço equivalente.
A tarifa do transporte urbano não é
a mesma em todo o país. Então, vamos
à tarifa que tiver sido acordada em cada
cidade. Por exemplo, como base nesse critério,
vamos aplicar a medida e, daí, virá
o preço da compensação.
P: E nos distritos, haverá aplicabilidade?
MTC: Não conhecemos um distrito
que tenha um transporte urbano, esta é uma
outra abordagem.
P: Há possibilidade dessa
medida ser aplicada para outras zonas?
MTC: Nós, nesta fase, estamos
a tratar do transporte urbano, portanto, a laranja
come-se aos gomos.
P: A medida aprovada pelo Governo
é só esta?
MTC: Nós, na semana passada,
concentramo-nos nessa medida, que consideramos ter
sido a principal. O diálogo continua, para
regularizar a situação dos transportes
no nosso país.
P: Senhor ministro, tem dados sobre
qual foi o prejuízo destas manifestações?
MTC: Não temos avaliação.
P: E em relação aos
efeitos multiplicadores, hoje foi Maputo, mas há
outros pontos como Chokwè, Magude e Jangamo.
O que o Governo pensa fazer?
MTC: As manifestações
continuam porque pessoas de má fé
continuam a agitar outras, sobretudo de tenra idade.
Não há razões para tal. Os
manifestantes não sei se têm líderes,
mas tem aqueles que excitam.
P: Senhor ministro, há informação
de carência de alguns produtos, incluindo
combustível…
MTC: Houve informação
de que havia falta de combustível na cidade.
Ora, de onde vem esta informação nós
não sabemos. Mas, isto circulou, assim como
ontem mesmo circulou outra dando conta de que as
padarias iriam fechar, o que criou uma grande perturbação.
P: Mas não tem conhecimento
da existência de algum grupo a chefiar estas
manifestações?
MTC: Não conhecemos a origem
dessas manifestações. E aproveitamos
esta ocasião para dizer que os moçambicanos
são um povo de paz, e que nós temos
que ser vigilantes para que se mantenha o ambiente
de paz no nosso país. Não é
a destruição dos poucos meios que
existem que nos vai tirar da pobreza. Pelo contrário,
isso vai agravar a situação de pobreza.
Obrigado. (fim da transcrição da intervenção
do MTC, Dr. António Munguambe)
Vice-Ministro da Educação
e Porta-voz do Governo, Dr. Luís Covane
Mais uma vez, boa tarde!
Terminou a II Sessão Ordinária
de Conselho de Ministros com uma agenda bastante
carregada.
Dos vários pontos, tenho
a destacar a questão de Emergência,
Recenseamento, Gabinete de Apoio e Reconstrução
do Paiol.
A situação de emergência
foi analisada de Dezembro/2007 a Fevereiro/2008.
Sobre a precipitação registada no
país, notamos que, em Dezembro, os valores
registados superaram de longe as precipitações
de 2006. E em Janeiro a precipitação
excedeu o normal. E foi analisado também
o comportamento das cisternas do país. Até
30 de Janeiro temos registado 95.265 pessoas afectadas.
Desse número, 20.259 estão no centro
de reassentamento e também registamos, nesse
período, chuvas intensas no sul e no norte,
que já afectaram 5.608 pessoas.
Neste momento, temos pessoas evacuadas,
num número de 13.622, o correspondente a
21 por cento das pessoas que já estavam nos
centros de acomodação. Isso significa
que, das pessoas que foram socorridas nas cheias
do ano passado, 7.503 haviam retornado para as zonas
de risco. Nós iniciamos as evacuações
em 20 de Dezembro do ano passado e, a 1 de Fevereiro,
a situação continuava a agravar-se
e foi declarado o Alerta Vermelho.
Neste momento, temos situações
que estavam fora das nossas previsões. Houve
zonas que desde 2000 nunca foram afectadas, mas
que haviam sido afectadas em 1978 e essas zonas,
por falta de detalhes históricos, foram tomadas
como centros de reassentamento. E colocadas lá
pessoas como se tratando de lugares seguros, como,
por exemplo, Mutarara, que foi afecta em 1978 e
em 2000 não. (Agora) está sendo afectada
por estas cheias.
Outra coisa é que as pessoas
não querem sair das suas zonas de residência
apesar do perigo. E elas, de forma prematura, retornam
às zonas de origem.
E, neste período de 7 e
8 de Fevereiro, S. Excia o Presidente da República
visitou as zonas afectadas e os centros de reassetamento
de Sofala, Inhambane e Zambézia, transmitindo
às populações mensagens de
conforto, agradecer e apelar às autoridades
locais do trabalho que realizam, de salvar vidas
e bens, desenvolverem meios para que as pessoas,
de facto, se estabeleçam nas zonas altas
e para evitar situações cíclicas.
Há um elemento novo que deve ser observado:
é que o reassentamento, depois de estudos
efectuados, viu-se que tem a ver com questões
de natureza antropológica, cultural e histórica.
Em relação ao Gabinete
de Apoio e Reconstrução e, particularmente
às casas totalmente destruídas, que
eram num número de 203, as últimas
48 casas foram entregues em Janeiro, o que significa
que as casas totalmente destruídas foram
todas elas construídas e entregues às
populações. Quando fizemos o levantamento
inicial apuramos 1500 casas parcialmente destruídas.
Durante o processo fizemos outro inventário
e apuramos 5.459 casas, mas, nesse momento, casas
que exigem pequenas intervenções hoje
totalizam 12062 casas e vamos trabalhar para socorrer
estes nossos concidadãos.
Em relação à
transferência dos paióis, também
há progressos bastante assinaláveis
na destruição. São detalhes
que aparentemente não têm interesse,
mas, uma coisa é certa: o trabalho está
sendo feito. Há novas áreas conseguidas
para armazenamento dessas matérias.
Nesta sessão do Conselho
de Ministros fizemos, também, o balanço
do Plano Económico e Social e, nele, notamos,
com grande satisfação, os progressos
que avançamos em relação às
Metas de Desenvolvimento do Milénio. Nesse
período de 2007 registamos progressos em
vários domínios, a citar, a exploração
das areias pesadas de Moma; a reversão da
HCB; a valorização do Metical; assinamos
um contacto financeiro MCC e realizamos o Recenseamento
Geral da População. Nesse período
houve, também, o crescimento da economia,
do Produto Interno Bruto (cuja planificação
de 7 por cento realizamos 7,3 por cento nas áreas
privilegiadas de água, estradas, educação
e desporto). Aprovamos também em 2008 a Lei
de Trabalho.
Tivemos várias situações
que comprometeram o ritmo do desenvolvimento, as
quais passo a citar: as cheias, o ciclone, o aumento
do preço dos combustíveis e trigo
e as explosões do paiol de Malhazine.
Ainda nesta sessão apreciamos
um projecto que visa a simplificação
do licenciamento de algumas actividades económicas
em Moçambique. Há um conjunto de actividades
que foram licenciadas pelas quais o cidadão
não precisa de enfrentar grandes burocracias
e empatar muito tempo. Será suficiente apresentar-se
ao BAU (Balcão de Atendimento Único)
munido do seu NUIT (Número Único de
Identificação Tributária),
preencher um formulário, que será
assinado pelo chefe desse BAU para a actividade
licenciada. As actividades licenciadas consideradas
nesta primeira fase são de comércio,
desporto, construção e transporte.
Isto não significa abandonarmos outros sectores,
nem significa o Estado demitir-se das suas obrigações.
O que vai acontecer é uma fiscalização
permanente.
Aprovamos, também nesta
sessão, uma resolução que determina
a incorporação de 12.000 recrutas
nas Forças Armadas de Moçambique em
2008, isto a partir de 29 Fevereiro. É uma
prática normal nesta altura do ano, em que
o Governo tem que determinar os requisitos, em termos
financeiros, para a operacionalização
deste “chamamento à Pátria”,
de forma regular aos jovens.
Muito Obrigado
......................................................................................................................................................
Transcrição
do Briefing de SEXA o Vice-Ministro da Educação
e Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 04 de Dezembro de 2007
Boa tarde, senhores!
Acaba de terminar a 32ª. Sessão
do Conselho de Ministros, que, dentre os vários
pontos tratados, temos a informar que foi feita
uma avaliação dos resultados da visita
de Sua Alteza Aga Khan, que decorreu entre os dias
20 a 26 de Novembro. Parte considerável dos
resultados da visita vai para as infra-estruturas.
Por exemplo, o Hotel Polana vai beneficiar de reabilitações;
a Texlom também vai iniciar a laboração
em 2008.
Sua Alteza Aga Khan vai contribuir
substancialmente para a construção
de escolas técnicas em Bilibiza, Balama,
Marrupa e Mueda, na província de Cabo Delgado.
E também em Cabo Delgado vai participar na
melhoria de estradas nos distritos de Mueda, Negomane
e Montepuez. Também contribuirá na
criação de um banco de micro-finanças
e também, naturalmente, há um interesse
na área de turismo. Mas a área de
concentração da Sua Alteza Aga Khan
é, naturalmente, Cabo Delgado.
Também vimos, nesta sessão
do Conselho de Ministros, o trabalho que está
sendo feito para a introdução do Número
Único do Cidadão, que vai constituir
uma autêntica base de dados que contém
toda a informação do indivíduo,
incluindo todo o tipo de documentação:
Carta de Condução, Bilhete de Identidade
e outros documentos relevantes. É um trabalho
que está sendo feito e que vai incorporar
elementos que estão ligados ao processo eleitoral.
Com esse Número Único teremos acesso
aos dados do cidadão. Há já
capacidade, ao nível das províncias,
e há necessidade de avançar para 15
pontos de atendimento e registo de informações.
Isto significa que este Número Único
vai permitir a concentração de dados
num sistema electrónico, que posteriormente
serão canalizados ao Instituto Nacional de
Estatística.
Nesta sessão do Conselho de Ministros analisamos
e aprovamos o Plano de Contingência para 2007/2008.
É do vosso conhecimento que, do mês
de Outubro a Março, o País regista
situações que conduzem à calamidades,
cheias, chuvas e ciclones. É um plano muito
detalhado de prevenção/mitigação
para o período 2007/2008. Este é um
instrumento que foi desenhado com a recolha de informações
detalhadas desses períodos e existe um estudo
pormenorizado do comportamento desses rios. É
um estudo que permitiu o desenho de pelo menos três
cenários, e que todos tinham os seus preços.
E o cenário mais alto, onde teríamos
uma situação de ciclones, sismos e
cheias, o valor que é apresentado é
de 1200 milhões de Meticais e o primeiro
cenário é de 328 milhões de
Meticais, sendo o segundo de 822 milhões
de meticais. Há uma graduação,
tomando em consideração os diferentes
impactos e níveis de intervenção.
A única concentração, efectivamente,
é a educação e sensibilização,
bem como aviso prévio às populações
sobre os riscos de inundações e calamidades.
Estamos a elevar e aperfeiçoar as nossas
capacidades de lidar com essas situações.
Desenhado o plano dessa natureza, significa agir
em tempos oportunos para salvar vidas e bens das
populações.
Aprovamos também um decreto
da existência do Gabinete de Informação
Financeira de Moçambique (GIFIM), que foi
criado em Maio de 2007 pela Assembleia da República.
É uma instituição de Estado
que vai actuar na área de combate ao branqueamento
de capitais e vai recolher, tratar e disseminar
pelas instituições, levando informações
ligadas a aspectos criminais que envolvem, normalmente,
o branqueamento de capitais. Esta instituição
se faz sentir com muita urgência, daí
que o seu trabalho vai iniciar no dia 9 de Janeiro
de 2008.
É composta por um Conselho
de Coordenação, que reúne os
ministros das Finanças e de outros sectores
como Interior e outros ministérios relevantes
na área económica. O gabinete é
dirigido por um Director que conta com um Director-adjunto.
Trata-se de uma área que vai complementar
as acções desenvolvidas pelo Banco
Central e pelos nossos Serviços de Segurança.
Ainda nesta sessão aprovamos
o Estatuto Orgânico do ministério da
Função Pública.
Já é do nosso conhecimento que foi
criado, há bem pouco tempo, e para funcionar
precisa de uma organização interna
que permita, efectivamente, atingir os objectivos
que levaram o Presidente da República a criar
esse ministério. Este terá uma estrutura
bastante flexível, orientada para os resultados
e vai compreender três Direcções
Nacionais, uma Inspecção-Geral, quatro
Departamentos Centrais e, naturalmente, o Gabinete
da Ministra.
Analisamos e aprovamos, igualmente,
três planos de acção de prevenção
e controle da erosão dos solos. Como sabem,
o país é assolado por outro tipo de
calamidades que afecta a produção
agrícola, a produção animal
e, também, aglomerados populacionais que
correm risco de desaparecer por causa da erosão.
A erosão tem várias causas naturais
e causas que são, efectivamente, a partir
da intervenção do homem. Então
é um plano que estimamos em cerca de 4 milhões
de dólares para a época de mitigação.
Outra calamidade que mereceu uma
atenção especial tem a ver com as
queimadas descontroladas neste País. Moçambique
está a sofrer consequências das queimadas
descontroladas.
Perguntas e Respostas
Pergunta (P): Senhor Vice-Ministro,
em relação à visita de Sua
Alteza Aga Khan. Quais são as áreas
que irão beneficiar de financiamento de Sua
Alteza?
Vice-Ministro da Educação
e Cultura (VMEC): Em relação a outras
áreas em que sua Alteza Aga Khan vai dar
a sua contribuição estão na
lista que anteriormente havia citado, que compreendem
a reabilitação e modernização
do Hotel Polana. Vamos ter também o arranque
da Academia da Matola; o arranque da industria têxtil
Texlom (que inicia a sua laboração
em 2008); a construção de escolas
e melhoria das estradas em alguns distritos de Cabo
Delgado; a criação de um Banco de
Micro-Finanças e criação de
uma zona turística na zona norte de Moçambique.
P: A Texlom, com este financiamento,
vai entrar com a mesma linha de produção
que tinha anteriormente?
VMEC: A Texlom vai mesmo entrar
em funcionamento, mas, desta vez, com o interesse
virado para a área de exportação.
P: Ainda em relação
à Texlom, quanto é que se propõe
investir para o funcionamento da Texlom?
VMEC: Esse detalhe não o
tenho. Está previsto para 2008 como ano do
reinício, todavia, ainda não se sabe
qual é o mês. A data que temos em mão
refere-se apenas ao ano. Os detalhes poderá
encontrar no Mnistério da Indústria
e Comércio.
P: Que valores estão envolvidos
no financiamento de Sua Alteza Aga Khan?
VMEC: O facto é que é
uma intervenção directa de Sua Alteza
Aga Khan, como é o exemplo do Hotel Polana.
Nós, como Governo, podemos não ir
a esse detalhe. É uma intervenção
de investimento directo.
P: No que diz respeito ao GIFIM,
vai funcionar como um gabinete ou uma unidade?
VMEC: É um gabinete que
vai trabalhar para que Moçambique não
seja palco de operações ilegais de
branqueamento de capitais. Vai recolher informação
e analisar e levar às instituições
relevantes para o controle e combate de branqueamento
de capitais. Espera-se que opere a nível
nacional e tem acção a nível
exterior também.
P: Entrou em vigor o Decreto que
proíbe a venda e consumo de tabaco em lugares
públicos. Em Moçambique vamos ter
espaços específicos para fumadores?
VMEC: Isso não foi objecto
de discussão hoje, não fazia parte
da agenda. Mas não estamos a inventar pólvora,
muitos países, principalmente nos aeroportos,
nós notamos isso. Há um espaço
sempre que se reserva aos fumadores e vamos combater
os fumadores. Obrigar as pessoas a estarem numa
situação com os fumadores é
muito mau. É obrigação das
instituições públicas e privadas
respeitar as pessoas que fumam. As instituições
terão que ter reserva de espaços para
os fumadores, que devem sempre procurar espaços
reservados exclusivamente para eles.
P: Senhor Vice-Ministro, voltado
ao Estatuto Orgânico do GIFIM, o Governo considera
importante o estabelecimento dessa instituição?
O porque da urgência visto que Moçambique
nunca assumiu o branqueamento de capitais?
VMEC: Em muitos países a
complexidade do mundo do crime vai se sofisticando
cada vez mais e Moçambique não pode
deixar de fazer esforço de se associar aos
outros. Nós temos que criar esse gabinete
para investigar, se não encontrar nada, óptimo,
mas estaremos preparados para desencorajar a prática
de branqueamento financeiro.
P: Em relação ao
Número Único do cidadão. O
que se discutiu exactamente no Conselho de Ministros?
VMEC: Eu disse que recebemos uma
informação sobre o trabalho que está
sendo feito com assistência do Ministério
da Ciência e Tecnologia para a concessão
desse documento que vai facilitar a vida do cidadão,
trazendo uma base de dados de todas as informações
relevantes sobre a pessoa. Desde a nascença
a pessoa será acompanhada pela colecta e
informatização desses dados. A digitalização
desses dados abarcará um período histórico,
1975, e que não é possível
recuar. Será o arquivo fundamental desses
dados.
P: Já existem datas para
a sua implementação?
VMEC: É um processo que
deve ser tratado com muitas cautelas, porque envolve
segurança das pessoas, estabilidade das famílias,
etc. É um processo de informatização
que, neste momento, estão já preparados
postos a nível das capitais provinciais.
P: Tendo em conta que as redes
que praticam fraudes usam experiências avançadas,
o Governo já tem algum plano?
VMEC: Eu penso que sim, porque,
quando se trata de combate, aquilo que é
prejudicial à economia de um País,
muitos recursos serão disponibilizados para
oferecer recursos à essa instituição.
O que não posso avançar é a
forma como esta instituição irá
trabalhar, mas, acredito que vão tentar elevar
a qualidade de prestação, de modo
a corresponder à sofisticação
dos crimes.
P: Existem recursos humanos capacitados
para o GIFIM?
VMEC: A grande aposta é
que a decisão já foi tomada para treinar
os recursos humanos e investir nesse gabinete, de
modo a corresponder aos padrões internacionais,
porque não podemos ser o elo fraco de todo
o sistema internacional.
P: Em que consiste o plano de controlo
das queimadas descontroladas?
VMEC: A causa principal das queimadas
descontroladas é o homem, esse homem que,
por caçar ratazanas, queima centenas de hectares.
Acaba pagando muito caro por não estar a
cuidar do seu sustento, que é a terra que
lhe dá de comer. O trabalho fundamental não
é prender as pessoas, é educá-las
para respeitar a natureza, fazendo uso sustentável
dos recursos que dispõem.
Muito obrigado! ×
........................................................................................................................................................
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição do Briefing de SEXA o
Vice-Ministro da Educação e Cultura
e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís Covane
Maputo, 13 de Novembro de 2007
Boa tarde à todos!
Acaba de terminar ha momentos a
30ª. Sessão Ordinária do Conselho
de Ministros, que dentre os vários pontos
de agenda, fez apreciação dos resultados
das visitas presidenciais à Alemanha, Itália
e ao Vaticano.
Os resultados são extremamente encorajadores,
principalmente naquilo que diz respeito à
participação da Espanha e Itália
nos esforços que o Governo de Moçambique
está a fazer na área da Educação
Técnico-Profissional. E será possível
contar com a participação desses Governos,
das instituições de ensino na promoção
da educação técnico-profissional
dos moçambicanos e vai permitir efectivamente
a promoção de pequenas e médias
empresas. E este foi um momento de reforço
das relações de cooperação
na área económica e podemos dizer
que com a Itália prevemos uma participação
muito intensa naquilo que é o ensino superior,
particularmente na área de Belas Artes. Estamos
a apresentar um Instituto que será concebido,
construído e montado com a participação
da Itália, e que vai integrar elementos como
de ambiente e urbanização, são
áreas que fazem falta e muito grande, ao
nosso país.
E avaliamos também o processo
de reassentamento, reconstrução e
actividades do Gabinete de Apoio à Reconstrução
(GAR) e os paióis. Resultados de reassentamento
das acções do paiol, nesta fase podemos
dizer com toda tranquilidade que há progressos
bastante assinaláveis. Na Cidade de Maputo,
por exemplo, das 4.305 casas afectadas, 77% já
foram reabilitadas, nas parcialmente afectadas,
92% já foram reabilitadas. Significa que
das 5.459 casas parcialmente afectadas, 5.015 já
foram reabilitadas. Na província de Maputo,
de 1.154 casas afectadas, 148%, isto significa que
o número inicialmente estimado, de 1.154,
foi largamente ultrapassado, atingindo-se 1.715
casas reabilitadas. E nas parcialmente destruídas,
temos na província de Maputo 100%, portanto,
243 casas parcialmente destruídas foram totalmente
reconstruídas, essas 243 casas.
Ao nível dos paióis, houve um esforço
tremendo, que resultou na conclusão da construção
de depósitos provisórios dos novos
paióis para o armazenamento de munições
activas e depósito de engenhos militares
activos.
Assim, na província de Maputo,
em Novembro concluímos a construção
de 10 depósitos. Em Sofala foram concluídas
em Setembro, 5 depósitos. Na província
de Nampula também em Outubro, foram concluídos
5 depósitos. E continuamos a fazer o trabalho
de recolha e destruição de engenhos
obsoletos. Em Maputo foram recolhidas e destruídas
29 toneladas, em Sofala 40 toneladas. E porque esta
acção foi alargada para outros pontos
do país, que tinham materiais obsoletos e
que deviam merecer um tratamento similar, em Mapai
4 toneladas de materiais obsoletos destruídos,
em Maxixe 18 toneladas e Xefina, 35 toneladas e
os novos espaços para armazenamento de munições
activos e engenhos militares activos. Estão
a ser treinados militares para a gestão desses
espaços. E estamos a treinar 668 militares
em técnicas para o trabalho nos novos espaços
que são os paióis.
Em relação ao reassentamento, foi
avaliado e aprovado o Plano da 2ª.fase do processo
de reassentamento.
Nesta sessão também
foi aprovada a ratificação pelo Governo
de Moçambique de uma emenda na Constituição
da Organização Internacional do Trabalho
(OIT) que permite à Conferência Internacional
do Trabalho tomar decisões em relação
à várias convenções
de trabalho. Esta é uma questão muito
pontual e que o Governo decidiu.
Estivemos também a preparar
a festa da reversão da Hidroeléctrica
de Cahora Bassa (HCB) para Moçambique. E
o evento terá lugar no dia 27, em Songo.
É do vosso conhecimento que os documentos
essenciais, a transferência dos fundos, serão
assinados em Maputo pelos Bancos envolvidos e a
HCB. Significa que no dia 26, vão ser entregues
à Portugal os últimos 700 milhões
de dólares norte americanos, que estavam
em falta para Cahora Bassa passar a pertencer efectivamente
à Moçambique. Isto significa, que
nós passaremos a deter 85% das acções
da HCB.
Dia 27 será festa dos moçambicanos,
e nessa altura poderemos dizer Cahora Bassa é
nossa!
Teremos convidados estrangeiros e nacionais, isto
quer dizer, chefes de Estados e do Governo dos países
vizinhos, principalmente aqueles que se beneficiam
da energia de Cahora Bassa.
A CIGENI (Comissão Interministerial
para Grandes Eventos Nacionais e Internacionais),
desenhou um programa bastante atractivo, com actividades
culturais, o lançamento da 1ª.pedra
do monumento alusivo à Reversão da
HCB. Teremos um comício popular e um festival
cultural que vai se prolongar por todo o dia 27.
Em princípio nestas cerimónias,
contaremos com a parte inicial que será tradicional.
Está sendo discutido como será feito
isso, mas será importante recordarem-se daqueles
que sacrificaram suas vidas no processo de construção
desta grande infra-estrutura, que significa que
é efectivamente a ultima fase da conquista
total da independência de Moçambique.
Estes foram os pontos que considero
centrais, daquilo que foi o trabalho do Conselho
de Ministros, hoje.
Perguntas e Respostas
(P) Quando vai acontecer a assinatura
dos acordos de transferência?
(R) VMEC – Esta é
uma operação que vai ocorrer na Cidade
de Maputo, na noite do dia 26. Essa é a transacção,
a parte comercial da transferência, porque
a partir daí, teremos os 700 milhões
de dólares disponibilizados.
(P) Quais são os autores
desta transferência?
(R) VMEC – Cahora Bassa beneficia
das facilidades que o Governo concedeu, de estabelecer
pontos com os Bancos, portanto, isto será
um negócio entre a HCB e os Bancos que participam
neste negócio.
(P) A questão dos 700 milhões.
Quais são as condições? Confirma
as condições veiculadas no semanário
Savana?
(R) VMEC – Esse não
foi objecto. Quem vai assinar estes documentos são
os bancos, não será o Governo. É
a HCB e esses bancos, porque a parte do Governo
já foi feita entre o Primeiro Ministro de
Portugal e o Presidente da República, prepararam
os documentos de Reversão de Cahora Bassa.
(P) Em relação aos
novos projectos da HCB?
(R) VMEC – Aprovamos os novos
termos de que alteram os termos e condições
de contrato de concessão da HCB entre a Republica
de Moçambique e a HCB. Há vários
aspectos que Cahora Bassa vai passar a ter um tratamento
duma empresa que tem obrigações para
com o Estado, 10% das suas receitas brutas vão
para o Estado, vai passar a pagar as taxas e outros
impostos ao Estado Moçambicano. E porque
hoje, essa Cahora Bassa terá que privilegiar
as aquisições de compra de serviços
e outros bens, prioridade para as empresas moçambicanas,
e prioridade para o preenchimento de vagas, no caso
de emprego à moçambicanos. Então
significa que, esse novo arranjo permite que Cahora
Bassa sirva, de forma crescente, os interesses de
Moçambique.
(P) Isso também significa
que a Electricidade de Moçambique poderá
também ter mais proveito da HCB?
(R) VMEC – Estamos a falar
duma Cahora Bassa em que nós temos 85%, estamos
a falar duma EDM (Electricidade de Moçambique),
duma Empresa Pública. As vantagens, acredito
que serão obvias.
(P) Estou a falar também
de possíveis problemas contratuais com a
ESKO?
(R) VMEC – Isso não
foi discutido
(P) O Zimbabwe também estará?
(R) VMEC – Em princípio
há-de estar lá o Robert Mugabe, no
dia 27. É um país vizinho, um país
amigo. E com o qual nós cooperamos e fazemos
tudo para que o Zimbabwe, saia da situação
em que se encontra.
(P) Sobre a questão de destruição
de munições. Falou de 35 toneladas
em Xefina?
(R) VMEC – O problema lá
é o seguinte, é que havia armazenamento
de munições em vários pontos
do país. E tivemos a situação
do paiol aqui, tivemos a situação
do paiol na Beira, mas a prioridade que foi dada
para recolha e destruição de munições
foi Maputo, Sofala (Beira) e Nampula. Mas fomos
para outros cantos do país e, então,
esse é o material que estava armazenado.
(P) Havia noticias de transporte
perigoso de material obsoleto via ferry-boat de
Catembe para destruição. Confirma?
(R) VMEC – A informação
que nós temos, que foi prestada pelo sector
relevante, é que tudo está sendo feito
com o máximo de profissionalismo e cuidado
para que não perigue a vida das pessoas envolvidas
e destrua infra-estruturas por onde passa.
O problema é, o trabalho está sendo
feito para se evitar perigo e no processo de transporte
dos próprios explosivos. Tudo é feito
com o máximo de rigor, para que não
aconteçam calamidades quando se procura evitar
calamidades.
Muito obrigado!
.....................................................................................................................................................
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição
do Briefing de SEXA o Vice-Ministro da Educação
e Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 16 de Outubro de 2007
.Boa tarde senhores!
Acaba de terminar a 28ª Sessão
do Conselho de Ministros, que dentre os vários
assuntos que foram objectos de análise e
decisão, foi visto um Decreto que introduz
alterações no Estatuto Orgânico
do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades,
estatuto aprovado pelo Decreto 49/2005 de 14 de
Dezembro. Estas alterações visam adequar
o Instituto de Gestão de Calamidades aos
novos desafios. Isto pretende conferir maior autoridade
ao instituto porque este instituto que governa actividades
do centro nacional de emergências, tem um
Conselho Técnico de Gestão de Calamidades
que são os directores nacionais de calamidades,
ministérios relevantes em matéria
de calamidades. E nesse estatuto a figura de director-geral
do instituto que ficou adjuvado por um director-geral
adjunto das diferentes áreas de actividades,
serão indicados directores nacionais. As
actividades desse instituto com as alterações
feitas no estatuto, para além das acções
de mitigação, prevenção
das calamidades, vai actuar no desenvolvimento das
zonas áridas e semi-áridas, é
um instituto que intervém no processo económico
social, coordenando e promovendo acções
dos efeitos da seca. Isto significa que o zoneamento
foi feito dessas áreas e as intervenções
contaram com a participação desse
instituto. Quando não há calamidade,
o instituto está a trabalhar mobilizando
as direcções específicas daquilo
que é promoção e desenvolvimento.
Vimos também nesta Sessão
de Conselho de Ministros o Regulamento de Segurança
Social Obrigatório, isto significa que revogamos
o decreto 46/89 de 28 de Dezembro. Este regulamento
contempla trabalhadores assalariados por “conta
open” e também introduz a categoria
por conta própria e fazendo o cálculo
das suas remunerações com base na
teoria do salário mínimo, ficam qualificadas
a descontar para a segurança social. Esta
é uma operação de grande envergadura
que vai contemplar categorias que no passado não
tiveram um tratamento adequado. Estou a falar de
artistas, desportistas, trabalhadores domésticos,
trabalhador por conta própria e aqueles que
descontado na segurança social, antes de
atingir o tempo de reforma, que são 55 anos
para as mulheres e 60 para homens, perde emprego
e pode continuar a pagar para a segurança
social até atingir aquela faixa. Este é
procedimento de extrema importância e vai
para as áreas de subsídio de velhice,
subsídio de maternidade, internamento hospitalar,
doença, morte, e funeral. É um instrumento
bastante complexo, mas que vem dar resposta a uma
série de preocupações dos moçambicanos.
Ainda nesta Sessão tivemos
uma informação do processo de descentralização
de fundos sectoriais. Está em curso o processo
que transfere para os Governos provinciais e Governos
distritais recursos para a realização
de projectos a nível local, isto para reduzir
gradualmente a dependência em relação
às estruturas centrais. Este é um
processo gradual, como sabem o nosso País
ainda carece de estruturas de instituições
financeiras como bancos. Isso dificulta de todas
as maneiras a cobertura de todo o território
nacional, mas o processo está iniciado, vai
ser acompanhado com a formação adequada
de quadros para entender a inovação
que vai acelerar o desenvolvimento na área
das estradas, água, poços e furos.
Isso será decidido a nível dos distritos,
província. Os fundos serão lá
colocados. Na agricultura, infra-estruturas de saúde
e educação a construção
acelerada de infra-estruturas como salas de aulas
é definida a nível provincial, para
o nível de distritos e outros fundos para
o desenvolvimento local. Está em curso também
ao nível das províncias e distritos
a descentralização dos espaçamentos
para bens e serviços, por exemplo, a área
das estradas os planos anuais são de responsabilidade
dos Governos provinciais, aqui exceptuamos grandes
projectos de financiamento externo, outros projectos
de pequena e média dimensão, financiado
pelo Orçamento do Estado serão decididos
a nível local. O mesmo acontecerá
com o PROAGRI, não posso divulgar os valores
neste momento. No pacote PROAGRI, 60% dos fundos
serão descentralizados para os governos provinciais
e distritais. Todos os sectores estão a descentralizar,
estão a capacitar os distritos em recursos
humanos e a dificuldade é a expansão
da banca.
Nesta sessão recebemos também
uma informação de um estudo que foi
realizado sobre a mineração e comercialização
do ouro em Moçambique. Esta é uma
área que exige de nós uma capacitação
como Governo para apoiar o sector informal que opera
nessa área, são actividades que rendem,
contribuem para a melhoria das condições
de vida dos moçambicanos, e neste momento
o controle ainda não é suficiente.
Temos operadores nessa área que escapam das
autoridades no pagamento de imposto. Temos que acertar
a nossa capacidade de intervenção,
criando melhores condições de trabalho
para os operadores da área. Há informação
que ouro está sendo produzido no País
e está sendo exportado e comercializado e
o nível de vida das pessoas envolvidas está
a melhorar. As quantidades são bastantes
limitadas, por exemplo em 2006 dos dados que temos
aqui registado são 145 quilogramas de ouro.
Podemos avaliar se colocarmos 31 gramas que corresponde
a uma onça, anda a cerca 740 dólares.
Grande parte do ouro produzido é refinada
fora e escapa ao nosso controle.
Podemos passar para uma outra informação,
esta sessão foi rica em informações
que contribuem para o conhecimento real do País,
as demais informações do Conselho
de Ministros são estudos, são informações
que são prestadas que ajudam a ter a dimensão
real dos problemas que atentam o País.
Tenho a informação
que é sobre a Estratégia do Governo
Electrónico. Aqui nós estamos a caminhar
a um ritmo bastante satisfatório. As instituições
públicas estão em grande parte conectadas
com outros ministérios. Há uma comunicação
rápida entre os funcionários a vários
níveis e e-mail e Internet, etc. Significa
que há certas informações que
estão sendo facilitadas, informação
de grande importância. Podemos dizer que todas
as províncias já estão conectadas
a esse Governo electrónico, o GOVNET. 105
Instituições a nível central,
já estão conectadas e a metas, até
2011 o Governo programa formar e colocar nas instituições
4.030 especialistas e ao mesmo tempo capacitar e
formar utilizadores. Entretanto até 2011
teremos 720 mil utilizadores e formados. Eu posso
ter um utilizador conectado a Internet, com os melhores
programas, em que o homem que está em frente
a máquina não tem a preparação
devida para extrair o máximo.
Perguntas e Respostas
(P): Em relação a
este assunto do PROAGRI, o que tem por dizer?
(R): VMEC - O PROAGRI vem neste
processo de descentralização, há
coisas como o “distrito é pólo
do desenvolvimento”, é no distrito
que acontecem as coisas, é para lá
que devem ser canalizados os recursos financeiros,
significa que vamos levar para o campo, para a província,
para os distritos 60% dos recursos que o PROAGRI
der. Isto significa maior capacidade de intervenção
ao nível local para acontecerem as coisas,
por exemplo, podia falar da área da educação
pois a construção de sala de aula
já não é preocupação
do ministro e do staff central do Ministério
da Educação e Cultura, isto é
decido lá no terreno, a prevenção
na definição das metas do controle
das acções, controle das qualidades
das obras e isso é da competência do
ministério-sede. Mas para coisas acontecerem
no dia-a-dia, não depende de uma autorização
de um Director Nacional.
(P): Há um tecto dos fundos a serem alocados?
(R): VMEC - Nesta fase há
uma descentralização ainda via ministério,
há-de chegar uma altura em que os fundos
serão directamente transferidos para Governo
provincial e este é que irá decidir
como gerir. Na educação o dinheiro
vai para as províncias com objectivos muito
claros, é para a construção
de salas de aulas. A descentralização
ainda não permite hoje levar dinheiro para
a construção de salas de aulas. O
Governo provincial deve se reunir e decidir que
é para a estrada, hoje acontece de se levar
o dinheiro da educação para usarem
na construção de um posto de saúde,
mas caminhamos para que o Governo provincial torne-se
numa estrutura competente para decidir. Isso é
um processo gradual, porque num passado recente
tudo estava centralizado. Mas para a construção
de escola secundária ou de um instituto,
naturalmente isso precisará de uma decisão
a nível central.
(P): A segunda fase dessa descentralização,
quando é que começa?
(R): VMEC - Isto é um processo
de crescimento, a descentralização
vai ser um processo permanente. Vamos descentralizar
para as províncias, localidades, distritos,
posto administrativo até para a aldeia. O
objectivo é fazer com que as coisas aconteçam
onde devem acontecer e quebrar vários elos
de burocracia que fazia atrasar o processo.
(P): Senhor Vice-Ministro quantos itens que estão
fora do Sistema de Segurança Social?
(R): VMEC - Esse detalhe não
posso dar.
(P): Senhor Vice-Ministro quais
são as pessoas que podem fazer parte dessa
Lei de Segurança Obrigatória?
(P): VMEC - Acho que muita gente
vai entrar. Pessoas que não tem trabalho,
mas fazem negócios podem entrar. Pessoas
que estão numa idade avançada podem
fazer parte. É muita gente. E quadros do
Ministério do Trabalho ajudarão a
tomar conta desse assunto.
(P): A percentagem de 60% do PROAGRI,
qual é o valor exacto?
(R): VMEC - Isso não posso dizer, isto é
um exemplo, nós entendemos o que isto significa,
há casos, exemplo, ao nível da educação
aceleramos bastante para este ano para se entregar
às províncias todos os dinheiros para
a construção das salas de aulas. Não
posso dizer neste momento quais são os valores.
(P): Na comercialização do ouro há
muitos desmandos, desmatamento, o que o Governo
tem feito para evitar estas acções?
(R): VMEC - Este é um assunto
bastante complexo, para além daquilo que
acontece emigrantes, exploradores clandestinos,
comercialização fora do conhecimento
das autoridades. Está-se fazer muito esforço
para treinar as nossas autoridades, há muitas
pedras que se confundem com vidro. A policia deve
ter capítulos sobre este assunto nas matérias
da ACIPOL, devem saber identificar as pedras preciosas
e saber que isto é isto. Se não tem
esse conhecimento de facto muitos contrabandistas
tiram do País pedra de grande valor sem pagar
direitos nenhuns. Esta é uma acção
de grande envergadura que incluí a policia
do nosso País, funcionários das alfândegas
e autoridade tributária de Moçambique,
isso mexe com os nossos currículos.
(P): Quem fez o estudo, foi o Governo?
(R): VMEC - Os estudos são
encomendados às instituições
especializadas. Há casos de estudos que são
elaborados dependendo da natureza, são elaborados
por funcionários do aparelho do estado.
(P): Em que consistiu a lei de
segurança social?
(R): VMEC - Este é um documento
muito grande e complexo, mas que vão beneficiar
pessoas que nunca imaginaram se beneficiar da segurança
social por pensar que depois de um período
já não podem trabalhar e pessoas que
trabalham por conta própria podem entrar,
determinando a percentagem que podem pagar. Visa
proteger o moçambicano, aquele que trabalha.
Agora estamos a alargar para aqueles que fazem algum
trabalho para o seu sustento.
Muito Obrigado!
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Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição do Briefing de
SEXA o Vice-Ministro da Educação e
Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 09 de Outubro de 2007
Boa tarde senhores!
Terminou a momentos a 27ª.
Sessão Ordinária do Conselho de Ministros,
que dentre os vários pontos recebeu a informação
sobre a situação das fronteiras nacionais.
Moçambique é um País com cerca
de 799 380 quilómetros quadrados, território
uno e indivisível. O Conselho de Ministros
dedicou parte do seu tempo a analisar a situação
das fronteiras nacionais.
Nós temos países vizinhos na parte
continental e vizinhos na parte do oceano, e há
coisas que acontecem nas fronteiras que podem prejudicar,
mas o mais importante dessa análise, Moçambique
tem que fazer a gestão dessas fronteiras,
o controlo, o acompanhamento real daquilo que acontece
nas tais fronteiras.
As fronteiras de Moçambique, como de muitos
países africanos, são fronteiras herdadas
do colonialismo, resultaram de acordos, trocas de
notas entre as potências, no nosso caso, grande
parte das nossas fronteiras foram acordadas com
a Inglaterra, pela potência colonizadora,
que era a Suazilândia, África do Sul,
Zâmbia, Zimbabwé, Malawi e Tanzânia,
onde houve acordo com os alemães e os ingleses.
Mas o certo é que nós temos relacionamento
com esses países, na parte continental, são
4212 quilómetros de fronteiras, e a contar
com países como Tanzânia, Zâmbia,
Zimbabwé, Malawi, Suazilândia e África
do Sul.
E na costa marítima nós temos perto
de 2700 quilómetros e fazemos fronteira com
a África do Sul, Comores e Madagáscar,essas
fronteiras que nós herdamos. A OUA decidiu
em 1964 sobre a intangibilidade das fronteiras,
as fronteiras herdadas deviam ser respeitadas pelos
países africanos, e esta intangibilidade
foi reafirmada pela União Africana em 2002
numa reunião realizada em Durban, significa
que fronteiras herdadas, delineadas e decididas
pelas potencias coloniais na segunda metade do século
XIX, e reafirmadas pela União Africana nos
meados do século XX. E hoje essas fronteiras
precisam de ser fiscalizadas. O que acontece é
que marcos físicos desaparecem, e o desaparecimento
de um marco nas fronteiras pode criar uma situação
de desestabilização entre os países.
Mas a causa de remoção desses marcos
podem ser causas naturais, homens, animais, então
é necessária uma fiscalização
permanente. Outros marcos são os rios. Há
rios que a dado momento começam a ter uma
tendência e o leito se desloca, e ao deslocar
perturba a fronteira conhecida. A fronteira não
pode ser flexível como são alguns
leitos de rios, que se deslocam. Devemos imaginar
que aquilo são dezenas de quilómetros,
isso pode perturbar o respeito pelas fronteiras.
Então o Estado Moçambicano como território
uno e indivisível, há esta componente.
O Conselho de Ministro, como Governo, deve fazer
o controle através da formação
de instituições relevantes, neste
caso o Instituto de Mar e Fronteira que compila
e faz trabalho nessa área de compilações.
E Moçambique está participando em
negociações com países vizinhos
nessas áreas em que há conflitos,
é o tal controle que deve ser feito. Neste
momento estão a decorrer conversações
com Malawi, Suazilândia, sobre as fronteiras
nacionais. É uma informação
que foi canalizada, discutida e estamos satisfeitos,
a integridade territorial está assegurada.
O outro ponto que foi objecto de
análise nesta Sessão do Conselho de
Ministros foi a alteração do Artigo
35 do Regulamento da Lei de Terra, e como é
do vosso conhecimento o direito e uso de aproveitamento
da Lei de Terra, foi estabelecido pela Lei 19/97.
Mas o regulamento não limitava os poderes
dos governadores, no que diz respeito a autorização
para o uso e aproveitamento de terra, no que diz
respeito às comunidades. Esta alteração
visa especialmente o estabelecimento de uma regra,
que é: ao Governador compete autorizar até
1000 hectares, estamos a falar das comunidades,
isto aplica-se a todas outras situações.
Ao Ministro da Agricultura pode autorizar até
10 mil hectares. E mais de 10 mil hectares é
da competência do Conselho de Ministros, isto
não havia em relação às
comunidades regulamento. Havendo necessidade de
hoje mais 185 comunidades com DUAT´s (Direito
de Uso e Aproveitamento de Terra) que atinge 7500
hectares das comunidades, com zonas já demarcadas
e sem se obedecer e, grande parte, autorizado pelos
governadores provinciais. E nesse momento são
86 comunidades com mais de 10 mil hectares, isto
acontece em todas províncias, com excepção
das províncias de Cabo Delgado e Manica.
O que vai acontecer a partir de agora é a
observância rigorosa do que acontece na lei
em termos de competência, incluindo para a
atribuição de terras às comunidades.
Tivemos também a oportunidade
de analisar e aprovar o regulamento do sistema de
matrículas dos veículos automóveis
e reboques, o sistema actual é regulado pelo
código de estradas que têm os seus
regulamentos, mas esses se mostram desajustados
para as exigências actuais e nesse processo
de integração regional queremos modernizar-nos
e munirmo-nos de sistema de controle que reduzam
os desmandos. O crescimento do parque automóvel
nacional regista-se a um ritmo que o sistema actual
não permite de facto aumentar o número
de matrículas. Mas com o novo sistema haverá
uma combinação numérica que
permitirá elevar o número das matrículas
de veículos. O novo sistema vai permitir
a redução da adulteração
das matrículas, duplicação
das matrículas e a falta de nitidez e má
visibilidade das chapas de matrículas actuais.
O novo elemento que será introduzido nessas
matrículas é que teremos matrículas
particulares, personalizadas e especificas para
os veículos da sociedade e do Estado. Isto
significa que na matrícula será possível
incorporar letras ou outros elementos que identifique
uma determinada pessoa, ou o seu nome, ai há
um tratamento especial em termos de custos etc,
mas está aberta essa possibilidade. E para
matriculas personalizadas é caso de por exemplo:
a matricula do Primeiro-Ministro para uma identificação
especifica. Portanto essas chapas de matrículas
(não poderei visualizar aqui) e vai trazer
elementos como emblema da República de Moçambique,
virá uma zona que é o indicador de
séries, indicador da ordem de séries
e por último indicador da província,
exemplo: Maputo Cidade (MC), Maputo província
(MP), Inhambane (IB), etc.
E terá outros elementos de segurança
na própria chapa, por isso, serão
autorizadas algumas empresas que reunirem condições
técnicas para a produção desse
tipo de matrículas. É de uma dimensão
importante, elementos retroreflectivos que irá
permitir a identificação de elementos
de sua segurança específica.
Discutimos também nessa
Sessão de Conselho de Ministros e tivemos
informação sobre o resultado da pesquisa
sobre as parasitoses intestinais, os vulgos lombrigas
nas crianças do ensino primário. Essa
pesquisa levada a cabo pelos cientistas moçambicanos
e Ministério da Saúde e outras instituições
de investigação. E a pesquisa sobre
a filaríase linfática, aquilo que
normalmente chamamos elefantíase que ocorre
em algumas zonas do País, fizemos um estudo
bastante rigoroso nesse aspecto.
E também foi anunciada uma campanha nacional
de saneamento do meio e promoção de
higiene, a ser levada a cabo entre os meses de Março
e Dezembro de 2008, e terá como principal
suporte, nas províncias, as escolas, os centros
internatos, unidades militares. Vão ser estabelecidas
em cada província 2 ou 3 unidades para servir
de modelo de referência e haverá uma
competição ao nível nacional
e nessas matérias.
Perguntas e Respostas
(P): Senhor Vice-Ministro, falou
de fronteiras, mas há várias situações
que são relatadas sobre camponeses Zimbabweanos
que fazem machambas em território moçambicano?
(R): Eu vou reiterar que as fronteiras
moçambicanas com os outros países
não foram decididas depois da proclamação
das suas independências, são fronteiras
herdadas, decididas e estabelecidas e fixadas pelas
potências colonizadoras. Grande parte das
nossas fronteiras foram decididas nos finais do
século XIX. Quando Portugal tinha intenção
de ligar Moçambique e Angola, o famoso ´´Mapa
cor-de-rosa``, que significa que uma parte dos Estados
do hinterland faria parte da ex-colónia portuguesa.
Esse projecto foi desarticulado, não ser
vincado, e o Governo colonial Português teve
que aceitar as imposições do Governo
Britânico, o ultimato que foi dado ao Governo
Português para abandonar essa zona que hoje
está o Zimbabwe. Essas fronteiras, depois
da independência, viu-se que de facto o tratado
das fronteiras tem muitos pontos tão artificiais
que divide famílias. Pessoas de uma família
estão num País e outras no outro País,
isso tudo porque havia de complicar a situação
politica de uma África pós-colonial,
os estadistas africanos reunidos em Cairo em 1964
decidiram, porque viram que é um assunto
bastante delicado, vamos viver respeitando as fronteiras
do colonialismo, e cada um dos países vai
tentar consolidar a unidade nacional no contexto
das fronteiras, do espaço deixado pelos colonizadores.
É esse o entendimento. E a União Africana
reafirmou em 2002 e em Durban que as fronteiras
coloniais ficassem as fronteiras dos Estados Africanos.
Eu estava a dizer que há diálogo,
que é importante, falei da remoção
do marco, da definição exacta do comportamento
dos rios, em outras zonas a fronteira é uma
estrada, é um caminho e isso tudo tem que
ser acertado. As famílias que vivem nas fronteiras,
há caso em que moçambicanos são
casados com zimbabweanos e vivem na fronteira, tem
que estar aqui e acolá, os passaportes as
vezes não funcionam. E nós estamos
a trabalhar na questão da integração
e nas populações que já praticavam
certas coisas e nós vamos formalizando, e
essa é a nossa maneira de fazer a boa vizinhança
na África Austral.
(P): Em relação ao novo sistema de
matriculas, há datas para início?
(R): O que vai acontecer, é
que vai se formalizar e activar, vamos iniciar e
o limite é 31 de Dezembro 2010. Vamos entrar
no processo de substituição.
(P): Senhor Vice-Ministro, as matriculas
existentes terão que trocar?
(R): Vai ser regulamentado, não
para tornar o sistema bem-vindo no sistema de segurança,
a nossa auto-estima como moçambicano, o próprio
patriotismo, os elementos que vai integrar essas
matriculas, mas o que devo dizer é que vamos
iniciar de forma gradual, vai se fazer a substituição.
As novas viaturas vão ter que ter as novas
matriculas até dia 31 de Dezembro, até
2010. Os processos serão divulgados e disseminados
de maneira a não criar perturbações
nos moçambicanos.
(P): O senhor Vice-Ministro referiu-se a alteração
do artigo 35 da Lei de Terra?
(R): O regulamento da lei de terra
não especificava as terras atribuídas
às comunidades, fazia referência a
outros requisitos, do papel do administrador, das
documentação, não limitava
as áreas da competência do Governador.
Enquanto que para os outros casos a lei diz claramente
que tem 1000 hectares para Governadores, se essas
áreas concedidas às comunidades, e
isto perturba se não forem utilizadas devidamente
aquelas áreas.
(P): E a percepção do Governo é
que essas áreas grandes não são
aproveitadas?
(R): Nós temos que ver caso
a caso no cumprimento da lei, não preciso
dizer que o que está regulamentado na Lei
de Direito de Uso e Aproveitamento de Terra revoga
o Estado, e o Estado envolve outras pessoas. O problema
é que estamos a falar de comunidades com
milhares hectares de terra.
(P): Comunidades de quantas pessoas?
(R): Isto é muito diferenciado,
o levantamento não tenho. Estamos a falar
de comunidades, 185 comunidades que detêm
7500 hectares.
(P): O procedimento seria o mesmo
para comunidades e empresas?
(R): Isto está claro, o
problema é que para as comunidades não
estava claro. Para pessoas individuais e empresas
privadas há quem autoriza.
(P): Disse 185 comunidades são
singulares que detêm DUAT´s?
(R): São comunidades, 185
comunidades que dependem do Uso e Aproveitamento
de Terra, que representam 7500 hectares. Desses
185 comunidades, 86 tem mais de 10000 hectares cada,
com excepção de Manica e Cabo Delgado.
(P): Que tratamento tem essas comunidades
que detêm esses DUAT’s?
(R): Terão o tratamento
legal. Se usam a terra e fazem o aproveitamento
não acontece nada, mas se não usam
a terra nos termos da lei, há procedimentos
que estão previstos. É só pensar
que aqui não há nenhuma inovação,
mas apenas há um aproveitamento do que está
na lei.
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Transcrição
do Briefing de SEXA o Vice-Ministro da Educação
e Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 02 de Outubro de 2007
Boa tarde senhores!
O Conselho de Ministros realizou,
hoje, a sua 26ª. Sessão Ordinária.
Nesta sessão, o Governo apreciou e aprovou
os termos do contrato de investimento do Projecto
AYR PETRO-NACALA. Este é um projecto que
vai significar investimento de 5 biliões
de dólares em Nacala-a-Velha, para a construção
de uma refinaria de petróleo, que vai produzir
300 mil barris por dia. Isto pode não significar
nada para alguns e podemos recuar nos tempos antiquados,
quando a nossa refinaria aqui no Maputo funcionava
para as necessidades de Moçambique. Naquela
altura havia a refinaria e produzia cerca de 7 mil
barris, e estamos a falar de 300 mil barris, isto
significa que grande parte da produção
desta refinaria é naturalmente para exportação.
Moçambique não está
em condições de absorver a produção
desta refinaria. Portanto já está
aprovado que 2/3 são para a exportação
e outras são para vendas e o consumo Nacional,
isto significa que mesmo um 1/3 é superior
para as necessidades de Moçambique.
Isto vai significar que o processo de implementação
desta refinaria vai obedecer 3 fases. E os produtos
finais da refinaria podemos citar gasolina, gasóleo,
petróleo, combustíveis para aeronaves
e gás de cozinha. Esta refinaria vai trazer
códigos de benefícios fiscais, aquela
zona integra as zonas francas industriais.
Em termos de absorção
do trabalho, a partir do próximo ano, sétimo
ano que é o ano de laboração
excessiva, vai empregar 450 trabalhadores moçambicanos.
Em termos de impactos sociais, teremos infra-estruturas
para a área da saúde, educação
e pescas. Mas vamos dizer que este é um grande
projecto, que vai dinamizar, alterar o desenvolvimento
daquela zona e de todo Moçambique.
E acreditamos que provavelmente vai reduzir os custos
de aquisição dos combustíveis
no País, deixaremos de importar para trazer
de um ponto do nosso País. Esse é
um ponto fundamental que foi objecto e um contracto
aprovado.
Outra decisão tomada nesta
sessão é uma resolução
que eleva a Cidade da Matola do nível C para
o nível B, isto é, a classificação
que é atribuída em Moçambique.
O número 23 corresponde ao número
de cidades de Moçambique, até agora
temos uma cidade do nível A que é
a cidade do Maputo. E até agora tínhamos
2 cidades que eram do nível B que eram a
cidade de Nampula e Beira, e isto foi decidido em
1987. Passados 20 anos e olhado para a evolução
da cidade da Matola que em 1997, por exemplo, contava
com 300 mil habitantes, e hoje 2007, 600 mil habitantes.
A densidade populacional da Matola, que é
o número de habitantes em quilómetro
quadrado, em 1997 era 800 mil habitantes por quilómetros
quadrados. Hoje em 2007, essa densidade subiu para
1600 habitantes por quilómetro quadrado.
Notamos também uma crescente urbanização
e estabelecimento de várias infra-estruturas
económicas e sociais na cidade da Matola
que, numa análise comparativa, se situa muito
acima daquelas que fazem parte do grupo C. Por estas
razões a Cidade da Matola muda do grupo C
para grupo B.
Nesta sessão se decidiu
também nomear o senhor Alfiado Julião
Sitoe que vinha exercendo as funções
de director geral do Instituto Nacional de Viação,
como PCA (Presidente do Conselho de Administração).
O sistema que vinha vigorando no INAV era de um
director geral e dois directores adjuntos, mas pelo
decreto 3/2006 de 23 de Fevereiro que aprovou um
novo estatuto, foi criada a figura de conselho de
administração, e para regularizar
essa situação, o Conselho de Ministros
nomeou o senhor Alfiado Julião Sitoe.
Nesta sessão do Conselho
de Ministros avaliamos também o Plano Nacional
de Acção para o Avanço da Mulher.
Moçambique é um País de mulheres,
constituem 53% da população total.
A mulher tem vindo a registar avanços significativos
em várias áreas, incluindo as áreas
de governação, executivo, legislativo,
actividades económicas e sociais, está
lá a mulher em frente. Se nota que esses
progressos não têm o mesmo ritmo nas
zonas rurais, a sua participação na
vida económica, social e politica. A mulher
em Moçambique esta gradualmente a ocupar
posições de relevo, temos uma primeira-ministra,
temos ministras, vice-ministras, temos pela primeira
vez duas governadoras provinciais, secretárias
permanentes, administradoras distritais. Temos mulheres
a frente de grandes empresas, portanto, eram cenários
impensáveis, isto significa que há
um grande trabalho que se está a fazer para
que a mulher se torne capaz para esses desafios.
Onde se trava a principal batalha para a promoção
da mulher, eu acredito que (…), foram feitas
referências, na educação, as
possibilidades estão criadas para o acesso
e permanência da rapariga na escola.
Os resultados são bastantes encorajadores,
a igualdade de género que é constitucional,
que o Governo e a sociedade moçambicana estão
a promover de maneira a harmonizar as iniciativas
que são levadas a cabo e os planos que são
desenhados por vários sectores da actividade
económica e social. Esse é um desafio
de todos os dias e devemos continuar a trabalhar
no sentido de elevar a prestação da
mulher nos desafios do desenvolvimento económico.
Analisamos também o relatório
sobre a implementação da Convenção
dos Direitos da Criança para o período
2000-2006. Nós como Governo rectificamos
a convenção das Nações
Unidas dos direitos da criança, o que aconteceu
em 1990, e fomos obrigados a produzir periodicamente
relatórios, como país, sobre os progressos
realizados neste domínio. O relatório
que foi analisado não podia ser de proveniência
única. É um relatório muito
sectorial de todos sectores de organização.
As organizações não governamentais
que lidam com crianças têm uma informação
relevante, apesar de todo trabalho que tem estado
a desenvolver e a outros instrumentos fundamentais
que devem ser tomadas em consideração
para a produção desses relatórios
que é a Constituição da República,
a Lei da Família, o Código do Registo
Civil, há progressos nesta área.
Mais uma vez, na educação é
onde encontramos indicadores mais sólidos
para avaliarmos o que está a ser feito para
observância dos direitos da criança
em Moçambique. Só o indicador de uma
criança que sabemos que foi nascida no dia
X, local Y, é filho da senhora e do senhor
tal fulano. Este registo de criança em 2004
conseguiu registar 370 883. Referentes de 2006 conseguiu
registar 152 710 crianças, isto significa
que estas crianças têm esse direito,
e esse é um esforço que o País
está a realizar. Mas há crianças
órfãs, essas que precisam do amparo
das instituições do estado, das organizações
sociais, por exemplo, como se pode ver. E na área
da educação deviam ser assistidas
porque perderam pais ou mães, hoje rondam
nos 700 mil crianças que estão a ser
assistidas em centros, internatos em escolas porque
nós, como Governo, temos obrigação
de dar tecto, mesa, cama, a essas crianças.
E como é do vosso conhecimento o Governo
aprovou mais uma resolução e levou
a Assembleia da República, a resolução
sobre o tráfico de mulher e criança.
Ainda nesta sessão do Conselho de Ministros
foi aprovado o plano estratégico dos sistemas
estatísticos nacionais para o período
2008-2012. As estatísticas são fundamentais
para a gestão dos recursos humanos, naturais
para a nossa vida, são indicadores fundamentais
para o processo de planificação. Este
plano estratégico que vai durar 5anos, vai
significar em termos de recursos financeiros 1549,9
milhões de meticais e terá como principais
áreas de concentração a produção
de indicadores estatísticos para o aperfeiçoamento
do planeamento. E um aspecto inovador é que
neste plano estratégico há uma grande
preocupação em criar capacidades ao
nível do distrito, ao nível dos municípios,
capacidades de produzir e disseminar informação
estatística, isto passa pela de formação
de pessoas e instalação de equipamentos.
As estatísticas não
podem ser produzidas por uma única unidade,
os vários sectores que estou a falar são
os Ministérios e outras instituições
do Estado. Terão capacidades para que a nível
interno consigam gerir a informação,
produção de dados estatísticos
para uma posterior globalização, há
uma preocupação e estará coberta
nesse plano estratégico, que é a construção
de um edifício próprio, para os serviços
do Instituto Nacional de Estatística, é
onde teremos a base central de dados e sobretudo
é governação da nossa vida
e nesses próximos 5 anos serão realizados
vários censos, incluindo censos agro-pecuário
sobre o bem estar da população moçambicana.
Perguntas e Respostas
(P): Senhor Vice-Ministro, quando
inicia a construção?
(R): 1- Nós aprovamos hoje, o investidor
será comunicado, esse investimento de capitais
estrangeiros e capitais nacionais, esses tais 5
biliões, temos aqui capitais estrangeiros
sul africanos, capitais americanos e estes têm
que mobilizar outras empresas para instalação
para as várias infra-estruturas necessárias
para a concretização desses projectos,
isto é, em Nacala-a-Velha deverá criar
condições para, um porto e acessos
próprios, para não falar da própria
refinaria.
2- Há que também
conjugar os contactos com os fornecedores CRUDE,
esses são detalhes comerciais, no dado momento
não posso entrar em detalhes. Isto para dizer
que, este projecto do Rovuma é um outro projecto.
Nós falamos aqui quando aprovamos aqueles
projectos de prospecção. E este projecto
começa a sua implementação
no princípio do primeiro semestre de 2008.
Há um período que passa pela formação
de quadros. A construção de infra-estruturas
é um período complexo, é por
isso que dizemos que haverá numa primeira
fase, uma injecção de mão-de-obra
de 150 especialistas estrangeiros a trabalhar e
podemos flutuar porque não se fez uma análise
detalhada, vários rendimentos, mas a mão-de-obra
moçambicana será na fase de implementação,
mais ou menos por volta de 2500, 3500 trabalhadores
e falamos de 450 na fase de elaboração.
Só que funcionamos com tecnologia de ponta,
não exactamente com a quantidade de mão-de-obra
qualificada, essas fases tem a parte de reconstrução
de infra-estruturas e de inicio da operação,
que seja a partir do sétimo ano.
(P): Senhor Vice-Ministro, porque
Nacala-a-Velha?
(R): Nacala-a-Velha oferece condições
excelentes, porto especial de águas profundas:
1- É um porto natural que é uma oferta
da natureza à Moçambique.
2- Existe a possibilidade de se utilizar o actual
aeroporto militar de Nacala, pois há esse
interesse de se converter em aeroporto civil, que
vai facilitar já na fase de construção,
a recepção dos equipamentos e outros
contactos fundamentais, porque temos um aeroporto
de primeira classe.
(P): Nesse caso os 5 biliões
é um dado adquirido?
(R)- 5 biliões é
um dado adquirido:
1- Os investidores estão até impacientes;
2- Para a efectivação há uma
série de cláusulas que devem ser observadas,
que eles são obrigados a depositar no Governo
10 milhões de dólares. É um
dinheiro que é devolvido se confirmar que
os investimentos estão de acordo com o que
vem no contrato.
(P): Em relação as
questões ambientais já foram feitos
estudos?
(R): Está tudo acautelado,
do Conselho de Ministros, essa era a decisão
fundamental. O Governo, (...), dizer que sim já
foram contratados empresas que deviam fazer o estudo
do impacto ambiental, temos os nomes das empresas,
são credíveis, e isso tudo vai ser
acautelado.
(P): Falou de capitais moçambicanos, é
possível classificar os grupos específicos?
(R): Para responder essa pergunta
seria necessário abrir todo expediente que
tenho aqui, a verdade é, há esta comparticipação
de capitais nacionais e acredito que os montantes
são muito altos.
(P): Senhor Vice-Ministro, 5 biliões
de dólares é um dado adquirido?
(R): 5 milhões de dólares,
mas vamos lá ver o arranque porque estamos
a falar disso e quer-se comunicar e nós estamos
muito entusiasmados.
(P): Quais vão ser os ganhos
de antemão, 10% do valor da exploração?
(R): Isto não posso entrar
em detalhes.
(P): Quando surge a ideia da criação
da refinaria?
(R): A história da ideia
é muito longa, se fossemos a contar a história,
talvez por um interesse jornalístico, possam
consultar o Ministério da Indústria
e Comércio.
(P): Porquê a mudança
do organograma do estatuto do Instituto Nacional
de Viação, há alguma perspectiva
tecnológica?
(R): Não. Mas perspectivas existem no quadro
da integração. O Instituto Nacional
de Viação está envolvido em
projectos muito complexos, estamos a falar da mudança
de cartas de condução, estamos a falar
das matriculas, não é só isso,
mas é que a forma mais moderna de gestão
de empresas é fazer uma estrutura que está
no conselho de administração, isto
estava ligeiramente desarticulado com a inovação
que foi introduzida pelo decreto 3/06. Tínhamos
um director-geral e dois directores adjuntos. E
nunca houve oportunidade do Conselho de Ministros
se debruçar sobre esse assunto e nomear o
PCA.
(P): Voltando à questão
da refinaria de onde virá a matéria
prima?
(R): Eu teria falado de um País
do médio oriente que está em negociações
para essa matéria prima.
(P): Qual é o plano de avanço da mulher?
(R): Fundamentalmente o plano engloba
actuações implantadas nos diferentes
sectores. O plano na área da educação,
saúde, contempla actividades muito especificas
já orçamentadas. Isto significa que
este plano é do Governo é o plano
de um ministério especifico. Quando se fala
de plano é porque há uma harmonização,
há uma distribuição de tarefas
e de actividades que contribuirão para a
promoção da mulher. Todas as mulheres
devem ter o seu devido enquadramento.
(P): O plano estratégico
estatístico poderá avançar
agora?
(R): Esse é o terceiro plano
estratégico de estatística, e estes
fazem o programa sobre as actividades para cobrir
durante os 5 anos.
(P): Dois terços vão
para exportação, já foram identificados
os países?
(R): Sim. Isso é com o investidor, ele vai
ter que vender, ele investe em Moçambique
os 5 biliões, porque tem melhores condições
para produzir aqui, há mão-de-obra
disponível, aqui e os mercados mais próximos
a partir daqui.
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Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição do Briefing de
SEXA o Vice-Ministro da Educação e
Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 28 de Agosto de 2007
Boa tarde à todos!
Terminou, há momentos, a
23ª. Sessão Ordinária do Conselho
de Ministros, que, de entre vários pontos
agendados, seleccionei alguns para uma troca de
informações e, para além do
resumo que vou apresentar, poderei responder algumas
perguntas.
Primeiro, foi prestada uma informação
sobre o Centro Escola de Formação
para Combatentes da Luta de Libertação
Nacional. Esta Escola será construída
na província de Tete, em Vanduzi, mais concretamente
em Chigodole. A construção desta Escola
inicia agora, em 2007 e, em 2009, vai receber os
primeiros alunos.
É para a área de formação
profissional. Será uma escola técnico-profissional
e terá a capacidade de atender cerca de 525
alunos, dos quais 380 em regime de internato.
É uma Escola que vai privilegiar
áreas como agro-pecuária, electricidade,
mecânica, áreas que ajudarão
as pessoas a criar o seu emprego ou a empregar-se
muito mais facilmente. É uma operação
que envolve recursos bastante elevados (estamos
a falar de cerca de 196 milhões de meticais)
e este é um projecto que, para além
dos Combatentes da Luta de Libertação
Nacional e seus dependentes, vai beneficiar a população
circunvizinha e todos os moçambicanos, de
uma maneira geral. É um projecto que está
em marcha e de grande prioridade e contará,
naturalmente, com a contribuição das
competências e capacidades que o Ministério
da Educação possui nesta área,
mas é um projecto que é para atender
às preocupações dos Combatentes
da Luta de Libertação Nacional.
Outro ponto que foi objecto de
análise foi o Decreto que aprova o Regulamento
de Concessão de Licença de Estabelecimentos
de Exploração de Instalações
Eléctricas. Há um Documento legal
que é o Decreto de 1936, portanto, do tempo
colonial, que regula essas matérias. O que
acontece é que o tempo introduziu grandes
e profundas mudanças no sector, e o Decreto
de 1936 regulava a produção e comercialização
de energia eléctrica produzida a partir de
diesel, carvão e nas barragens hidroeléctricas,
mas, hoje é importante incorporar outras
fontes de produção de energia como
a solar, gás natural, eólica e, essas
componentes, não estavam devidamente regulamentadas
e há necessidade de actualização.
Este quadro legal estabelece os direitos e os deveres
duma forma muito clara, incluindo as áreas
onde poderão intervir o poder público.
Isto também abarca as operações
que são realizadas por sistemas isolados.
Nós sabemos que é
uma área aberta, pois só temos a Electricidade
de Moçambique, mas, há vários
operadores e vão surgindo outros, privados,
nesta área. Então, era importante
actualizar e contemplar as áreas que antes
não eram cobertas. Cito um exemplo: é
frequente vermos vedações electrificadas.
Isto não estava regulamentado. Por exemplo,
mesmo a localização dos contadores
nas residências, não estava regulamentada
(se é dentro ou fora da casa) em que local,
para facilitar o acesso à quem vem fazer
a leitura. Então, isto já aparece
bem regulamentado neste instrumento. E este instrumento
também traz toda a documentação,
toda legislação à volta que
existia sobre a matéria. Então apresenta
uma sugestiva divisão, cobrindo todas as
áreas relevantes no que diz respeito à
produção e licenciamento dessa matéria.
O outro Decreto que foi visto tem
a ver com o Associativismo Juvenil. Aprovamos um
Decreto que regulamenta o Associativismo Juvenil,
mas a grande contribuição deste instrumento
é facilitar o registo das associações.
Então, são delegados poderes aos Governadores
Provinciais, aos Administradores, aos Chefes dos
Postos Administrativos, que podem, com este instrumento,
legalizar as Associações até
ao seu nível. Então, este é
um instrumento que aparece para operacionalizar,
flexibilizar a aplicação da lei sobre
a matéria. E, também, vai possibilitar
a assistência técnica e metodológica
de funcionamento dessas Associações
Juvenis, principalmente no que diz respeito aos
regulamentos internos.
Vimos também, nesta Sessão,
a Estratégia da Propriedade Intelectual de
Moçambique. Esta Estratégia vem, necessariamente,
dinamizar e harmonizar o Sistema da Propriedade
Intelectual, identificar e promover soluções
apropriadas. O mais importante é que, com
esta Estratégia, estamos a dar passos bastante
rigorosos na valorização dos criadores,
dos cientistas, dos inovadores e artistas nacionais.
E compete uma apreciação, uma consideração
especial ao conhecimento local, ao conhecimento
tradicional, e que os moçambicanos, por não
registarem aquilo que é sua produção
intelectual, o seu conhecimento se vê, muitas
vezes, defraudado, porque os outros apropriam-se
e tomam esse saber, esse conhecimento, como sendo
seu.
E o Estado, ao definir esta Estratégia, está
a trabalhar no sentido de incentivar a inovação,
proteger os criadores, mas isto não foi um
processo fácil, porque nós temos tradição
em Moçambique e, para se chegar ao ponto
de termos este documento, foi necessário
um amplo movimento de harmonização,
onde foram realizados seminários a nível
das províncias e das instituições
para a discussão deste instrumento. E decidiu-se
que este ele estabelece uma linha estratégica,
que as nossas crianças nas escolas, a níveis
primário, secundário e universitário,
deverão ser ensinadas o valor da Propriedade
Intelectual. Isto fará parte dos nossos curricula
escolares e a matéria será baseada
de acordo com o nível de ensino. Em resumo,
o que se pretende é proteger, incentivar,
remunerar os nossos criadores, os nossos artistas
e promover a transferência de tecnologias
e empreendedorismo.
Ainda nesta Sessão do Conselho de Ministros,
Moçambique (refiro-me ao Governo de Moçambique)
decidiu criar as Bibliotecas Públicas Provinciais.
Bibliotecas Públicas nas capitais provinciais
existem e funcionam, mas funcionavam sem uma cobertura
legal, pois, são as Direcções
Provinciais da Educação e Cultura
que colocam seus funcionários, afectos de
acordo com os seus recursos financeiros para o funcionamento
daquilo que hoje chamamos Bibliotecas Provinciais.
Montaremos um quadro de pessoal
específico, montou um orçamento próprio
e, com esta criação, nós estamos
a criar as bases para responder à grande
demanda e à exigência de qualidade
de serviço nas Bibliotecas. É que
muitas pessoas estão a sair das nossas escolas
primárias, secundárias e, até,
universidades, e não tem espaços que
ofereçam condições para estudo
para uma auto-aprendizagem, estudo para ensino e
aprendizagem e leitura de ordem diversa. A não
existência dessas condições
e a falta de pessoal especializado, ou falta de
um quadro de pessoal, era uma grande dificuldade,
pelo que demos um salto muito importante na direcção
de disponibilização de condições
ideais para os moçambicanos desenvolverem
a cultura da leitura e aumentarem seus conhecimentos
e em condições extremamente favoráveis.
Esta é uma grande conquista, o mesmo se passou
em relação às Casas de Cultura
no passado, que já vinham funcionando logo
após a proclamação da Independência
Nacional. Tínhamos as Casas de Cultura, mas
não tinham existência legal e isso
já foi feito. Hoje, foi o dia de criar legalmente
as Bibliotecas Públicas Provinciais.
Avaliamos outras informações nesta
Sessão, como, por exemplo, aquilo que acontece
nas nossas instituições, que são
as petições, reclamações,
denúncias, queixas e sugestões feitas
por cidadãos, associações e
outros _ aqueles que procuram os serviços
do Estado. Então, vamos dizer que tivemos
um processo a fazer auto-avaliação
do nosso desempenho na relação com
o cidadão, na relação com os
servidores do Estado, inclusive. Então, isso,
a partir dos livros e caixas de Reclamações
e Sugestões, foram sistematizadas informações
e sugestões e hoje foram analisadas e achamos
que é importante a continuação
de um trabalho de estudo e aprofundamento no conhecimento
da Legislação, para que os funcionários
desempenhem o seu papel, particularmente no seu
relacionamento com o cidadão, de forma que
corresponda com o nível de responsabilidade
que o Estado tem.
Perguntas e Respostas
Pergunta: Senhor Vice-Ministro,
sobre a função da escola: é
só para os antigos combatentes, ou haverá
espaço para outras pessoas interessadas?
Vice-Ministro da Educação
e Cultura (VMEC) – A Escola (esse Centro-Escola
de Formação para os Combatentes da
Luta de Libertação Nacional) é
uma iniciativa do Ministério para os Assuntos
dos Antigos Combatentes, para criar condições
para que aqueles libertadores da pátria moçambicana
tenham condições de estudo e a prioridade
de uma formação técnico-profissional,
para melhor se inserirem no mercado do trabalho
e para participar na produção da riqueza
nacional. Mas, essa escola não estará
precisamente fechada a outros cidadãos. Esta
é uma iniciativa que é apresentada
para atender às preocupações
deste sector muito importante nesta sociedade, mas,
como teria dito, outros cidadãos, principalmente
nas zonas circunvizinhas, e de outras paragens deste
grande país, terão acesso às
facilidades que ali serão fornecidas. É
por isso que é um projecto muito interessante,
que é acarinhado, e que o Ministério
da Educação e Cultura e os seus especialistas
(e as suas facilidades de trabalho neste domínio)
vão dar uma grande contribuição.
Pergunta: Senhor Vice-Ministro, falou de terem
se referido, nesta Sessão, da auto-avaliação
do desempenho. Isso resultará de uma má
interpretação da legislação?
VMEC – Não, são as várias
situações por oferecer, mas a dominante
é o cidadão: reclama por falta de
resposta, apresenta uma preocupação
e a resposta não vem, grande parte das situações
são por essa via. Há outras situações
como, por exemplo, o mau atendimento nas instituições
públicas e, muitas vezes, a falta de conhecimento
por parte de alguns agentes do Estado pode conduzir
à situações que podem levar
à essas reclamações. Mas não
estamos a dizer que todas as reclamações
que são feitas merecem um tratamento desse
tipo, porque há casos em que o cidadão
tem consciência de que, de facto, a sua preocupação
não pode encontrar enquadramento naquilo
que é o funcionamento do Aparelho do Estado,
mas, mesmo assim, insistem (mesmo tendo passado
pelo Tribunal Administrativo) e apresentam a mesma
reclamação em duas, três, ou
quatro instituições. Isto significa
que o Estado tem que ter uma maneira de agir e corresponder
às preocupações duma forma
mais coordenada e mais integrada, para evitar situações
de conflito, em que um toma uma decisão favorável
e outro uma decisão diferente. Então,
isto tudo pode constituir um desafio para a nossa
organização interna, mas é
de saudar essa grande coragem do Governo moçambicano,
de fazer paragem para avaliar o que aconteceu ao
longo do primeiro semestre. Isso vai contribuir
de maneira a fazer correcção dos desvios
e podemos, com muita coragem, apontar quais são
os ministérios que tiveram mais reclamações,
mais petições, etc. Isso para dizer
que o Governo está preocupado e acompanha
o que deixam nas caixas de Reclamações
e Sugestões existentes nos ministérios
e instituições publicas e que não
são apenas instrumentos colocados para o
inglês ver, têm uma utilidade muito
importante: informam os dirigentes, o Governo (neste
caso o Conselho de Ministros) sobre o pulsar da
nossa Administração Pública
e como é que o cidadão, o funcionário
do Estado, reage e como é que ele quer ser
atendido.
Pergunta: E a que se deve esta
falta de resposta rápida?
VMEC – As razões (a
demora na resposta) eu não posso denominar
as áreas, são varias. Por exemplo,
aquelas que achar que devem ser essas, podem ser
arroladas, porque é algo não normal.
Ninguém tem instruções para
não responder às solicitações,
mesmo que a resposta seja negativa devemos ter coragem
de dizer ?indeferido?, para a pessoa saber que o
seu pedido não foi considerado favoravelmente.
Essa resposta é fundamental e tem que ser
dada. Então, esta avaliação
e este levantamento de pedidos, essas petições,
reclamações, atingiram um nível
de 563. É um número considerável,
muitos assuntos já foram resolvidos mas vamos
continuar. A tendência global de governação
é fazer com que essa situação,
no final dum semestre, seja zero petições,
zero reclamações, zero denúncias,
zero queixas e, ai, considerar-nos-emos satisfeitos,
mas podemos também receber sugestões.
Eu não estou a dizer que isto, necessariamente,
a avaliação é negativa. Estamos
a falar tomando as sugestões, as reclamações,
as denúncias, queixas, petições,
num universo de 20 milhões de moçambicanos,
isto para dizer, nós queremos um caminho
perfeito.
Pergunta: Senhor Vice-Ministro,
em relação à Cimeira da SADC
recentemente realizada em Lusaka, o Conselho de
Ministros apreciou algum ponto?
VMEC – Sim, isso teve uma
breve intervenção, uma breve informação
sobre a Cimeira da SADC, realizada entre os dias
16 e 17 de Agosto de 2007, em Lusaka.
Pergunta: E a questão sobre
o Zimbabwe? Sabe-se que esta questão dominou
toda a Cimeira. Que posição tem Moçambique?
VMEC – Moçambique
procura ser parte activa na procura de soluções.
Já há uma iniciativa que está
em curso, de aproximação dos zimbabweanos.
O Governo e a Oposição estão
a negociar e isto significa que não será
Moçambique, não será um outro
país a ditar a solução para
os zimbabweanos. E que a região, a SADC (neste
caso está o presidente da África do
Sul à frente deste processo) está
a fazer reaproximar os zimbabweanos para encontrarem
uma saída.
Pergunta: Mas, antes que isso afecte
cada país, individualmente, será que
não há um trabalho específico
de cada Estado?
VMEC – Estou a falar de Dividas,
estou a falar de uma Economia muito difícil
da situação do Zimbabwe, estou falar
da vizinhança de boas relações,
esse é o quadro das soluções
que estão sendo procurados.
P: Senhor Vice-Ministro, falou da questão
do apetrechamento dos edifícios do Estado…queria
entender bem essa matéria…
VMEC: O Decreto que aprova a Inspecção
dos Edifícios do Estado ou Ocupados pelo
Estado e este Regulamento tem como objectivo a definição
de regras sobre a inspecção desses
edifícios do ou ocupados pelo Estado, nomeadamente,
a verificação do estado de conservação
e manutenção, das condições
de segurança estrutural ou da existência
de medidas e dispositivos de prevenção
e combate aos incêndios, a subscrição
e manutenção de Contratos de Seguro,
etc.
P: E quando será aplicado?
VMEC: Não, o problema, pode-se
tomar qualquer situação como ponto
de partida, mas é uma situação
real. Onde funciona o Estado, onde estão
concentrados os documentos do Estado, equipamentos
do Estado, funcionários do Estado, é
importante que haja condições de segurança.
Então, este é um instrumento que já
fazia falta. Internamente, as instituições
fazem algum trabalho nesta direcção,
mas, quando se mete a componente Seguro, isto significa
que haverá maior rigor na inspecção
dos locais onde nós estamos a funcionar.P:
Em que vai implicar a não observância?
VMEC: Estão estabelecidas
as formas e, quando se trata de negligência,
os funcionários serão tratados de
acordo com o Estatuto Geral dos Funcionários
do Estado. E o que é que se pretende? É
que as instituições do Estado, funcionando
em edifícios próprios ou edifícios
de particulares, ocupando determinados espaços,
aí onde está o Estado, os seus funcionários,
documentação e outros equipamentos
como eu me referi, as condições de
segurança devem ser as mais adequadas. É
neste sentido que este instrumento é promovido
pelo Estado para a observância de regras de
segurança pelo próprio Estado. Isto
significa não só penalização
ou punição dos funcionários,
mas é uma medida que poderá contribuir
para acções preventivas.
P: Quando vai começar a
sua aplicação?
VMEC: Bom, é imediato. Isso
é um processo interno, é para o próprio
Estado e não depende de outros, mas é
um processo que vai levar o seu tempo, porque são
várias as situações que terão
que ser objecto.
P: Senhor Vice-Ministro, o que se pode dizer em
relação à Bolsa de valores?
VMEC: Isso é para adequar
as condições actuais de funcionamento
de instituições desta natureza e que
a concessão da direcção da
Bolsa de Valores de Moçambique (eram Comissões
Directivas, Comissões de Admissões)
passa a reger-se por uma estrutura mais actual que
tem um Conselho de Administração e
um Conselho Fiscal e que os membros do Conselho
de Administração são todos
eles indicados pelo ministro das Finanças.
Antes, o ministro indicava só o Presidente
e os membros do corpo directivo e, internamente,
se fazia a gestão. Mas, isto é para
harmonizar com outros institutos desta natureza.
P: Senhor Vice-Ministro quando
iniciam as obras da Escola de Vanduzi?
VMEC: Em 2007 iniciam as obras
de construção de algumas salas e próximo
ano prosseguem. Em 2009 conclui-se e começa
a funcionar a Escola.
P: E que classes serão leccionadas?
VMEC: Falamos de Formação
Técnico Profissional.
P: Mas, já arrancaram com
as obras?
VMEC: Se já colocaram lá
tijolos, pedras, isso são detalhes que não
posso adiantar. Mas, vamos fazer tudo para acelerar,
porque o pronunciamento de alguns membros do Conselho
de Ministros é: devemos encontrar recursos
de maneira a acelerar as obras, de modo que, em
2008, terminemos e, em 2009, inicie o funcionamento
efectivo da Escola.
P: Senhor Vice-Ministro, sobre a comemoração
dos 15 anos do Acordo Geral de Paz, houve algum
tratamento desta matéria nesta sessão
do Conselho de Ministros?
VMEC: Em princípio, teremos
a deposição de flores na Praça
dos Heróis Moçambicanos e seguir-se-á
o plantio de árvores na Praça da Paz.
Mais tarde, teremos uma celebração
ecuménica no Pavilhão do Maxaquene,
e será um programa bastante colorido e com
várias intervenções e toda
semana comemorativa teremos actividades culturais.
Haverá, igualmente, palestras, nas quais
destacadas figuras irão falar sobre o processo
da conquista da Paz em Moçambique e acreditamos
que as actividades culturais ocuparão um
espaço privilegiado. Estamos a celebrar esta
conquista dos moçambicanos que nos permite,
hoje, reconstruir e construir o país, e estamos
a registar o crescimento económico porque
os moçambicanos podem se movimentar dum ponto
para outro, e esta Paz veio para ficar.
P: Os partidos da Oposição,
foram convidados?
VMEC: os partidos da Oposição
fazem parte da classe que também deve contribuir
em ideias para a construção deste
Moçambique. Embora, muitas vezes, alguns
se excluam desse processo (risos) …
P: Senhor Vice-Ministro, nos discursos,
será reservado um espaço para a Oposição?
VMEC: Eu acredito que distribuiremos,
dentro de dias ou quando estivermos próximos,
o programa definitivo de como é que será
a organização das celebrações.
Quem vai falar, em que momento vai falar, mas uma
coisa é certa: nós teremos uma semana
comemorativa onde, em vários momentos, nas
instituições públicas e privadas,
poderão se organizar reuniões, palestras,
conferências (incluindo conferências
de imprensa) para falar sobre este ganho dos moçambicanos.
Porque não podemos nos limitar só
no próprio dia 4, pois são poucas
horas. Temos toda essa semana definida, todo o ano
para celebrarmos a Paz duramente conquistada pelos
moçambicanos.
Acho que já esgotamos todos
os pontos. Muito obrigado. ×
......................................................................................................................................
República de Moçambique
--
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição
do Briefing de SEXA o Vice-Ministro da Educação
e Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 21 de Agosto de 2007
Boa tarde à todos!
Terminou a 22ª. Sessão
Ordinária do Conselho de Ministros, na qual,
de entre os vários assuntos tratados, temos
(a) a aprovação das Estratégias
para o Desenvolvimento da Aquacultura em Moçambique.
Este é um sector extremamente importante
para o desenvolvimento económico do País,
porque, avaliadas as potencialidades que Moçambique
dispõe para o desenvolvimento da aquacultura,
temos uma área de 258 mil hectares de água
doce que pode ser utilizada para o desenvolvimento
desta actividade. E temos, como espaço marinho,
cerca de 30 mil hectares.
Em 2004, a aquacultura contribuiu,
na área de pescado, com 32 por cento e, sabendo-se
que em África, nas relações
disponíveis, Moçambique contribui
apenas com um por cento, mas pode dar um salto bastante
grande neste domínio, é verdade que
temos falta de infra-estruturas, falta de pesquisa
mais aprofundada e falta de disseminação
da informação que existe sobre a matéria
e, principalmente, o que aparece como constrangimento
das dificuldades de acesso ao crédito dos
aquacultores. Assim, temos alguns projectos de Aquacultura
de nível comercial no nosso País,
principalmente ao nível da costa de Cabo
Delgado, Zambézia, Sofala, e Manica. Isto
significa que é um sector que promete se
desenvolver, constituindo um subsector de extrema
importância para Aquacultura sustentável
no País.
O objectivo dessa estratégia
é, de facto, o aproveitamento sustentável
integral do potencial que existe no País,
tendo como objectivo, o aumento de rendimentos que
poderá significar, do período de 2007
até 2012, passarmos de 2000 Aquacultores
para 4000.
E, para que isso aconteça
de facto, os níveis actuais de crédito
conseguidos por este sector correspondem a 4.6 por
cento,se passar para 20 por cento estaremos em condições
de ter o sector de Aquacultura a contribuir efectivamente
para as alterações que se pretende
em Moçambique. Vamos, nesse período
de cinco anos (de 2007 a 2012) identificar e mapear
as zonas e incrementar os sistemas de micro-créditos
(só aumentado os níveis actuais de
produção, por exemplo de camarão,
melhorar e aumentar as receitas das exportações
neste período de cinco anos, e isso custa
dinheiro). A execução desse projecto
vai-nos custar nos próximos cinco anos, 219.78
milhões de Meticais. E vai ser necessário
criar uma instituição para a coordenação
desse sector.
Nesta sessão, (b) analisamos
e aprovamos, também, a Resolução
que aprova a Política de Água, com
metas muito claras de previsão de águas
nas zonas rurais, promover fontes de água,
aumentar a capacidade de armazenamento de água
potável na cidade do Maputo (estamos a falar
de Úmbeluzi que abastece a cidade do Maputo,
do rio Pungué que abastece a da Beira) e
vamos criar condições para que cresça
o investimento nesse sector. Isto significa que
a politica é para se flexibilizar os mecanismos
de acesso às facilidades de investimentos
e de forma transparente para o desenvolvimento económico
do País.
A água de que estamos a
falar serve para diferentes fins: temos água
para agricultura, pesca, aquacultura, consumo humano,
e para o gado. Isto não significa que o que
acontece hoje (de os camponeses aproveitarem este
recurso vital) vai ser fechado ou vai sofrer agravamento.
Significa que haverá licenciamento da explorarão
comercial. E, esse licenciamento, será feito
através do ministério das Obras Públicas,
através da Direcção Nacional
de Águas. Mas, há níveis de
aproveitamento que, mesmo na agricultura, não
exigem licenças especiais.
Ainda nesta Sessão discutimos
e aprovamos, (c) o Regulamento e Concessões
de Agua e, também, a Estratégia de
Gestão dos Recursos Hídricos.
O Conselho de Ministros também
apreciou (d) o estudo de viabilidade para a instalação
da Fábrica de Anti-Retrovirais em Moçambique,
e decidiu que se deve avançar com a proposta
do projecto do respectivo executivo. Não
podemos adiantar mais detalhes sobre quando e onde
e quais são os valores envolvidos. Mas, uma
coisa é certa: a decisão política
foi tomada no Conselho de Ministros, de que o projecto
deve avançar. O estudo foi apreciado e Moçambique
precisa desse tipo de fábrica para resolver
o problema que enfrenta.
Analisamos, também, (e aprovamos)
(e) a Estratégia das Micro, Pequenas e Médias
Empresas em Moçambique, porque de facto,
é estratégia para o desenvolvimento
económico e social do país, onde 89.5
por cento das empresas fazem parte do grupo das
pequenas e 9.1 por cento estão no grupo das
consideradas médias, e, apenas 1.4 por cento
são empresas consideradas grandes.
Com essa estratégia, pretende-se
incentivar o crescimento e a competitividade dessas
médias e pequenas empresas; facilitar o negócio
entre elas e o sistema financeiro. Significa isso
a montagem de uma série de facilidades capazes
de acelerar o crescimento desse sector (quase a
maior parte dele é informal e grande parte
da mão-de-obra que ocupa é constituída
por moçambicanos) e ele contribui, grandemente,
para a situação monetária e
produção de riquezas no País.
Este é um sector de pequenas
e médias empresas do sector informal e emprega
muito mais trabalhadores do que o sector formal.
Esse conhecimento levou o Governo a desenhar esta
estratégia que assenta, principalmente, na
concessão de incentivos para estas empresas.
O Governo continuará com os processos de
licenciamento e haverá espaço para
que o empresário, isto é, o empreendedor
dessas pequenas e médias empresas, antes
da verificação de todas as condições
que são fundamentais para exercer certas
actividades, contribua com ideias validas neste
processo. Vai se trabalhar no sentido de promover
inspecções conjuntas (sabemos que
em várias áreas, actividades que envolvem
elementos de Saúde, Trabalho, do ministério
da Indústria e Comércio), que vão
permitir que, numa única operação,
se observem todos os aspectos relevantes para a
continuação das operações
duma determinada actividade.
As inspecções, nessa
estratégia, devem aparecer não como
inspecções colectivas, mas educativas
e que os inspectores devem ser vistos como promotores
da economia mundial, como promotores do empresariado
nacional. Serão criadas facilidades financeiras
com a montagem de sistema de garantia de crédito.
É verdade que o que faz com que muitas empresas
não evoluam e faz com muitas desistam é
a falta de recursos financeiros que permitam o acesso
ao crédito.
O Estado vai participar, de forma
activa, na cobertura de capital de risco e vai,
também, trabalhar para interessar os bancos
comerciais para este tipo de empreendimento. Estes
bancos têm como actividade principal vender
dinheiro. O problema são as taxas de juro,
uma vez que, tendo-as, este processo beneficia esses
numerosos empreendedores moçambicanos.
E vamos, também, trabalhar
com o Governo para fortalecer as instituições
de crédito rural. O Governo vai participar
para aquelas instituições que, de
facto, desenvolvem o seu papel. A criação
de condições de mercado é a
facilidade que podemos criar para estas pequenas
e médias empresas. Uma coisa vital é
a organização do fluxo de informação,
conhecimento e a capacidade de expandir o negócio
e, só sabendo o que acontece à volta
(no País, na Província, no Distrito,
no Posto Administrativo) é que podemos orientar
os nossos investimentos. Aqui, está-se numa
abordagem integrada dos fundos que existem nos ministérios
e esses fundos, alguns deles, são sem fundo.
Fazendo uma abordagem dessas, poderá ser
orientada para o desenvolvimento dessas micro, pequenas
e médias empresas.
Perguntas e Respostas
Pergunta: Senhor Vice-Ministro,
em relação à instalação
da Fábrica de Anti-Retrovirais, quais são
os pressupostos, em termos gerais, que o estudo
apresenta para se dizer que em Moçambique
há viabilidade para a instalação
desta fábrica?
VMEC: Neste momento, a situação
é de se fazer estudo de mercados, verificação
de preços e o nível de incidência
dessa doença no país, porque também
acredita-se que a fábrica não será
só para a produção de Anti-retrovirais,
vai produzir outro tipo de medicamentos. As tecnologias
são tão avançadas que as máquinas
a serem instaladas, depois de sujeitas a limpezas,
possam produzir diferentes medicamentos. Então,
isso é uma grande conquista para o nosso
país e está claro que, se o estudo
de viabilidade passou, é porque nós,
aqui em Moçambique, executando-se este projecto,
sairemos a ganhar.
Se o estudo tivesse mostrado que
não vale a pena, porque os moçambicanos
estão acatando a mensagem, acreditamos que
estaríamos satisfeitos, mas, nas condições
actuais de Moçambique, o nível de
incidência impõe que aceitemos e caminhemos
nessa direcção. Vamos ter que trabalhar
no sentido de prolongar a vida dos moçambicanos
(daqueles já infectados) e a viabilidade
significa que os números dos moçambicanos
infectados são grandes e, como Governo, somos
responsáveis de fazer tudo para, pelo menos,
prolongar a vida daqueles concidadãos.
P: Senhor Vice-Ministro, eu gostava
de perceber: este montante envolvido para a produção
e desenvolvimento da Aquacultura (são 219,68
milhões de Meticais), é para um período
de 10 anos, ou 5 (anos)?
VMEC: É para um período
de 35 anos (eu teria dito 35 anos). Os primeiros
cinco anos serão dedicados à montagem
da tal instituição, o mapeamento e
a definição das zonas em que vai ser
desenvolvida.
P: Em relação à
Aquacultura, quais são os níveis actuais
de produção do Camarão?
VMEC: Agora falamos, mais ou menos,
de 1000 toneladas neste sector, e queremos passar
para 2000 toneladas e dissemos que o número
de Aquacultores é de 2000, e queremos que
nos próximos 5 anos suba este número,
em 2012, para 4000. Isto vai exigir expansão
e investimento nas áreas de produção
de Aquacultura.
P: Mil toneladas por ano?
VMEC: Sim, por ano, e não
por dia.
P: Disse que o sector contribui
em 32 por cento. Para quê?
VMEC: Eu falei do peso da Aquacultura
na pesca mundial, porque, 68 por cento é
pesca normal e 32 por cento provêm dos tanques
de aquacultura. O que eu teria dito, que, do total
de 200 toneladas por ano, África contribui
com um por cento e essa cifra é muito ínfima.
P: Objectivo é que nos próximos
cinco anos chegue à 2000 toneladas?
VMEC: Até 2012.
P: Senhor Vice-Ministro, e quanto
à construção da Refinaria de
Petróleo?
VMEC: Bom, isso não foi
objecto de discussão (risos)...
P: Senhor Vice-Ministro, nas últimas
semanas tem se constatado assaltos na cidade e província
de Maputo. Esse assunto, que tanto preocupa os moçambicanos,
foi objecto de discussão?
VMEC: O sector relevante está
a examinar profundamente o assunto e, no devido
momento, será trazido para o Conselho de
Ministros. Isso para dizer que não foi objecto
de discussão.
P: Senhor Vice - Ministro, o que
tem a dizer sobre o roubo de material eléctrico
que, ultimamente, se verifica um pouco por todo
o país?
VMEC: Desculpa, mas há sempre
mal entendidos aqui (risos)! Posso explicar-vos
mais uma vez? As Sessões do Conselho de Ministros
têm uma Agenda: é um arrolamento de
assuntos que são analisados nos ministérios
e são discutidos ali. Então, quando
saio da sala, as propostas de conversa que vos apresento
são aquelas simples que temos tido a oportunidade
de, na mesma altura que iniciamos esta conferência,
eu vos falar sobre elas. E isso está patente
no Comunicado do Conselho de Ministros que vos temos
distribuído. Então, os assuntos que
não estão na agenda, eu não
estou autorizado, não tenho competência
para abordar-vos e, só aquilo que o Conselho
de Ministros tratou naquela reunião, é
que eu trato aqui. E muito obrigado. ×
......................................................................................................................................................
República de Moçambique
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição
do Briefing de SEXA o Vice-Ministro da Educação
e Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 07 de Agosto de 2007
Boa tarde à todos!
Acabou de terminar a 20ª.
Sessão Ordinária do Conselho de Ministros
que, dentre vários assuntos, aprovou o Decreto
que actualiza o período de Recenseamento
Eleitoral referente ao ano 2007. Como é do
vosso conhecimento um Decreto do Conselho de Ministros
havia aprovado o período de 20 de Agosto
à 18 de Outubro como período de realização
de Recenseamento Eleitoral. Uma vez que a data de
realização de eleições
passou para 16 de Janeiro e sob proposta da Comissão
Nacional de Eleições, o Conselho de
Ministros aprovou um novo Decreto que estabelece
o período de 24 de Setembro à 22 de
Novembro, como período de realização
do Recenseamento Eleitoral, revogando o Decreto
27/ 2007, de 19 de Junho.
Nesta Sessão do Conselho
de Ministros, e na sequência do acordo assinado
a 13 de Julho, nos Estados Unidos da América,
entre o Millennium Challenge Corporation e o Governo
de Moçambique, que concede um montante de
506.924.053 Dólares americanos para projectos
relacionados com abastecimento de água, Saneamento,
Estradas e Pontes para as províncias de Cabo
Delgado, Nampula, Zambézia e Niassa, esta
matéria foi apreciada. Para o efeito, o Conselho
de Ministros criou o Millennium Challenge Account-Moçambique,
que é uma instituição para
a implementação do acordo entre a
República de Moçambique e os Estados
Unidos. Esta instituição vai fazer
a gestão do programa e será uma entidade
autónoma, de autonomia administrativa, patrimonial
e com poderes especiais para a gestão financeira,
sem significar que terá uma autonomia financeira.
Esta instituição vai contar com, primeiro
o Governo, Sector privado e a Sociedade Civil. Ela
é uma instituição que vai funcionar
por um período de cinco anos (que equivale
a duração deste acordo), que é
o consenso que foi alcançado a 13 de Julho,
nos Estados Unidos da América. A instituição
vai trabalhar na promoção de negócios,
investimentos e emprego na região do próprio
âmbito, que são as quatro províncias
que fiz referencia. Do Norte são três
províncias, nomeadamente, Cabo Delgado, Niassa
e Nampula. E, do Centro, é a província
da Zambézia.
E, nesta mesma Sessão, foi
aprovada uma Resolução que ratifica
o Acordo de Cooperação Financeira,
o compacto celebrado em 13 de Julho de 2007 entre
o Governo Moçambicano e o Millennium Challenge
Corporation, dos Estados Unidos da América.
Ainda nesta Sessão, aprovamos
três Decretos da área do Turismo, sendo
o primeiro aquele que aprova o Regulamento do Direito
de Habitação Periódica; o segundo
aprova o Regulamento da Animação Turística
e o terceiro Decreto aprova o Regulamento do Transporte
Turístico. Estes são três Decretos
que visam, essencialmente, o desenvolvimento, promoção
da actividade turística no País. No
que diz respeito ao Direito à Habitação,
as pessoas poderão construir, poderão
ter acesso à habitação de maneira
temporária. Isto significa a construção
de casas em zonas turísticas e que poderão
entrar numa rede internacional de permuta de casas.
E a outra dimensão é aquilo que diz
respeito ao Regulamento de Transporte Turístico.
As pessoas viajam, deslocam-se de um ponto para
outro, fora do País, para Moçambique,
de Moçambique para fora, mas, o que se pretende
é criar condições que correspondam
à qualidade dos serviços turísticos
que devem ser oferecidos. Isto se queremos promover
um turismo de qualidade. Naturalmente, tudo passa,
necessariamente, pelo tipo de transporte, as condições
que devem ser oferecidas ao passageiro, ao turista
que é levado de um ponto para outro e isto
deve ser previamente regulamentado para que o turismo
em Moçambique corresponda aos padrões
internacionais mais adequados.
E, no que diz respeito à
Animação Turística, isto é
para a preservação dos valores culturais
e naturais. Promovendo licenciamento de práticas
que tenham em consideração aquilo
que Moçambique possui e outras práticas
desportivas e de natureza turística observados
noutros países, que aqui as coisas acontecem,
não existindo uma regulamentação
especifica na área.
O outro Decreto que foi aprovado,
nesta Sessão, é a transformação
do Instituto Superior Politécnico e Universitário
(ISPU) numa Universidade Politécnica, e passará
a chamar-se “A Politécnica”.
O ISPU muda de nome, significando que é o
reconhecimento do crescimento da instituição.
Como Instituto, desempenhou seu papel, dedicando
uma atenção especial à formação
profissional, mas, ao longo desses anos de sua existência,
acumulou experiência e promoveu actividades
que, gradualmente, foram ultrapassando as competências
de um Instituto. Hoje reclama a promoção
de cursos que possam levar até ao Doutoramento,
porque hoje o ISPU gradua bacharéis, licenciados
e já iniciou cursos de Mestrado, mas quer
alcançar a área de Doutoramento. Um
Instituto não pode fazer isso, nas condições
de Moçambique. Então, submeteu uma
proposta ao Conselho de Ministros que alarga as
competências deste Instituto, transformando-o
numa Universidade Politécnica e passará
a chamar-se “A Politécnica”.
O Conselho de Ministros apreciou
a Estratégia de Moçambique para o
processo de Integração na SADC. É
um processo complexo, já foi objecto de discussão
à vários níveis, sector privado
e sector público, e o debate continua, porque
há muitos receios de ver a economia moçambicana,
os moçambicanos a serem engolidos na região
por não poderem participar activamente, porque
não têm comércio, não
têm indústria capaz de competir com
a dos países vizinhos. Nesta Estratégia,
e para tirar alguns receios (alguns medos que ainda
predominam nas nossas cabeças) é que
este Desarmamento Alfandegário, que entra
em vigor a partir de 2008, não vai significar
que todos produtos na região da África
Austral vão passar a circular livremente
em todos os países. Há um elemento
que é observado, que são as Regras
de Origem. Há produtos que vão circular
fora, sem pagamento de Direitos Aduaneiros, porque
obedecendo às Regras de Origem, inteiramente
produzidos, por exemplo em Moçambique, com
matéria-prima moçambicana, vão
entrar na África do Sul sem pagamento de
Direitos, assim como noutros países sem pagamento
de Direitos, mas isso não significa, mais
uma vez, que os produtos vão circular livremente.
Se eu importar tecidos e produzir camisas para exportar
para Zâmbia ou para Malawi, essas camisas,
porque não detêm, em termos de incorporação
do elemento local, um valor acrescentado suficiente
para beneficiar desse desarmamento, não vão
entrar livremente. Mas, se eu importar fio, produzir
tecido e do tecido produzir camisa, aí sim,
tem um tratamento muito complexo, mas se quisermos
exportar banana de Moçambique, farinha de
milho produzido em Moçambique, aí
estaremos em vantagem. O mesmo acontece em relação
aos produtos que vêm dos países vizinhos:
a África do Sul ou Malawi importam matéria-prima
e montam um outro produto no seu país; esse
produto não entra em Moçambique livremente.
Mas há uma coisa que não se tem dado
a relevância necessária: é que
estamos a falar do Desarmamento Alfandegário
e, com a África do Sul, nós temos
um arranjo especial que permite que o Desarmamento
se efective completamente em 2015, mas esse Desarmamento
não significa que o IVA, por exemplo, desaparece.
Vamos continuar a praticar o IVA, mas, uma coisa
é certa: nós devemos pensar que Moçambique
tem muito a oferecer na região. Ocupamos
uma posição geográfica bastante
privilegiada, na costa, ou de porta de entrada e
saída de produtos dos países do hinterland.
Os Portos e Caminhos-de-ferro, na área de
turismo e em tudo aquilo que podemos produzir como
Parques Nacionais para promoção de
turismo, esses são elementos fortes que colocam
Moçambique numa posição extremamente
vantajosa. Isto é um pouco para falar daquilo
que significa para nós, este Desarmamento
Alfandegário e na região. Uma coisa
é certa: o processo de integração
de Moçambique ou dos países da região
é qualquer coisa irreversível. Sabemos
que este processo começou nos anos 70. Na
altura da nossa independência, Moçambique
fazia parte da linha da frente; em 1980 foi criada
a SADCC, o que significou o engajamento dos países
da região para reduzir a sua dependência
económica em relação ao Apartheid.
Acabou o Apartheid, a aposta é desenvolver
uma economia forte da África Austral, e,
neste processo, nós, Moçambique, já
somos signatários de 24 Protocolos cobrindo
várias áreas, incluindo a educação.
Isto mostra que o processo é irreversível.
Tivemos uma informação
sobre o ambiente de negócios em Moçambique,
sobre a luta que se promove contra a pirataria de
vários produtos (nós só estamos
habituados a falar da pirataria de discos, de fonogramas),
mas é pirataria que abrange a área
de cigarros, de OMO, Cerelac e estamos a continuar
a trabalhar fortemente na institucionalização
dos BAU´s (Balcões de Atendimento Único)
e, neste momento, não posso adiantar os montantes,
mas para a institucionalização dos
BAU´s contamos com o apoio financeiro do Banco
Africano de Desenvolvimento. E informamos, há
duas semanas, aqui, que o Conselho de Ministros
havia aprovado a Estratégia Industrial do
País, e que estava sendo feito um grande
esforço para a melhoria da qualidade de energia
e redução de preços, e essa
energia é fundamental para o desenvolvimento
da nossa economia.
E, por último, tivemos uma
informação sobre o sector da Dragagem
no país. Dragagem é uma actividade
extremamente importante para um país costeiro
como Moçambique. O comércio internacional,
de e para Moçambique, via marítima,
exige que sejam criadas condições
que facilitem a navegabilidade e o acesso aos nossos
portos. Temos problemas muito sérios no Porto
da Beira, e lançamos um concurso para a Dragagem
e os montantes disponíveis (imaginem só
para tirar as areias e tornar navegável para
facilitar a entrada dos navios no porto da Beira,
tínhamos um valor de 18 milhões de
dólares, mas as empresas internacionais capazes
de fazer o trabalho disseram que esse é muito
pouco dinheiro). E, neste momento, vamos lançar
outro concurso, e estamos a trabalhar para a aquisição
duma draga oceânica e acreditamos que com
essa draga (com a capacidade de 2500 metros cúbicos)
estará disponível em 2009. E, neste
momento, quem está à frente do processo
de dragagem em Moçambique é a EMODRAGA,
E.P. Esta empresa, hoje, trabalha em condições
muito difíceis e, apesar de ter recebido,
o ano passado, a draga Alcântara Santos, para
a cidade da Beira, trabalha, hoje, com capacidade
que corresponde a 45 por cento da que existia na
altura da nossa independência. Estão
a imaginar as dificuldades que o sector labora enfrenta?!
Essa é uma simples informação
daquilo que está sendo feito e encorajou-se
o sector relevante a prosseguir os esforços
para, efectivamente, continuar a criar as facilidades
de navegabilidade e acesso aos nossos portos.
Perguntas e Respostas
Pergunta (P): Senhor Vice-Ministro,
falou da aquisição de uma nova draga.
Já tem datas para a sua aquisição?
Já foi lançado o concurso?
Vice-Ministro da Educação
e Cultura (VMEC): Lançamos outro concurso,
apenas ficou sem efeito, Mas, tudo está sendo
feito para que em 2008 tenhamos a dragagem de emergência
e, em 2009, contamos ter esta Draga Oceânica,
que vai ajudar bastante a resolver este problema.
P: E quais os valores que se prevêem,
já que 18 milhões são poucos?
VMEC: Não tenho os montantes,
mas isto será financiado pela Dinamarca.
Tem que se assinar um acordo entre os dois Governos
e vai se lançar um concurso para aquisição
deste equipamento.
P: Há datas para o Acordo?
VMEC: É para breve. Nós
teremos a Draga, o mais tardar, em 2009.
P: E o concurso público,
quando é que será lançado?
VMEC: São duas dívidas:
estamos a falar da Dragagem de Emergência,
que, provavelmente, até 2008 teremos o trabalho
a ser feito. E, para a aquisição desta
Draga Oceânica, a previsão é
de 2009, mas os acordos para facilitar os outros
tramites são imediato.
P: Senhor Vice-Ministro, a questão
da Comissão Nacional de Eleições
ter se oposto à alteração da
data da realização das eleições,
não constitui um indicador de fraca preparação
deste órgão?
VMEC: Eu acredito que as razões
da alteração da data das eleições,
de 20 de Dezembro para 16 de Janeiro (a Comissão
Nacional de Eleições (CNE) e o Secretariado
Técnico de Administração Eleitoral
-STAE- estavam a trabalhar com essa meta) não
têm nada a ver com isso que referiu. Houve
possibilidade de flexibilizar um pouco o processo
de preparação das eleições.
O que nós queremos é que as eleições
sejam realizadas em condições óptimas,
perfeitas, porque esta recalendarização
é para reduzir um pouco a pressão
e permitir que se trabalhe, tendo o 16 de Janeiro
como meta.
P: Senhor Vice-Ministro, o Governo
está a negociar financiamento para as eleições.
A que nível estão estas negociações?
VMEC: Eu teria dito os pontos que
fizeram objecto de discussão, hoje, e é
sobre isso que eu estou preparado para conversarmos.
P: Quando se prevê que o
ISPU venha a mudar para “A Politécnica”?
VMEC: Isso foi aprovado hoje, o
que significa que o ISPU poderá encontrar
uma forma de transição para não
perturbar os seus clientes. O ISPU é um nome
que ganhou espaço de credibilidade no território,
e em Moçambique é um nome que vai
passar por um período transitório
em que, provavelmente, vai sendo conhecido pelos
novos nomes: o velho e o novo. Mas, legalmente,
já se chama, com esta aprovação,
“A Politécnica”.
P: Em relação à
questão da redução da dívida
comercial, qual é o valor total da dívida?
VMEC: O que está aqui (no
Comunicado do Conselho de Ministros) consumam como
está. Temos resoluções várias
que ratificam isto, ratificam aquilo. Ratificação
é plena concordância.
P: Em Relação ao
Millennium Challenge Account, quando começa
a funcionar?
VMEC: A decisão foi tomada,
e que indica exactamente a composição
dos corpos directivos. E isto parte sob a alçada
do ministério de Planificação
e Desenvolvimento. Vão ser indicadas as pessoas,
tomar posse e começar a trabalhar. Os meios
já estão disponíveis.
P: E onde vai funcionar?
VMEC: Maputo será a sede
e terá representações na zona
de actuação. Porque, isto é
para operar nas quatro províncias que eu
fiz referência. E são programas que
serão coordenados pelo ministério
de Planificação e Desenvolvimento.
P: Em relação à
Estratégia de Moçambique sobre a Integração
Regional. O que ela traz de novo, em termos de estratégia,
como tal?
VMEC: Moçambique faz parte
da África Austral e aderiu a um conjunto
de iniciativas, partindo da própria fundação
da SADC. É membro fundador da SADCC e é
membro fundador da actual SADC. Tendo esse estatuto
já assinou e aceitou 24 Protocolos da SADC.
Isto significa que está envolvido em todas
as iniciativas que estão em curso para a
integração regional. Moçambique,
neste momento, ficar de fora, é quase impossível.
Neste momento, nós podemos escrever uma carta
até em português, a dizer para Moçambique
sair (até porque o Secretário Executivo
é Moçambicano e o Adjunto é
Angolano). Quero dizer, está mais ou menos
nas mãos de Moçambique, essa SADC
de hoje. E as vantagens são óbvias:
se nós continuarmos a fazer essa preparação
(nós temos recursos, temos uma capacidade
humana que tem que ser aperfeiçoada e na
área de educação, nesse sistema
de equivalência, na adaptação
dos curricula e, a níveis técnico
profissional e universitário) vamos ter uma
mobilidade de técnicos na região.
Mas, temos que nos preparar para isso, não
na maneira de Moçambique se isolar, pois,
se se isola, será um suicídio, não
vai se fazer sentir e não será possível
fazer a inventariação das desvantagens,
mas sim, das vantagens que podem advir da nossa
Integração.
P: A Direcção Nacional
dos Combustíveis, prometeu entregar ao Conselho
de Ministros o Relatório sobre o incêndio
das bombas da Catembe, só que esse relatório
ainda não deu entrada…
VMEC: Ainda bem que não
deu entrada. Não o tenho. Muito Obrigado.
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................................................................................................................................
República de Moçambique
Gabinete de Informação
Direcção de Informação
e Comunicação
Transcrição do Briefing de
SEXA o Vice-Ministro da Educação e
Cultura e Porta-Voz do Governo, Dr. Luís
Covane
Maputo, 24 de Julho de 2007
Boa tarde à todos!
Acaba de terminar a 19ª. Sessão
do Conselho de Ministros, que tinha uma agenda de
cerca de 16 pontos, mas que vou realçar,
neste nosso encontro, alguns.
Um dos assuntos que tem preocupado as populações
em Moçambique, sobretudo nas zonas rurais
de algumas províncias do nosso país,
é o conflito homem-fauna bravia. Só
para dar a dimensão desse problema: falamos
de elefantes que destroem culturas, leões
que matam pessoas. Em termos de números ilustrativos,
de Janeiro a Julho de 2007 foram mortas 54 pessoas,
e 234 hectares de culturas diversas foram destruídas,
o que significa que o Governo deve reforçar
as medidas, para que aquilo que devia constituir
riqueza para todos nós e o incremento do
turismo não continue a presentear-se como
um perigo, porque, de facto, ter fauna bravia é
motivo de orgulho e satisfação para
Moçambique. Mas, quando essa fauna não
é devidamente gerida resulta em desastres
dessa natureza, o vai permitir que tenhamos culturas
e vidas humanas destruídas.
Em relação ao problema de culturas,
nos meses de Março e Maio, que são
os meses de colheita, a população
sentiu-se mais violentada e nós estamos a
tomar medidas no terreno, envolvendo a Polícia
da República de Moçambique, os operadores
de fazenda, do bravio, brigadas organizadas localmente,
para o abate de algumas espécies em quantidades,
naturalmente, limitadas, àqueles que são
mais perigosos. O abate de animais problemáticos
é selectivo, porque este conflito pode ser
gerido de maneira a representar riqueza para todos
nós.
O conflito homem-fauna bravia acontece porque estão
os dois a disputar os mesmos recursos, muitas vezes
a água. Por isso, vamos trabalhar, no sentido
de colocar poços de água em lugares
seguros, limitando a concorrência e competição
entre os animais e o homem. Isto passa, necessariamente,
por um plano de uso da terra: para agricultura, para
conservação. Isto tudo foi equacionado,
não se tratando de uma avaliação
de contemplação ou constatação.
O nosso trabalho é transformar essa realidade,
que hoje apresenta um conjunto de desvantagens, para
nós.
• Discutimos, também, a estratégia
adiantada para o desenvolvimento sustentável
de Moçambique. Foi um ponto muito importantíssimo.
Nós queremos ter um desenvolvimento económico
seguro, que Moçambique tenha uma população
saudável, capacitada, activa e financeiramente
estável, porque, se ficarmos à espera,
de forma sustentável, dos recursos que dispomos
(que são muitos), poderá atingir esses
níveis. E Moçambique, do ponto de vista
da localização geográfica, tem
uma longa costa, e, no seu interior, rios, fauna bravia,
florestas e a situação está sendo
discutida e vai ser regulamentada para que esses recursos
sejam explorados de forma sustentável.
A área económica mexe com todos nós
no país. É uma área que foi muito
abalada pelo conflito armado (guerra dos 16 anos),
e passou por uma fase de recuperação,
que ainda está a mostrar sinais não
suficientes para acelerar o combate à pobreza
em Moçambique. Estamos a falar da estratégia
que foi criada, a Política Estratégica
Especial em Moçambique. Aprovamos, hoje, uma
estratégia que revoga a anterior, criada em
1997, e que, de lá para cá, (10 anos
são muitos) muita coisa aconteceu, em termos
de governação alterou profundamente.
Estamos a falar da mudança profunda do ambiente
macroeconómico, e nós, neste momento,
focalizamos a nossa acção na redução
da pobreza absoluta. A indústria que nós
queremos é uma indústria relevante e
competitiva, mais orientada para a produção
de alimentos. Necessitamos, efectivamente, neste momento,
de introduzir correcções profundas na
coordenação entre os diferentes actores
neste domínio. É necessário uma
maior intervenção do Estado na mobilização
de recursos financeiros para potenciar este sector,
tendo em conta que precisa, urgentemente, de uma mão
forte para a sua rápida modernização
e diversificação da base produtiva.
Isto tudo deve ser combinado com aquilo que nós
fazemos nas outras áreas, em particular a área
da educação. A ênfase, que é
colocada à educação técnico
profissional, vai ao encontro do esforço que
está sendo feito e que encontra parte da resposta
nesta Politica e Estratégia Industrial. Falámos
da falta de capital, de segurança dos nossos
investidores e, aqui, está prevista a criação
de fundos de garantia e de capital de riscos e elevar
outra questão: falamos, com muita frequência,
do Made in Mozambique. Nesta perspectiva, o Made in
Mozambique deve ser acompanhado por medidas que visam
a elevação da qualidade dos produtos
moçambicanos, porque, (o que notamos), o que
dita a presença dum determinado produto, primeiro
é a qualidade e, depois, o preço. E
é a combinação desses elementos
que vai tornar a nossa indústria competitiva.
De facto, hoje, foi uma sessão bastante longa
e que concentrou uma grande atenção
nos aspectos económicos.
• Apreciámos, também, uma Resolução
que aprova a Politica de Concorrência em Moçambique,
guiada pelos princípios de lealdade e uma concorrência
sã. É uma economia de mercado, onde
se estimula o empreendedorismo, iniciativa privada,
mas, não podemos pautar por procedimentos que
promovam uma concorrência desleal e que o Estado
fique indiferente. Vamos criar uma entidade que vai
regular a concorrência que hoje acontece em
Moçambique.
Não vou citar exemplos concretos de situações
em que a concorrência veio beneficiar o consumidor,
baixando os preços e elevar a qualidade da
oferta. Temos casos em que dois ou três fornecedores
podem se unir, determinam os preços ao consumidor
e esse preço é imposto ao consumidor.
É uma situação de quase monopólio,
e, quando isso acontece, não é aconselhável
a elevação da qualidade dos produtos
oferecidos. Torna uma concorrência desleal,
o que não deve ser permitido. Esse é
o primeiro passo, porque a Politica de Concorrência
é aprovada pelo Conselho de Ministros, todavia,
fase seguinte é a elaboração
de uma proposta de lei, que será submetida
à Assembleia da República. O objectivo
principal é proteger os consumidores e os moçambicanos,
introduzindo produtos de qualidade, preços
aceitáveis e evitar oportunismo que coloque
o nosso consumidor numa situação de
desprotegido. O que hoje acontece são quatro
situações práticas de anti-concorrência,
inexistência de uma política e de um
quadro legal regulador, inexistência de instituições
que fiscalizam e regulamentam essa concorrência
e ausência de uma cultura de concorrência
no País.
Nesta sessão do Conselho de Ministros, também
se fez uma reflexão, o que significa, efectivamente,
o início da preparação das celebrações
do 15º. Aniversário do Acordo de Paz,
em Roma, assinado a 4 de Outubro de 1996, e pôs-se
fim a um período bastante logo de guerra que
destruiu vidas humanas, infra-estruturas e desarticulou
o tecido social. Essa é uma conquista dos moçambicanos,
de todos nós e, portanto, o Governo inicia
essa preparação, apelando para o envolvimento
de todos. Essa deve ser uma festa de todos os moçambicanos
e as celebrações não devem deixar
gente fora, porque, nestes 15 anos de Paz, os resultados
que conseguimos alcançar são visíveis
em todas as esferas económicas, sociais e politicas.
Esta data tem um carácter marcadamente irreversível.
Os moçambicanos não querem recuar para
aqueles anos de terror, de sofrimento, onde não
se respeitava a vida humana. E vamos celebrar, com
muita força, esse marco importante de história
de construção de um Moçambique
forte.
• Discutimos uma Proposta de Lei de Tráfico
de Pessoas, em particular de Mulheres e Crianças
em Moçambique. Fala-se de tráfico de
jovens que, em alguns Países, são levados
para serem explorados sexualmente, e a prática
de tráfico é reconhecida na África
Austral e Moçambique quer reprimir, rigorosamente,
os que praticam este mal. Normalmente, em alguns Países,
as medidas que penalizam o tráfico de pessoas
fazem parte do Código Penal e este representa
um processo de revisão, sendo que o tratamento
dessa matéria levou o Conselho de Ministros
a avançar uma Proposta de Lei que vai ser submetida
ao Parlamento. É uma lei que terá uma
implicação financeira, porque serão
criados dois centros de protecção (no
Sul e Centro do País) dessas pessoas vítimas
e tem um impacto orçamental que anda à
volta dos 11 milhões de Meticais. Quando falamos
de “menor”, na nossa legislação,
devemos entender por todos aqueles cuja idade está
abaixo dos 18 anos.
• Tivemos, também, a possibilidade de
fazer a análise de um relatório sobre
a Vulnerabilidade Corrente em Moçambique. Vulnerabilidade,
porque Moçambique tem sido assolado por uma
série de calamidades, cheias, seca, ciclones
e, isso tudo, desestabiliza famílias, desarticula
o sistema de produção. Daí, foi
conduzido um estudo em sete províncias, cobrindo
53 distritos. Foram inquiridos 3600 agregados familiares,
dos quais 99 por cento foram atingidos pelas cheias;
60 por cento por ciclone e 31 por cento pela seca.
O que acontece, efectivamente, nessas famílias
moçambicanas, quando são vítimas
dessas calamidades, é que elas têm que
sobreviver e são várias as estratégias
de sobrevivência. As calamidades significam
destruição, ou redução
da capacidade de ter alimentos. Pessoas têm,
como estratégia, reduzir os alimentos, reduzir
drasticamente os números de refeições,
trocando, assim, a dieta alimentar por uma dieta extremamente
pobre. E, quando há uma situação
de calamidade, há um fenómeno que acompanha
a elevação dos preços que são
comercializados nessas zonas, porque, também,
os preços de transportes sobem. O Governo tem
de continuar a investir. Trabalhar no sentido de promover
feiras de insumos agrícolas, facilitar a comercialização
agrícola, porque temos situações
de carência em pontos não muito distantes
um do outro, mas, porque não existe facilidades
do ponto de vista da comercialização,
temos abundância num ponto vizinho e carência
que levam até à morte num outro ponto.
Isto significa que as autoridades moçambicanas
devem continuar a monitorar as zonas críticas
e criar essas condições, para a circulação
e comercialização de produtos nos diferentes
pontos.
• Meus senhores, o Governo funciona. Demonstra
isso a aprovação, na presente sessão
do Conselho de Ministros, do Decreto que deve alterar
o Sistema de Arquivos. A vida das pessoas e instituições
é controlada através de papéis.
A organização de arquivos é de
extrema importância, o que significa que a documentação
é classificada e há vários níveis
de classificação de documentos, desde
secretos, restritos, confidenciais e outras formas.
Esse Sistema de Classificação recém-criado
é para proteger as pessoas, os funcionários,
os cidadãos e o Estado. Existe classificação
actualmente, mas, é importante introduzir algumas
alterações e anotações,
principalmente a nível dos arquivos correntes
e intermédios. No que diz respeito ao Arquivo
Histórico de Moçambique, instituição
vocacionada para o estudo, o material que está
lá já não é corrente;
não toca na vida das pessoas, das instituições.
Todavia, o Arquivo Histórico mantém-se
como um centro de estudo, de investigação
da nossa história, da nossa cultura e do saber
sobre o passado. Mas, nos serviços, há
um esforço que deverá ser feito para
introdução deste novo Sistema de Documentação
de Arquivos, que é a preparação
de quadros capazes de classificar adequadamente esses
documentos, arquivá-los de maneira a torná-los
invioláveis. E que o controle da informação
do Estado ganhe níveis que os assegurem; que
os projectos que são desenhados não
apareçam em situações em que
não deviam aparecer, que embaraçam aos
gestores públicos. Quando um documento que
devia estar arquivado num determinado gabinete, no
ministério ou numa Direcção Nacional
é exibido nos jornais, para outros fins e não
aqueles em que foi produzido, isto significa que existe
uma ineficiência do sistema e gestão
dos nossos arquivos. Essa é a decisão
que foi tomada, de sofisticar e elevar a qualidade
de gestão dos documentos, arquivos e informação.
Vamos uniformizar os critérios e regras de
produção de documentos que são
classificados onde são produzidos e vamos modernizar
o sistema de gestão e especialização
do Sistema de Documentação do Estado.
Feita esta introdução, estou pronto
para responder às vossas perguntas.
Vice-Ministro da Educação e Cultura
(VMEC): Em relação ao abate de espécie
problemática (estamos a falar de leões,
crocodilos, elefantes, leopardos e outros felinos
atentatórios à vida dos cidadãos),
é uma acção que está em
curso, porque nós estamos interessados em proteger,
cada vez mais, os nossos cidadãos. Mas também
não é agenda, eliminar todos os animais
em Moçambique, porque fauna bravia significa
riqueza, contudo, deve ser levado em locais bem limitados;
em áreas em que não haja competição
homem e fauna bravia. Essa é uma acção
que está em curso, e não uma campanha.
P: Senhor Vice-Ministro, quando é que o Governo
vai se pronunciar sobre as datas da eleições?
VMEC: Tenho uma certa dificuldade em responder algumas
perguntas, porque as que eu me sinto competente para
dar respostas são aquelas que provém
da agenda do Conselho de Ministros. Está a
fazer uma pergunta que tem a ver com a Assembleia
da República, que é um órgão
legislativo, e estou a falar da sessão do Executivo,
pelo que não posso responder. É difícil.
P: Senhor Vice-Ministro, porquê só hoje
é que o Governo se preocupa com o problema
do tráfico de mulheres e crianças, se
há bastante tempo que esses actos são
cometidos?
VMEC: O problema é o seguinte: Moçambique
é membro das Nações Unidas e
há compromissos internacionais que assumiu.
Em 2000, Moçambique subscreveu uma Resolução
das Nações Unidas sobre esta matéria,
e, efectivamente, isso deve ser tratado ao nível
do Código Penal. Se formos a ver, não
está de forma explícita. Dessa forma,
temos que acelerar uma legislação especifica,
que é esta lei que vamos levar à Assembleia
da República, porque teremos que estar em consonância
com aquilo que são as práticas internacionais,
e aquilo que foi o nosso compromisso ao rectificarmos
essa Convenção.
O que deverá acontecer é que essa legislação
que nós trouxermos vai permitir criar um levantamento
sistemático de diferentes casos que são
detectados, e, trazendo esse instrumento, estaremos
em condições de autentificarmos esse
tipo de crimes, e estaremos, também, em condições,
no futuro, de reportar, com rigor, o que está
a acontecer.
Estão estabelecidas penalidades muito severas
nessa lei. Por exemplo, violação de
menores, as penas são de oito anos. Há
várias situações e o condicional
não cobre devidamente, pelo que com este instrumento,
nós estaremos em condições, até,
de recolher informações para o público,
para ter a ideia real do significado deste tráfico.
P: Há casos concretos desse tráfico,
e que países estariam envolvidos?
VMEC: Não, mas situações diversas
reportadas pelos senhores (jornalistas), ou pelos
órgãos de comunicação
social, é que fizeram um trabalho. O que estou
a dizer é que legislação específica
para este assunto nós não temos, mas,
isso é coberto (não de forma aberta)
pelo Código Penal. Este, em princípio,
cobre tudo, mas, nós queremos ser mais específicos.
Isso significa que estamos muito preocupados e queremos
dar uma resposta mais satisfatória.
VMEC: O que estou a dizer é o seguinte: nós
subscrevemos a Convenção Contra o Crime
Organizado e Transnacional. Há um reconhecimento
de que na África Austral, onde Moçambique
se situa, esse tipo de crime ocorre. A nossa legislação
tem uma lacuna, o que faz com que este crime não
seja tratado com a objectividade que se pretende.
O Código Penal cobre todo o tipo de crimes.
Esse crime transnacional e organizado (de tráfico
de mulheres e crianças), pela primeira vez
na história do nosso País, vai ter um
tratamento bastante privilegiado, para elevar a nossa
capacidade de vigilância sobre a matéria.
(Agora) vocês querem que eu diga que as pessoas
que estão a sair de Moçambique correspondem
ao país “A”, “B” ou
“C”, mas, nesta Sessão do Conselho
de Ministros, de facto, não foi apresentado
nenhum estudo. Foi feita uma anti-evidência
irrefutável, que é matéria que
não vai surpreender os moçambicanos.
Nesta sessão, não se apresentou um estudo
sistematizado, mas temos consciência que, se
o tráfico contra o qual o Governo de Moçambique
deve mobilizar as suas capacidades para combater,
é este de menores e de mulheres.
P: Senhor Vice-Ministro, quando é que essa
lei será aprovada?
VMEC: O primeiro passo já foi dado. Devo dizer
que é uma lei e, para nós, isto devia
acontecer o mais cedo possível. A partir do
momento em que se faz a proposta, deve ser submetida
ao legislativo (Assembleia da República). Para
as boas relações de trabalho, é
preciso um sistema mais integrado entre o Executivo
e o Legislativo.
VMEC: Significa que é passar à fase
seguinte e submeter à Assembleia da República.
P: Senhor Vice-Ministro, sobre a proposta da nova
Lei de Classificação de Documentos,
significa isso que já não vamos ter
acesso à documentação sobre o
Estado?
VMEC: Eu não disse que tudo que é produzido
no Estado é confidencial, restrito ou secreto.
O que existe é classificação
de documentos produzidos e, uma vez divulgados, todas
as pessoas têm acesso. Mas, muitas vezes é
a documentação produzida no processo
de qualquer coisa e esta documentação,
a ser usada por pessoas não apropriadas, pode
levar a uma situação em que o objectivo
que se pretendia não é alcançado.
Essa informação pode ser usada para
a sabotagem dos projectos. O tempo de vida de um documento
depende da natureza do objecto. Há documentos
que nunca devem estar à disposição
das pessoas de qualquer maneira. As pessoas pegam
o processo individual de um funcionário: a
história desse individuo na instituição
não é matéria para ser posta
à disposição do público
em geral, mas, se for para o Arquivo Histórico,
por exemplo, o processo individual de um funcionário
de Estado nos anos 1910, 1920 pode usar, porque atingiu
a idade histórica. Por isso, estava a dizer
que a documentação circulada em três
níveis, corrente (no dia-a-dia dos nossos serviços,
nossos jornais), a documentação que
corre sobre os vossos salários, sobre compras
que se fazem, está no arquivo corrente. Permite
funcionamento normal da instituição.
Mas, chega uma fase em que o recurso àquela
documentação reduz substancialmente.
O director financeiro, geral, ou do departamento não
passam seis meses, um ou dois anos sem pegarem aquele
arquivo. Ou outros funcionários de outros departamentos
não utilizam regularmente aquela informação.
Porque essa documentação não
atingiu a idade histórica, não pode
ser de acesso livre à pessoas que estão
a estudar história ou sociologia, ou investigadores
históricos nacionais e estrangeiros. Essa documentação
passa por um arquivo intermédio e ainda está
sob o controle da instituição que a
produziu. Atingido a fase histórica, passa
para o Arquivo Histórico de Moçambique,
que é uma instituição científica
de estudo. É classificada e passa para os ficheiros.
P: Isso quer dizer que vai haver melhoria, em termos
de facultação de informação
do Estado ao público?
VMEC: Tem uma determinada informação
que o senhor jornalista não vale à pena
procurar. Por exemplo os ministérios da Defesa,
do Interior, têm assuntos que são tratados
lá, mas, apesar de não serem locais
de estudo, essas instituições estão
organizadas de forma a fornecer informação
que acham que é importante para o conhecimento
do público. O Governo, também, não
vai governar no silêncio e ter todas as informações
fechadas. O Governo vai continuar a disponibilizar
informação que considera útil
para o cidadão, e, aquela que pode prejudicar
actividade económica politica e social dos
cidadãos, será vedada.
P: Senhor Vice-Ministro, a comunidade internacional
diz que não vai financiar a realização
das eleições autárquicas. Será
que o Governo vai avante, em querer realizá-las
em Janeiro próximo?
VMEC: Não se discutiu esse assunto. Mas, as
eleições vão ser realizadas,
pois elas são de todos os moçambicanos.
P: Mesmo que os doadores não desembolsem os
fundos?
VMEC: Nós temos uma Comissão Nacional
de Eleições que está a trabalhar,
e as eleições são provinciais,
que respondem ao crescimento da democracia em Moçambique.
Elas serão realizadas e todo esforço
será feito para que, de facto, se realize essa
vontade dos moçambicanos. Mas, uma vez mais,
estou a dizer que isso não foi discutido.
P: Senhor Vice-Ministro, o Relatório que fez
referência, indica quantas pessoas em em situação
de vulnerabilidade no país?
VMEC: É uma amostra. Eu teria dito que foram
inquiridos 3600 agregados familiares, num número
de 53 distritos. Nem todas as pessoas desses distritos
foram inquiridas. Devia ter um mapa das zonas onde
foi feito o trabalho, pois trata-se de uma amostra.
Num trabalho de natureza científica, quando
não se pode inquirir a toda gente (como o recenseamento
geral da população), para o estudo faz-se
uma amostra, que permite algumas conclusões
daquilo que é a realidade. É para produzir
uma percepção do que o nosso povo passa.
P: Senhor Vice-Ministro, quais são os passos
que serão dados, em relação à
questão da indústria?
VMEC: É a estratégia industrial que
vai estimular a indústria de madeira. Temos
um País que precisa de crescer, precisa de
ter infra-estruturas. Temos indústria de construção
de matérias de construção. É
construção de todos os pontos deste
País, dos distritos às capitais províncias.
P: Senhor Vice-Ministro, o que é uma política
sustentável?
VMEC: Muita coisa está a acontecer neste País,
mas, com essa politica, vamos ser capazes de direccionar
para aquilo que são as prioridades. Quando
falamos da produção de alimentos, mobiliários,
matérias de construção, estamos
a definir áreas fundamentais. Mas, também,
há certas coisas que não podem acontecer
sem energia. Tem que estar lá a energia. Essa
é uma estratégia política industrial
que tem que ver um País real. Não se
trata de encontrar uma varinha mágica que faça
que ontem Moçambique era isto e amanhã
será desenvolvido. Isto significa que precisa-se
de muito trabalho e muito esforço, principalmente
na mobilização de recursos.
P: Isso não implica uma espécie de
interferência, tendo em conta que as indústrias
foram privatizadas pelo Estado?
VMEC: Não estou a dizer que o Estado vai tomar
as indústrias. O Estado é um grande
facilitador e o ambiente económico criado vai
dar mais confiança aos investidores nacionais
e estrangeiros. Mas também é bom que
as instituições financeiras encontrem,
em Moçambique, um espaço para fazerem
os seus negócios, o seu dinheiro. Com isso
não estou a dizer que com essa politica, o
Governo de Moçambique que se transformar no
dono das empresas do País. Não é
isso. O Estado vai continuar a criar um ambiente propício
e facilitador de investimentos nacionais e estrangeiros,
para atrair finanças a nível internacional.
Não estou a falar de doar dinheiro às
pessoas. Facilitador significa a criação
de empréstimos capazes de sensibilizar as pessoas
a terem possibilidade de auto-sustento.
P: Isso significa que o Estado vai voltar a tomar
conta da indústria nacional?
VMEC: Não. O Estado não vai abandonar
o seu papel de facilitador, de facultador. E, agora,
quer regrar a concorrência. Se não aprovarmos,
as coisas vão acontecendo.
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