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AS Assembleias Provinciais constituem um instrumento de consolidação e aprofundamento da democracia multipartidária e participativa dos moçambicanos, segundo destacou ontem o Primeiro-Ministro, Aires Ali, na abertura da I reunião nacional destes órgãos de representação.
Aires Ali afirmou que o país tem estado a encarar desafios tremendos desde que existe como um Estado independente. Acrescentou que foi instaurado no país a democracia multipartidária para induzir a participação democrática inclusiva de todos os segmentos da sociedade nos processos de participação na vida pública, seja económica, social, política e cultural, através da sua inclusão nos processos de tomada de decisão.
A criação das Assembleias Provinciais atesta a vontade de prosseguir com o processo de descentralização e consolidação do exercício da democracia participativa em Moçambique. Elas constituem um instrumento através do qual os cidadãos exercem o poder a nível local.
O Primeiro-Ministro disse que a responsabilidade dos titulares das Assembleias Provinciais é enorme, porquanto são os primeiros a trilhar novos caminhos na consolidação dos passos democráticos. O percurso destes órgãos, segundo Aires Ali, acontece numa altura em que todo o mundo se questiona sobre o significado da democracia, de modelos democráticos, da sua abrangência e limitação e até de conceitos.
“Nós temos a nossa história, o nosso percurso e o nosso conceito de exercer a democracia”, disse, acrescentando que os titulares das Assembleias Provinciais devem saber articular a sua visão sobre as instituições que, em parceria, dão corpo à governação local.
Indicou que o programa quinquenal do Governo é um dos instrumentos de trabalho que deve guiar as actividades dos titulares das Assembleias Provinciais. No seu papel de fiscalizadores, devem investir para contribuir criteriosamente na promoção de melhorias na qualidade dos serviços prestados aos cidadãos.
“Estamos todos a construir um processo novo que requer muita criatividade e profundo sentido de responsabilidade e de patriotismo. É por isso mesmo que, no exercício das nossas funções como membros das Assembleias Provinciais, é importante que tenhamos domínio sobre os instrumentos que suportam o nosso Estado”, disse, indicando instrumentos como a Lei número 5/2007, de 9 de Fevereiro, atinente ao quadro jurídico-legal para a implantação das Assembleias Provinciais e define a sua composição, organização, funcionamento e competências, a legislação sobre os Órgãos Locais do Estado, mecanismos de articulação entre a Assembleia da República e as Assembleias Provinciais, entre outros.
A I reunião nacional das assembleias provinciais tem como objectivo a harmonização e partilha de valores, visão, princípios, conhecimentos técnicos entre os órgãos locais do Estado e as Assembleias Provinciais no âmbito da governação local.
DETERMINAÇÃO DE SERVIR
A DESPEITO de dificuldades marcadamente de índole financeira, as Assembleias Provinciais são órgãos de consolidação da democracia no país, segundo reconheceram os seus titulares entrevistados ontem pelo “Notícias” à margem da I reunião nacional.
O encontro, de dois dias, é promovido pelo Ministério da Administração Estatal (MAE) e decorre sob o lema “Assembleias Provinciais, consolidando o exercício da democracia em Moçambique”, tendo como objectivos a capacitação dos titulares destes órgãos, bem como a harmonização e partilha de valores, visão, princípios e conhecimentos técnicos entre os órgãos locais do Estado e as Assembleias Provinciais no âmbito da governação local.
Tomam parte do encontro os presidentes das Assembleias Provinciais, vice-presidentes, chefes das bancadas e directores do Secretariado Técnico da Assembleia Provincial. Trata-se da primeira reunião nacional desde que há um ano funcionam as Assembleias Provinciais.
Compete às Assembleias Provinciais fiscalizar e controlar a observância dos princípios e normas estabelecidos na Constituição e nas leis, bem como das decisões do Conselho de Ministros; aprovar o programa do Governo provincial, fiscalizar e controlar o seu cumprimento; emitir, no quadro da Constituição da República, pareceres e recomendações sobre assuntos ou questões fundamentais de desenvolvimento económico, social e cultural da província sobre a satisfação das necessidades colectivas e a defesa dos interesses das populações, bem como fiscalizar a actividade dos órgãos executivos e dos serviços, empresas ou institutos públicos de âmbito provincial e dinamizar a participação dos cidadãos e de pessoas colectivas no combate à pobreza.
De acordo com a lei, as recomendações da Assembleia Provincial são consideradas e transmitidas ao Conselho de Ministros pelo Governo Provincial. Entre outras matérias, os participantes do encontro debatem o enquadramento das Assembleias Provinciais no sistema político moçambicano, a Assembleia da República e os limites da Assembleia Provincial, Lei dos Órgãos Locais do Estado e a relação com as Assembleias Provinciais, sistema nacional de planificação, inserção do desenvolvimento económico local nos planos estratégicos de desenvolvimento distrital, ética governativa e deontologia profissional e os desafios da inspecção da administração local do Estado.
Debatem ainda a desconcentração no processo da descentralização em Moçambique, política e estratégia nacional de descentralização, fiscalização do fundo de desenvolvimento distrital, sistema de administração financeira do Estado e o papel da inspecção financeira, acção pública da cultura a nível provincial, o papel da Autoridade Tributária, mudanças climáticas e calamidades naturais e os Jogos Africanos.
EXPERIÊNCIA POSITIVA
A experiência de um ano de funcionamento efectivo das Assembleias Provinciais é descrita pelos titulares destes órgãos como sendo positiva, porquanto permite consolidar e aprofundar a democracia e promover a participação dos cidadãos na vida do país. Mas os desafios de funcionamento destes órgãos ainda é enorme, segundo reconheceram alguns participantes do encontro entrevistados pela nossa Reportagem.
Dário Jane, chefe da bancada da Frelimo na Assembleia Provincial de Manica, afirmou que a criação das Assembleias Provinciais foi uma decisão importante do Governo, pois são órgãos de representação democrática que aproximam o cidadão da governação.
“Foi uma importante decisão criar as Assembleias Provinciais. Na província de Manica, nós conseguimos visitar todos os distritos. As Assembleias Provinciais são mais um olho que ajuda aos governos provinciais na implementação do programa quinquenal. É claro que há dificuldades, mas acredito que à medida que elas forem se consolidando serão ultrapassadas. Basicamente, o primeiro ano foi de explicação às populações sobre o que são as Assembleias Provinciais”, disse.
Para Manuel Samuel Macocove, chefe da bancada da Renamo também na Assembleia Provincial de Manica, a experiência de um ano de funcionamento das Assembleias Provinciais é positiva.
“Conseguimos cobrir todos os distritos. As Assembleias Provinciais são um verdadeiro espaço democrático e as populações estão a compreender a sua importância. Dificuldades não faltam, mas de um modo geral, estamos a encontrar uma grande abertura por parte do Governo Provincial. A falta de meios de transporte é o grande “calcanhar de Aquiles” às nossas actividades, mas não há dúvidas de que as Assembleias Provinciais são uma oportunidade para consolidação da democracia”, disse.
Para Dinis Matediane, chefe da bancada da Frelimo na província de Tete, as Assembleias Provinciais estão a trazer importantes ganhos no que diz respeito à consolidação da democracia e promoção da unidade nacional.
“Há avanços significativos. Afinal de contas, estamos a ajudar o Governo a implementar o seu programa quinquenal. Dificuldades ainda existem, mas elas são próprias de um processo de trabalho. Ainda existe alguma dificuldade de interpretação da lei”, afirmou.
Por seu turno, Fazal Lacá, vice-presidente da Assembleia Provincial do Niassa, referiu-se das competências das Assembleias Provinciais e disse que os seus membros estão a cumprir a sua missão com dignidade.
“A existência da Assembleia Provincial vem satisfazer os anseios das populações. Estamos a um ano de funcionamento e os resultados são bastantes positivos. É um ano de muito trabalho e experiência. Temos questionado o Governo sobre o cumprimento do programa quinquenal. Há ainda dificuldades mas esperamos que as coisas melhorem este ano”, disse.
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